Projeto motiva estudantes do ensino médio de escolas públicas a entrar na universidade

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Uma ação solidária de voluntariado estudantil realizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, tem ajudado 1,4 mil alunos do ensino médio de escolas públicas a entrar no caminho da educação superior. Intitulado Salvaguarda, o projeto foi criado em 2016 pelo estudante de economia da Universidade de São Paulo (USP) Vinícius de Andrade, 22 anos. Após conquistar o sonho de ingressar em uma universidade, o rapaz decidiu ajudar jovens que vivem uma realidade parecida com a que ele próprio viveu.

Ainda no primeiro ano do curso de economia, ao visitar turmas do terceiro ano do ensino médio de escolas públicas da região para uma pesquisa de campo, Vinícius percebeu que muitos dos alunos estavam desmotivados e não sabiam como se inscrever para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nem como conseguir uma bolsa de estudos. De início, se identificou com aqueles jovens.

Oriundo de família de baixa renda, Vinícius estudou a maior parte da vida em escola pública e sempre ouvia dos pais que precisava se preocupar com o trabalho, pois não teriam dinheiro para arcar com uma faculdade privada. O desejo dele, porém, era de obter diploma de curso superior e se dedicar aos estudos, mesmo sem saber como o faria.

“Meu pai queria que eu fosse para a escola, claro, mas queria que eu fosse trabalhar. O único caminho que eu conhecia na minha família era o do trabalho, mas eu queria algo mais após a escola. Eu não queria só sair da escola direto para ir trabalhar, disso tinha certeza. Eu queria algo, só não sabia onde, o que e como; não sabia de nada”, lembra. Isso fez com que o rapaz tentasse vestibular pela primeira vez sem muito preparo. Passou apenas no segundo ano de tentativa.

Voluntariado – Para evitar que essa história se repetisse com outros jovens, Vinícius decidiu mobilizar estudantes da USP dispostos a levar informação aos concluintes de escolas públicas de Ribeirão Preto. Hoje, cerca de 200 voluntários, entre graduandos, mestrandos e até doutorandos da universidade estão reunidos em uma rede de ajuda que se desenvolve via grupos de WhatsApp e visitas às escolas. Essas pessoas dedicam parte do dia a fazer testes vocacionais com os estudantes, apresentar e explicar as profissões e o mercado de trabalho, corrigir redações, dar dicas de leitura e estudo para o Enem e, principalmente, motivar os jovens a sonhar com novos horizontes.

“O projeto não é monotemático em universidade pública nem em nenhuma universidade. Queremos empoderar, mostrar que eles são capazes. Já passei contato [para os jovens que queriam saber sobre profissões] de bombeiro, aeromoça, até engenheiro, para eles poderem conversar e descobrir que podem sonhar. Alguém ser limitado a sonhar é muito triste”, ressalta Vinícius.

Com apoio do grupo, os estudantes fazem uma redação a cada 15 dias, como simulado para o Enem. Os voluntários corrigem os textos e acompanham a evolução dos alunos. Excursões para a universidade também são organizadas com o intuito de que os jovens conheçam o dia-a-dia de um ambiente universitário.

Incentivo – Essas ações fizeram a estudante Gleice Oliveira, 16 anos, se motivar para prestar o Enem e tentar uma vaga no curso de medicina veterinária. “Antes eu não queria, porque não me achava capaz. ‘Tem tantas pessoas fazendo o Enem, para que eu vou fazer? Para sair frustrada?’ Era esse meu pensamento. Só que agora vejo que, com dedicação, posso chegar lá, e sei que tem pessoas que acreditam em mim. Pretendo fazer medicina veterinária porque meu amor pelos animais é muito grande”, conta, emocionada. A jovem definiu o projeto Salvaguarda como “aquela luz no fim do túnel, que mostra que nem sempre estamos sozinhos”.

A ajuda é providencial, principalmente, para os estudantes que são de famílias de baixa renda. Alexia Silva, 17 anos, queria se inscrever no Enem, mas não sabia como pedir a isenção da taxa de inscrição e quase desistiu. Caçula de uma família de quatro irmãos, será a primeira a concluir o ensino médio e espera ser, também, a primeira a ingressar em uma universidade, para cursar direito. “O projeto me levou a conhecer um pouco da área de direito na USP e eu sempre admirei quem trabalha com direito, quem é advogado”, disse a estudante.

O projeto Salvaguarda conseguiu inscrever mais de mil estudantes nas provas do Enem 2017 e agora quer oferecer aulas preparatórias para o exame, como foco em redação.

Fonte:PortalMec
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