“Quero manter o bom funcionamento da autarquia”, diz a diretora-geral do SAAE de Alagoinhas, Maria das Graças

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Ela é filha de Alagoinhas, tem 47 anos bem vividos. Passou pelos melhores colégios da cidade e se formou em engenharia sanitária ambiental na UFBA. Em seu currículo extenso, trabalhou na Limpurb, em Salvador, passou pelo SAAE de Alagoinhas, primeiro no cargo de chefia de divisão técnica da autarquia e posteriormente se tornaria diretora-geral, no segundo mandato do então prefeito Joseildo Ramos(PT). Também já trabalhou na Comissão de Regulação e Fiscalização do Estado da Bahia(Coresab), no INEMA e Funasa. Agora no governo Joaquim Neto(DEM), volta à autarquia com a missão de reergue-la e retira-la de uma crise financeira-administrativa ocorrida durante a gestão passada.  O Jornal News Infoco, na edição de novembro de 2017, traz uma entrevista com a diretora do SAAE de Alagoinhas, Maria das Graças. Acompanhe:

News Infoco: Maria das Graças, a senhora é filiada ao PT, partido de oposição ao governo Joaquim Neto. Como é que se deu esse convite do prefeito de Alagoinhas?

Maria das Graças: Em junho, estava lá analisando meus processos na Funasa, quando o prefeito Joaquim Neto me ligou e me convidou para ser a diretora do SAAE. Surpreendeu-me muito. Primeiro, porque eu trabalhei na gestão de Joseildo Ramos por 8 anos e no interior sabe que fica essa questão de lado A lado B… Mas me surpreendeu também porque no PT tenho amigos, Joseildo é um amigo pra mim. Joaquim é uma ótima pessoa e gostei muito dele me dar essa confiança. Fui muito bem acolhida no governo do DEM, tanto por Joaquim quanto os secretários. Estou aqui para trabalhar, sou formada em engenharia sanitária e vim para trabalhar profissionalmente.

News Infoco: Qual a principal mudança entre sua gestão e a do ex-gestor José Gomes? O que mudou?

Maria das Graças: Eu não conheço a ex-gestão, do José Gomes, do que ele fazia como diretor. Eu conheço muito pouco ele. Eu não tenho nenhuma critica a gestão dele. Foi ele que começou a organizar a casa, mas eu agora estou dando continuidade, e, claro, com a minha forma de gerir, uma forma participativa. O que o ex-gestor fez de bom estou dando continuidade, coisas ruins não encontrei. Inconsequentes, sei que foram os diretores na gestão de Paulo Cezar. As altas dívidas do SAAE de hoje foram criadas na gestão passada. O SAAE precisa de investimentos. Temos que tratar o SAAE com uma empresa, embora seja uma autarquia municipal. Aqui eu não posso isentar ninguém da conta de água porque é pobre, não posso isentar ninguém da conta de esgoto, porque acha que não deve ser cobrado. Eu não posso fazer nada disso, e sim ver uma forma de equacionar esses problemas, por exemplo, através da tarifa social, através de uma politica de conscientização da população da necessidade de se ter uma coleta de tratamento de esgoto e um lançamento adequado no rio.

News Infoco: Em sua primeira passagem no SAAE, você enfrentou uma longa greve dos funcionários. Agora no seu retorno você tem tido, em pouco tempo, alguns atritos com sindicalistas. A senhora acredita que isso é uma questão pessoal de alguns dirigentes sindicais contra a senhora?

Maria das Graças: Eu acho que é algo pessoal comigo, só pode ser. Pois o SAAE passou 8 anos afundado numa divida oficializada de 12 milhões de reais, com uma situação em que 90% das estações de tratamento de esgoto estavam sem funcionar, sem investimento nenhum no abastecimento de água, com o reservatório da Cavada, que é nosso segundo principal do sistema de abastecimento de agua, caindo e não se fez paralisação, nem greve, no caos que estava. Encontramos o SAAE com 16 mil ligações clandestinas, 5 mil casas sem hidrômetro. Então, eu pergunto, por que não fizeram greve? O SAAE é uma instituição pública, tem que ser superavitária, ela vive pelo que arrecada. A partir do momento que ela for subsidiada, financiada pela prefeitura, ela vai ser leiloada, vai ser privatizada. Os funcionários precisam entender que a autarquia precisa se manter e para isso ela precisa oferecer um bom serviço. Resumindo, eu acho que as criticas a mim só podem ser pessoais.

News Infoco: Essa pressão sindical atrapalha sua gestão?

Maria das Graças: Atrapalha muito. Qualquer paralisação, qualquer dia que o SAAE fique parado é muito prejuízo, uma queda brusca no faturamento. Vou dar um exemplo, a terceirizada que presta serviços, o contrato acabou, fizemos uma nova licitação, ganhou uma outra empresa, esse período de contratação de pessoal que esta finalizando agora, só nesse mês outubro tivemos uma perda, que está sendo ainda equacionada, pois deixamos de ir para a  rua, tivemos que fazer leitura pela média, os distritos não foram lidos, então isso gerou essa queda e o SAAE sobrevive daquilo que arrecada, eu tenho que correr atrás do dinheiro. Eu fiz uma reunião com todos os funcionários, mostrei como está nossa divida, o porquê que a diretora estava solicitando que o sindicato entendesse o não pagamento dessas perdas em 2018. Enfim, eles paralisaram, tive que rever tudo, voltar atrás, para que em 2018 não tenhamos uma greve. Quero manter o bom funcionamento da autarquia.

News Infoco: Apesar da crise financeira, o SAAE tem feito algumas obras, principalmente advindas do PAC 1 ,PAC 2.  Nos fale sobre essas obras

Maria das Graças: Esse PAC 1 é o saneamento para todos, o PAC 1 é um recurso não oneroso, um repasse do Governo Federal com contrapartida do munícipio, e essa obras, implicam em vários bairros da cidade. Ela pega desde o alto de Santa Terezinha, Inocop 1 e 2 ,e a bacia da fontes dos padres, passa pela Dantas Bião, pela BR, onde vai ser o tratamento de esgoto lá em Narandiba. É uma obra que foi abordada em 2007 e é uma obra que é composta de ligações domiciliares, rede coletora, de estações elevatórias e de tratamento. O PAC 2 é uma obra complementar ao PAC 1, com apenas ligações. Essa já foi no governo Paulo Cezar, e que só foi possível conseguir estes recursos do Governo Federal em função da gente ter o projeto de esgotamento sanitário e o plano municipal de saneamento. Nós esperamos concluir essa obra em meados de 2018, com isso, com o programa saneamento para todos, vamos ter 30% da cidade com rede coletora e tratamento de esgotamento sanitário. É muito pouco ainda, mas é o que é possível ser feito agora. Ainda estamos esperando o bom tempo chegar, pois grandes obras que almejamos, hoje não conseguimos fazer apenas com recursos próprios, são necessárias parcerias.

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