Editorial: Michel Temer tem que renunciar

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Escrito por Caio Pimenta e Alex Almeida

Acabou! O governo Temer acabou. Isso não é um desejo, tão pouco uma especulação. Isso é uma constatação. O áudio envolvendo Joesley Batista, dono da JBS, e o presidente Temer acabou por dar a punhalada final num governo que já começou doente.

O presidente Temer, é bom que não nos esqueçamos, foi vice-presidente da fatídica gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, que só não está no ostracismo, porque delatores trazem a tona sua participação no recebimento de dinheiro ilícito que irrigou suas campanhas eleitorais. Ele participou e deu apoio ao governo responsável pelo desastre econômico pelo qual o país enfrenta e ajudou a eleger uma presidente atabalhoada, incompetente e inepta. Quando viu o barco prestes a afundar deu-lhe uma rasteira. E de fiador, passou a ser taxado de “golpista” pelos antigos aliados.

Com uma agenda reformista e liberal prometeu tirar o país da recessão econômica, ao mesmo tempo em que se comprometeu a não interferir na Lava Jato. Com um governo de péssima comunicação, não conseguiu convencer a população da extrema necessidade das reformas trabalhista e da previdência. Por outro lado encheu seus ministérios de figuras envolvidas até o pescoço com o maior esquema de corrupção da história deste país. Vamos relembrar alguns nomes: Geddel Vieira Lima, Romero Jucá, Moreira Franco, Eliseu Padilha… E por aí vai.

Com tudo isso, não conseguiu o apoio popular. Continuou mesmo assim graças à sua “popularidade” junto aos congressistas, isso à base, logicamente, de benesses concedidas aos mesmos pelo presidente, como foi o caso da liberação dos recursos da CAF para Alagoinhas, um “presente” concedido ao deputado Paulo Azi pelo seu apoio ao governo.

Contudo, nos últimos meses, a impopularidade da agenda reformista junto à população já contaminava o apoio de seus aliados, tanto que Temer enfrentou, e enfrenta, grande dificuldade para aprovação da reforma trabalhista e previdenciária. A punhalada final veio nesta última semana, com o vazamento do áudio do dono da JBS que colocou a figura do presidente no ponto central da Lava Jato.

De imediato a economia sentiu o baque. As ações das empresas brasileiras despencaram na Bolsa de Valores e o real se desvalorizou. Na politica, alguns partidos desembarcaram da base. PPS, Podemos (antigo PTN) e PSB já retiraram seu apoio. A impopularidade se juntou agora ao esvaziamento de apoio politico.

Não dá mais! O presidente tem que ter a humildade de reconhecer que não reúne condições nenhuma de ser o condutor das reformas do Estado. O povo já não nutria nenhuma simpatia por ele, o mercado já deu sinais de que não acredita que Temer seja capaz de implementar as reformas e os congressistas já não se sentem tão a vontade em apoiar este governo que aí está.

O presidente Temer não pode seguir os passos da sua antecessora, que num misto de soberba e arrogância negou-se a renunciar e arrastou o Brasil a um doloroso processo de impeachment que paralisou o país e agravou a crise econômica.  O Brasil não precisa de um novo momento destes.

O Brasil precisa de um novo governo, que seja capaz de resgatar a esperança do povo, dar tranquilidade ao mercado e reorganizar uma base de apoio coesa, capaz de dar rumo ao país. O governo Michel Temer ruiu, só falta o mesmo se dar conta disso e renunciar.  

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