Negociação frustrada do goleiro Bruno com o Fluminense de Feira abre discussão sobre ressocialização de presos

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A declaração da jornalista Jéssica Senra, apresentadora do Bahia Meio Dia, criticando a possibilidade da contratação do goleiro Bruno pelo Fluminense de Feira foi discutida pela bancada do programa Primeira Mão, nesta quarta-feira,08. O clamor da jornalista viralizou pelas redes sociais, principalmente entre as feministas, e parece que foi ouvido. O negócio não prosperou.

Bruno foi condenado a 22 anos e três meses pelo assassinato e ocultação do corpo de Elíza Samúdio e pelo sequestro e cárcere privado do seu próprio filho com ela. Hoje encontra-se em regime semiaberto. O sistema penal privilegia a progressão de pena tanto para resolver a crise da superlotação nos presídios, quanto para promover a ressocialização e conter a reincidência de crimes. A repórter, no entanto, levantou pontos importantes, que mostram a fragilidade desses princípios. Para ela, a punição é o principal fator psicológico para inibir o crime, que não deve ser interpretada apenas pela aplicação da prisão. A execração pública, segundo Jéssica, deve fazer parte desse alerta dado à sociedade: “não cometa crime, pois as consequências serão danosas para você”.

O preconceito contra criminosos já é muito grande, contra-argumentou Caio Pimenta, comentarista do programa, e questionou se o esforço de ressocialização de presos não seria algo benéfico à própria sociedade, reconhecendo, no entanto, a delicadeza do caso. Para Jéssica, colocar o goleiro Bruno em posição de destaque seria um mau exemplo e um desrespeito a todas as mulheres mortas e agredidas e aos filhos que cresceram sem mãe em decorrência do feminicídio. Ela também considerou que os desportistas são referência para a sociedade, especialmente para a juventude, não podendo ter, em seu meio, alguém que mata cruelmente uma mulher como exemplo de vida. Caio Pimenta pontuou que a reinserção do preso à sociedade, quando bem feito, diminui drasticamente as chances do ex-detento voltar a cometer atos delituosos. Ao não ser dado a oportunidade para o ex-presidiário de se empregar, acaba-se por despejar na sociedade mais um individuo alijado do auto-sustento, vendo, em último caso, na criminalidade uma forma de vingança contra esta mesma sociedade que não lhe deu uma nova oportunidade.

Caio ressaltou que o Brasil não adota nem a pena de morte, nem a prisão perpétua, ou seja, todo condenado, a priori, retornará um dia à sociedade após o fim de sua pena. Para o comentarista há um discrepância entre o que o sistema prisional preconiza e o que pensa a maioria da população. Se por um lado o sistema prisional objetiva a ressocialização do detento, a sociedade, em sua maioria, defende a exclusão do individuo do convívio social. Cabe neste caso fazer uma reflexão sobre o regime de progressão de pena. Será que assassinos cruéis, que agem premeditadamente, mereceriam algum tipo de clemência?

Por Paulo Dias para o News Infoco

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