Integração das linhas de ônibus de Alagoinhas pode significar avanço, mas precisa de fiscalização – Por Caio Pimenta

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Caio

Amigos leitores, no último sábado(17), iniciou em Alagoinhas a integração das linhas de ônibus da cidade. Uma medida anunciada pelo governo Joaquim Neto que era uma reivindicação dos munícipes há muito tempo. A integração das linhas de ônibus visa dar celeridade no transporte, diminuição da poluição, fluidez no trafego e significa a modernização no conceito de mobilidade urbana na cidade. Porém, até agora tudo isso não passa de tese.

Muitos governos praticamente ignoraram o tema mobilidade urbana, até hoje Alagoinhas não possui um sistema de transporte coletivo devidamente licitado com regras explicitas que devem ser respeitadas pelas empresas que exploram o serviço. O resultado é uma verdadeira insatisfação da população.

Com o projeto de integração do governo Joaquim Neto, ao dividir a cidade em dois trajetos(bairros-terminal e terminal-rodoviária) a SMTT tem condições de racionalizar a frota de ônibus, retirando de circulação aqueles ônibus que circulavam quase vazios onde só geravam caos no trânsito, poluição e prejuízo aos empresários. Várias linhas já tinham como destino final a Rodoviária( a exemplo do Barreiro, Mangalô, Miguel Velho, etc), mas até para estas linhas, as mudanças propostas pelo projeto de integração pode significar mais rapidez no trajeto, desde que haja sincronia entre os ônibus que chegam dos bairros para o terminal e os que vão do terminal para a rodoviária. Isso evitaria aqueles 10, 15 ou até 30 minutos que os ônibus ficavam parados no terminal para seguir o seu trajeto final.

A SMTT planejou a integração por etapas, iniciando pelos bairros que já tinham como destino final a Rodoviária e posteriormente estendendo aos outros bairros que nunca tiveram direito a integração. Porém devido a falta de fiscalização, o que se observou foi em muitos casos o inverso do que em tese deveria significar a integração. Em muitos casos o trajeto ficou mais demorado. Não houve até aqui nenhum tipo de controle por parte do governo sobre as empresas, os horários e os cumprimentos das rotas.

Outra questão que não fica claro é a obrigatoriedade dos 7 reais para aquisição do cartão de integração, mesmo que esse valor seja revertido em créditos para o usuário. Ora, se os 7 reais retornam para o usuário, por que não a cobrança de R$2,70 para aquisição do cartão, preço equivalente a tarifa da passagem?! Muita gente que não conseguiu adquirir o cartão ou se informou sobre a aquisição do cartão teve que desembolsar o dobro do que gastava antes com o pagamento em dinheiro de duas tarifas, ou desembolsr 7 reais para aquisição do cartão. Resultado, um sistema que tem tudo para ser uma grande ação de mobilidade urbana, já se inicia com forte rejeição.

Não se pode imaginar um sistema de transporte público sem a fiscalização efetiva do poder público municipal sobre concessionários ou permissionários do sistema. Não se pode deixar que os próprios empresários decidam o que vale e o que não vale no andamento da integração, empresário visa lucro e o sistema de transporte público tem que satisfazer prioritariamente os interesses da população.

Se o governo não tem efetivo e condições de fiscalizar a implantação da integração, que acabe logo com a empreitada. O sistema tem que servir à população, à cidade. A integração das linhas de ônibus pode significar um avanço, mas tem que ter fiscalização efetiva do poder público municipal.

*Caio Pimenta é Bacharel em Direito, radialista, comentarista do Programa Primeira Mão da rádio Mundial FM 105,9 FM de Alagoinhas, além de ser editor-chefe do site News Infoco.

Uma resposta para “Integração das linhas de ônibus de Alagoinhas pode significar avanço, mas precisa de fiscalização – Por Caio Pimenta”

  1. Concordo plenamente! Infelizmente o poder público de Alagoinhas nunca deu a devida importância ao transporte coletivo da cidade, a começar pelo horário dos ônibus e quantidade dos mesmos nas linhas que sempre ficou a cargo das próprias empresas e não do órgão regulador, como é feito em outros municípios.

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