Associação de estudantes critica fala de Rui sobre venda do Odorico: “Insensível”

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O governador Rui Costa (PT)

A Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador (Ages) criticou a fala do governador Rui Costa (PT), que na manhã desta segunda-feira (27) voltou a defender a venda do Colégio Estadual Odorico Tavares, em entrevista à rádio Metrópole. Para os estudantes, o petista se tornou “insensível”.

“O investimento na educação, ilustríssimo governador, nunca deveria ser considerado prejuízo ou gasto. Quem fecha escola abre presídios”, diz o texto.

Confira a nota na íntegra:

Insensível se tornou o senhor Governador Rui Costa, ex-sindicalista de largo histórico de defesa das causas sociais e dos trabalhadores, vir se prestar o serviço de tentar desqualificar a luta organizada dos estudantes contra suas medidas arbitrárias, sem diálogo. Uma referência contrária à de quem se elegeu sobre o mote de fazer uma gestão participativa e democrática.

O investimento na educação, ilustríssimo governador, nunca deveria ser considerado prejuízo ou gasto. Quem fecha escola abre presídios. A forma de diálogo de seu governo se tornou extremamente equivocada, não obstante, o pronunciamento do seu Secretário da Educação, que recentemente ordenou a polícia para “dialogar presencialmente” com os estudantes ocupantes, e 43 foram estes e não 20 como o senhor tenta diminuir, estudantes da instituição, militantes das entidades estudantis, pais e professores.

Governador, o Col. Est. Odorico Tavares fechou por intervenção sistemática de seu governo. Basta fazer o mapeamento dos colégios da redondeza. O que aparenta, para nós, é que foi adotada a mesma tática da prefeitura de Salvador quando tirou as linhas de ônibus de bairros periféricos para impedir que a população mais carente não pudesse curtir a praia ou os espaços culturas em bairros nobres e assim o senhor faz com o discurso fisiológico cerceando o livre direito da juventude de estudar e circular nestes mesmo bairros. Não dá para acreditar no seu discurso de tentativa de justificar o fechamento da escola para economizar recursos e investir em outras localidades. A exemplo disso, a Escola Parque e seu conjunto de instituições agregadas os “Classes” abandonados sem nenhum tipo de investimento ou infraestrutura para garantir as condições necessárias de funcionamento. Assim se encontram diversas outras instituições, por exemplo, o Colégio Duque de Caxias todos localizados na liberdade. Como o senhor quer falar em “sensibilidade” dos estudantes do Odorico Tavares, que nem tiveram a oportunidade de debater a sua imposição, se o seu governo mesmo não é sensível, nem com as instituições de ensino do bairro que o Sr. cresceu, a Liberdade

Governador, achamos justíssimo o investimento na educação para que os estudantes possa ter aulas de natação, esportes em quadra e laboratórios, porém a nossa realidade da escola pública é outra, afinal nós já temos experiências nesse quesito, basta uma chuva forte e os estudantes saem nadando de suas salas de aula de tanta goteiras e cachoeiras, basta querer praticar esportes que notamos a falta de materiais esportivos, o desestímulo que passam os professores de educação física por não terem as condições mínimas, seja pela falta de material ou por que as quadras (quando existem) estão cheias de buracos, sem marcação ou sem os equipamentos necessários de cada modalidade. Falar dos laboratórios, muito servem apenas de depósito para traças, tranqueiras velhas, bibliotecas funcionam pelo fato, muitas é verdade, da caridade e doação de campanhas organizadas pelos estudantes para ter livros, quando estes mesmo não assumem a responsabilidade de abri-las para garantir que seus colegas consigam ter acesso, por que o seu governo não contrata funcionários o suficiente para cobrir nem a metade da demanda.

Governador, todos os bairros que o senhor citou tem escolas da rede estadual e todas tem problemas inclusive piores que os do colégio estadual Odorico Tavares e de todos os tipos possíveis.

Governador, falar de educação é sensível e independente de onde os estudantes estudem, o movimento Estudantil está organizado para isso, por que lutar pela educação pública de qualidade não é crime!

Crime é não dialogar, mandar a polícia pra reprimir, usar das velhas táticas políticas que já foram derrotadas para tentar impedir que a crítica seja apresentada.

Com esta atitude e declaração, “insensível” se mostra o senhor e seu governo, incapaz de cumprir com suas obrigações e prioridades.

Governador, as aulas estão retornando, e o nosso compromisso é de reivindicar as melhorias necessárias para assegurar uma educação de qualidade, de respeito e dignidade, para os estudantes, professores, funcionários e a sociedade como um todo. Se seu governo passou a usar “Tapa olhos” para os problemas do dia a dia da escola pública, no próximo período o senhor precisará mais que a polícia para conter a onda de manifestações e OCUPAÇÕES em toda a rede denunciando para toda a sociedade como governos autoritários, como o infelizmente o seu se tornou, tratam o futuro do dos estudantes.

Saudações Estudantis,
AGES

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