Na JBS, as incertezas vão além do balanço

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Enquanto tem seu nome envolvido em noticiários e investigações sobre corrupção, a companhia de alimentos JBS publica seu balanço nesta segunda-feira. O objetivo é mostrar que os negócios vão bem, ainda que seus dois principais acionistas e ex-executivos estejam presos.

Em relatório com a expectativa de resultados, analistas do Itaú BBA projetavam uma alta de 75,7% no lucro do terceiro trimestre, na comparação anual, para 1,55 bilhão de reais. Mas isso foi antes de a JBS divulgar, na semana passada, que aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária, conhecido como Refis.

Conforme a companhia, a adesão ao programa trará um impacto negativo de 2,3 bilhões de reais em seu lucro no terceiro trimestre. A notícia fez as ações da empresa caírem 4,8% em apenas um dia.

Apesar da aparente normalidade da empresa, ainda há muitas incertezas em seu caminho. A principal é se a empresa conseguirá honrar suas dívidas. Em julho o até então presidente da empresa, Wesley Batista, conseguiu firmar um acordo nos bancos para adiar o pagamento de um total de 20 bilhões de reais em dívidas.

Wesley foi visto como uma peça fundamental para essa negociação, já que tinha bom relacionamento com os bancos e conhece os negócios da JBS como ninguém. O problema é que o acordo feito vence em julho de 2018. A partir daí, não há garantias de que a JBS conseguirá renegociar novamente. Ainda mais se Wesley permanecer preso.

A missão está com José Batista Sobrinho, o próprio JBS, fundador da companhia e hoje presidente executivo, e o agora presidente do conselho de administração, Jeremiah O’Callaghan.

O comando da empresa é outra questão incerta até o momento. Desde agosto o BNDES, segundo maior acionista da JBS, compra briga com a família Batista para afastá-la do comando. O impasse entre os dois está em processo de arbitragem, uma maneira de tentar resolver conflitos sem a participação da Justiça.

 

Fonte:Exame
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