Pré- candidato do PSOL a prefeito de Alagoinhas, Raimundo Barreto, cada vez mais afinado com o petismo

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Raimundo Barreto

Marcelo Nova da banda Camisa de Vênus cunhou a frase:”é preciso ter cultura para cuspir na estrutura”. Raimundo Barreto, pré-candidato do PSOL a prefeito de Alagoinhas, demonstrou que isso é uma grande verdade em sua entrevista ao programa Primeira Mão, nesta quinta-feira(28). Para ele a cultura local é tão importante quanto a água, que é principal produto da economia municipal, hoje, bem como o alimento, trazendo para política uma máxima do Titãs: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

Raimundo Barreto apresenta uma palavra para nortear a vida social e as ações políticas, dentro desse novo contexto, CIVILIDADE, que só se consegue com o avanço cultural. Barreto acha fundamental criar um evento que coloque a cidade no calendário nacional do setor. A bancada lembrou de algo como Oktoberfest, mas Barreto esclareceu que pretende uma iniciativa que valorize a cultura local, de maneira mais enraizada, como festivais ou feiras literárias. Isso ressuscitaria a visão antiga de Pedro Marcelino que percebia Alagoinhas como cidade turística.

O problema de grandes festas, justamente, é que terminam contratando atrações nacionais, que conseguem reunir um grande público, mas que representam muito pouco em densidade cultural e não geram estrutura nem mecanismos para fortalecimento da arte e da mentalidade(valores- modo de ser) regional. Civilidade representa, para Barreto, reflexão qualificada dos problemas, trato sensível com a coletividade, que vai da preservação do patrimônio ao compromisso com práticas solidárias e se estende à postura de cordialidade nas relações. O psolista defende a formação de consórcios municipais para resolver questões urgentes como a construção de um novo hospital, a duplicação da rodovia que liga Alagoinhas a Catu e a expansão da Uneb. Ele enfatizou também que se precisa pensar Alagoinhas para os próximos 30 anos. Nesse ponto, o debate se demora a acontecer de fato e as ações administrativas são todas imediatistas.

Esse foi o lado positivo da fala de Barreto, porém quando ele se posiciona ideologicamente, o quadro começa a ficar bastante sombrio.

Barreto passou a vida toda de psolista dizendo que o PT não era um partido de esquerda, que era um partido burguês, que se aliou ao grande capital. Em acordo com o novo alinhamento nacional e seu partido, ele mudou da água para o vinho, afirma que Lula é o maior líder de esquerda do mundo e que o PT é o maior representante da esquerda. Quando se dizia a Barreto que o PSOL no poder viraria um novo PT, ele se indignava e chamava os questionadores de “mãe diná”, dizendo com isso que o PSOL era um partido verdadeiramente de esquerda e que era ético. Sob o ponto de vista da moralidade pública, Barreto passou a ter uma visão perigosamente permissiva, argumentando que não existe pureza em nenhuma relação humana. Seguindo essa linha de raciocínio, portanto, atos de corrupção seriam toleráveis e seria normal apoiar ou receber o apoio do PT, um partido afundado em casos de corrupção.

Ele não entende que a corrupção enfraquece a democracia e gera autoritarismo, por outro lado diz que a esquerda deve se unir contra uma onda de autoritarismo de direita mundial, a velha tática nazista/stalinista de criar um inimigo comum para legitimar todas as práticas, tipo “os fins justificam os meios”. Por fim, jogou a culpa do autoritarismo de Maduro e do Castro nos embargos econômicos, mas esqueceu de citar que a China está prosperando ao adotar práticas capitalistas.

Falou de países pequenos da Europa que focam no bem estar social ao invés do lucro, o que prova que o capitalismo não necessariamente deve ser excludente. Enfim, Raimundo talvez sonhe com o PSOL, sendo a legenda hegemônica pós-lulismo ou uma alternativa quando os líderes petistas estiverem com um índice de rejeição muito elevado. Talvez, também, essa seja a última pré-candidatura de Barreto de várias. Só que o PSOL, apesar de ser um partido novo, não gera novas lideranças. A chance maior é apoiar o PT em troca de alguma secretaria que possa formar esse novo nome para oferecer para a sociedade na era pós-Joseíldo. O certo é que a holding PT/PSOL segue firme para a revolução ou para o precipício.

A série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeitura de Alagoinhas continua nessa sexta-feira(29) no programa Primeira Mão. Desta vez será a vez de João Henrique Paolilo, pré-candidato pelo Podemos. O programa Primeira Mão vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 6 as 8 da manhã, pela rádio Ouro Negro 100,5 FM e rádio web 2 de julho. O programa também é transmitido ao vivo pelo youtube, através do canal da rádio 2 de julho, e pelo facebook na página do site News Infoco.

Acompanhe a entrevista do pré-candidato a prefeitura de Alagoinhas, Raimundo Barreto(PSOL), ao programa Primeira Mão:

Por Paulo Dias para o News Infoco

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