Operação Castelo de Areia, o símbolo da cleptocracia e o marco do envolvimento do judiciário – Por Paulo Dias

0
Paulo Dias

A Operação Castelo de Areia volta à tona pelas mãos da Lava Jato e possivelmente revele finalmente a corrupção do judiciário, que todos acreditam que existe, mas que, até o momento, ninguém conseguiu as provas – o sistema é blindado demais. Essa operação pode colocar Lula como o maior gangster de todos os tempos, deixando Al Capone, El Chapo, Pablo Escobar no chinelo. Agora tenta-se provar é que os ministros do STJ anularam essa investigação como resultado de venda de sentença, alegando falsamente que a investigação partiu de denúncia anônima. Ainda se determinou a destruição de todos os documentos comprobatórios do caso, só que um juiz heróico derrubou essa decisão e a Lava Jato agora tem farto material a seu dispor. Parece que não adiantou muito a ajuda da rapaziada do STJ, a Lava Jato está mais forte do que nunca e Lula mais encalacrado ainda. Esse é um escândalo emblemático que mostra as vísceras podres do mar de lama que é o Brasil. Então, só nos restará uma opção, ou o povo defende a Lava Jato mais do que nunca ou país vai sucumbir com tanta ratazana e tanta sanguessuga minando sua vitalidade

A Polícia Federal deflagrou a Castelo de Areia em março de 2009 para apurar suspeitas de superfaturamento e lavagem de dinheiro envolvendo a Camargo Corrêa, empreiteira responsável por grandes obras estaduais e federais pelo país. O juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, foi o responsável por autorizar a operação. Foram presos quatro executivos da construtora e um doleiro, mas dois anos depois o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a operação. Em 2011, os ministros aceitaram as  alegações da defesa da empreiteira, sabidamente falsas, de que escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal eram ilegais por terem sido motivadas por uma denúncia anônima. Após recurso, a corte manteve a anulação.

Nesse período, a população ainda estava embevecida com o falso milagre econômico do PT e mais uma acusação de corrupção, logo após o mensalão, derrubaria a tese de que “Lula não sabia de nada”, isso poderia representar uma catástrofe eleitoral, além de interferir(inibir o)  no esquema de caixa 2 de campanha, praticamente feito com verbas da corrupção. Em razão das decisões, a investigação parou e ninguém foi processado ou condenado.

A dupla, posteriormente condenadíssima, PT/PMDB estava salva, naquele momento até o início desse mês, quando a Lava Jato encontrou supostas provas, não só da corrupção, mas da hipótese da sentença do STJ ter sido comprada. Os indícios são fortes e dão conta de que se montou uma cleptocracia no país para durar décadas. Em março de 2014 foi deflagrada a Lava Jato e com ela as suspeitas de que a Camargo Corrêa integrava o cartel que atuava ilegalmente nas licitações de obras da Petrobras. O avanço das investigações remexeu em fatos e indícios que já haviam aparecido na Castelo de Areia. E recentemente no escritório de Márcio Tomaz Bastos, advogado e ministro da justiça de Lula(a alma mais honesta do país) foram encontrados documentos que sugerem um esquema de propina para o judiciário inclusive a suposta negociata em torno da sentença que matou a Castelo de Areia- nome que se torna ainda mais apropriado agora.

Planilhas apreendidas pelos agentes na época traziam a indicação de pagamentos a políticos de sete partidos: PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB. A suspeita da Polícia Federal era de que se tratava de propina em troca dos contratos e doação ilegal para campanhas eleitorais. As legendas e a empreiteira afirmavam se tratar de doações legais. Em razão da anulação da Castelo de Areia, a Justiça Federal de São Paulo determinou, no dia 10 de agosto de 2017, que as provas levantadas na operação fossem destruídas, como documentos, planilhas, mensagens e as gravações telefônicas. Mas o juiz federal Diego Paes Moreira, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, suspendeu o descarte, atendendo a pedidos da procuradoria em São Paulo, que acredita que o material poderá ser novamente analisado. Tudo está reforçado pela delação de Palocci.

Lulinha está encrencado. A Lava Jato também aprofunda o envolvimento de cervejarias no esquemão. E onde existem cervejarias no Estado da Bahia? Alagoinhas pode entrar para a história do maior esquema(ou seria sistema) de corrupção do mundo.

Paulo Dias é jornalista, graduado pela UFBA, especializado em Pedagogia e mestre em Cultura e Literatura pela UNEB. Tem passagens por vários jornais e assessorias de comunicação em Alagoinhas e Salvador. Atualmente escreve para o site News Infoco

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *