“VIVO DE APARÊNCIAS, MEU MARIDO ME AGRIDE, ME HUMILHA…”

731 0
731 0

Por Antonio Carlos da Silva Evangelista

Bacharelando em Direito

e-mail: tizzil10@hotmail.com

Ele só me agrediu, porque estava bêbado, ele são é um homem muito bom¨

¨É a primeira vez que ele faz isso comigo¨

¨Eu tenho medo de largar e ele me matar¨

Estas são frases que ecoam sem voz na dura realidade de nossas mulheres que convivem sob a proteção do medo, ou seja, são reféns de homens violentos, ciumentos, sem limites e que fazem da sua companheira a escrava do medo.

Diante de relatos como estes, observa-se que muitas mulheres durante o namoro percebem que o homem é agressivo, mas mesmo assim insiste na relação achando que ele irá mudar. É um ledo engano, pois mais tarde poderá custar sua vida, afinal, quando um homem durante a relação fica com brincadeiras de bater, puxar cabelos ou durante a discussão pega pelo seu braço e te puxa, te xinga… cuidado! Quando for dividir o mesmo teto pode ter a certeza que um dia aquele treinamento do namoro irá se transformar em realidade, ele lhe dará aquela surra e mesmo assim, ainda irá acreditar nas lágrimas de crocodilo, quando te pedir desculpas dizendo: “me perdoe, eu sei que errei e te prometo que isso não irá mais acontecer…” São palavras de uma serpente venenosa que poderá lhe dar o bote fatal, bastando apenas você falar que não quer mais o convívio e que tudo acabou.

A doutrina do homem violento é tão cruel que a cada 15 minutos uma mulher é assassinada no Brasil e a cada 5 minutos é vítima de agressão doméstica. Assim, elas se acostumam com essa vida e quando já estão com certa idade, por terem passado por todos os tipos de torturas física e psicológicas, são deixadas, ou melhor, trocadas por outra, pior ainda, ficam indo atrás destes canalhas.

Aprisionadas pelo medo, a frase que ecoa “eu tenho medo de largar e ele me matar”, o medo da reação do animal homem na raiz da sua crueldade não permite que a oprimida mulher consiga se libertar.

E o sexo torna-se uma tortura, afinal, após o ato forçado, ou seja, após o “ESTUPRO CONSENTIDO”, vêm a “DEPRESSÃO PÓS-SEXO”. A mulher sente nojo de si, do seu corpo, durante o longo banho as lágrimas caem por se perguntar: – “o que estou fazendo com minha vida?”. Entretanto, nesse emaranhado de situações, há fatores preponderantes tais como: filhos, desemprego, dependente, medo social, renúncia e, a principal, falta de amor próprio que foi ROUBADO ao longo da convivência junto com a vaidade feminina, o sonho de amor eterno, do príncipe encantado; a vida passa ser um simples viver sem expectativas e é está “morta viva”, pois o sorriso não reflete mais a beleza da mulher e sim a sua dor silenciosa, na qual, esse mau exemplo poderá ser reproduzido por suas filhas que ao ver o conformismo da mãe terá grandes chances de ser mais uma em uma interminável fila de desrespeitos. Não obstante, os filhos de pais agressores tendem a reproduzir tudo que foi presenciado, disseminando assim esse mal às mulheres.

Por fim, torna-se inconcebível aceitar a violência contra a mulher em todos os seus requintes de crueldade, que fere a essência da vida que é viver feliz e ter paz. Assevero que quando a relação não dá mais é de suma importância que cada um siga teu caminho. Não se esqueçam que as palavras do homem violento geralmente são de posse: “é minha”, “é meu”, “eu que mando”, “eu que pago”, “eu faço”, o ‘EU’ sempre em primeiro lugar. CUIDADO!

A Lei 11.340, conhecida como MARIA DA PENHA, é um exercício de cidadania de professores e professoras, de todos da área de educação. É preciso divulgar, não podemos ficar esperando. A “Mulher, a lei está a seu favor, denuncie”.   

Compartilhe
In this article

Join the Conversation

+
+