A violência, o medo e a prisão do cidadão de Alagoinhas. Alguém não voltará para casa.

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Por Antônio Carlos- Estudante de Direito

Amanhece, era para ser mais um dia comum na vida de João, Maria, Pedro… E para todo e qualquer cidadão que tem seu direito de ir e vir garantido constitucionalmente. Era para ser, mas não é bem assim na realidade cruel em que vivemos, pois a violência traz o medo e este condena o cidadão à prisão, mesmo sem nunca ter cometido um delito.

Por este viés, ao amanhecer, o planejamento do dia é de acordo com a necessidade de cada um, porém com uma quase certeza que permeia a cabeça da maioria: será que eu irei retornar para minha casa? Difícil, na atual situação que encontra-se o país e especificamente Alagoinhas. Todo o cidadão, independente de condição social, vive este medo de sair e permanecer até mais tarde na rua, mesmo que seja para fazer coisas simples tais como: ir ao supermercado, à escola, ao banco, à um aniversário, à igreja, à pizzaria, enfim, tudo aquilo que é do seu direito e foi roubada pela marginalidade e criminalidade que se prolifera igual a dengue, a zika, a chinkungunya. É uma verdadeira epidemia de marginais que tomam conta das ruas e praças e que decretam, como um juiz, a prisão do cidadão em sua própria residência.

Absurdo!! Comerciantes aflitos, principalmente os donos de farmácias, postos de gasolinas e mini mercados, vítimas constantes de assaltos e que não fazem nem um B.O (boletim de ocorrência) para que através dos dados a policia possa fazer alguma coisa. Entretanto, temos a nossa parcela de culpa, a partir do momento que não denunciamos anonimamente o traficante que mora na nossa rua, o ladrão, o homicida, o corrupto, o que compra mercadorias roubadas, etc. São justamente estes, que muitos se negam a denunciar, que acabam com a vida das crianças, dos adolescentes, dos nossos filhos, acabando com o nosso futuro. E nós, como sempre, agindo como vítimas e jogando a culpa em governo, na polícia. Por falar em polícia, até nisso temos culpa. Essa questão de pregar a inversão de valores, hoje as pessoas não querem ter amizade com o policial, mas sim com traficantes e criminosos por acharem que estarão seguras. O cúmulo do erro! Pois, esses vermes não tem a menor compaixão com suas vítimas que, quase em sua totalidade, ficam com algum trauma pós-roubo.

Por fim, quanto a João, Maria, Pedro… Eles provavelmente não voltarão para casa, pois aqueles marginais que você achava que eram seus amigos, foram eles que acabaram com a vida das pobres vitimas. E quanto a você, continue ai na sua prisão domiciliar perpetua ou denuncie e sinta o verdadeiro gosto do direito de ir e vir que só a liberdade nos traz.

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