“Desorientação política” teria levado Rui a dar entrevista inoportuna à revista Veja

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A mais completa e plena desorientação política é a explicação de deputados aliados, mas especialmente do PT, para o fato de o governador Rui Costa ter se lançado ao abismo com a malfadada entrevista à revista Veja desta semana, que sepultou no partido as chances de receber qualquer apoio para concorrer à Presidência da República.

O problema teria sido motivado pelo seu profundo isolamento político, marcado, principalmente, pelo distanciamento em relação ao senador Jaques Wagner (PT), que sempre funcionou como seu padrinho e mentor até ser completamente escanteado no governo estadual, processo iniciado na campanha passada.

O agravamento da situação ocorrera, no entanto, com o fato de o senador, pressentindo que poderia ser limado completamente pelo aliado das decisões eleitorais com relação à sucessão estadual de 2022, ter feito uma bem sucedida investida para assumir o controle do PT na Bahia.

Assunto sobre o qual não se fala no PT, o movimento de Wagner não apenas impôs uma gigantesca derrota política a Rui na disputa pelo comando da agremiação de ambos como o tornou refém das opções que o ex-governador decidir fazer para as próximas eleições no Estado.

Como se tornou voz corrente no PT, Wagner está disposto a concorrer, mais uma vez, ao governo daqui a três anos, o que impedirá que Rui tente disputar a vaga ao Senado na mesma chapa, obrigando-o a cumprir seu mandato no governo do Estado até o fim.

Na entrevista à Veja, o governador fez tudo o que a estratégia política não recomenda: forçou a barra para aparecer como pré-candidato a presidente da República com três anos de antecedência, atacando o próprio partido e relativizando a situação de seu líder maior, Lula, e ainda fazendo pouco caso de Fernando Haddad.

Para completar, fez referências ao ex-candidato do PDT a presidente Ciro Gomes, que, revoltado com o fato de não ter obtido apoio do PT para concorrer a presidente em 2018, tem passado os dias batendo na tecla de que Lula é um político preso e não um preso político, para desespero dos petistas que querem vê-lo solto.

A iniciativa aconteceu no momento em que a Lava Jato, que prendeu o petista, é colocada em cheque, com a chamada “VazaJato”, e quando uma pesquisa Datafolha apontou que Haddad venceria o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se as eleições fossem hoje.

O que mais chamou a atenção em todo o episódio, no entanto, foi o fato de Rui não ter conseguido esboçar uma reação apropriada, o que o levou a passar três dias apanhando, desde a última sexta-feira, quando a entrevista foi publicada.

Também nenhuma liderança política de seu grupo – a começar por Wagner – se levantou a seu favor, confirmando a tese de que o governador, apesar de ser bem avaliado pela população segundo as pesquisas, é simplesmente “detestado” pela classe política por um estilo que muitos consideram “desleal” e, às vezes, “descortês”.

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