Rui “corre” para barrar repercussão negativa da venda do Colégio Odorico Tavares

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Foto: Felipe Iruatã/ bahia.ba

O governador Rui Costa (PT) intensificou, na manhã desta segunda-feira (27), a tentativa de conter a repercussão negativa causada pela venda do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado no Corredor da Vitória, um dos metros quadrados mais caros do Nordeste. O caso ganhou dimensões nacionais e gerou críticas de aliados, incluindo petistas.

Em entrevista à rádio Metrópole, também transmitida em vídeo, o petista admitiu que a polêmica tem sido maior do que esperava, reforçou as vantagens de os alunos da periferia estudarem perto de casa e mostrou uma série de fotografias de escolas em bairros periféricos da capital baiana.

Em seguida, foi ao Twitter fazer uma série de comentários sobre o assunto. “O bairro pobre tem que ter escola de qualidade, com piscina, biblioteca, quadra coberta e auditório. Discordo de quem acha que equipamento bom só pode ficar em bairro de rico”, disse Rui. “Salvador praticamente não tem área de convívio social nas áreas periféricas e uma boa escola é referência pra toda comunidade usar. Ela tem que estar aberta com aula de natação, teatro, música, dança…”, acrescentou.

O petista também disse que sua “mãe não dizia pra gente estudar em lugar chique, ela queria escola boa e perto de casa, que não gastasse tanto em transporte”. Rui sempre recorre aos supostos ensinamentos maternos quando quer dar um apelo mais emocional a certas falas e discursos. Outra característica discursiva é relembrar sua infância pobre no bairro da Liberdade.

Em dezembro, o jornal Folha de S.Paulo, ao noticiar o fato, lembrou que o terreno da escola é alvo de forte pressão imobiliária por conta de sua localização privilegiada. Opositores à venda acusam o governo de ceder aos interesses do setor.

Ocupação

Na semana passada, estudantes ocuparam o colégio, mas foram obrigados a sair após um cerco da Polícia Militar, o que fez o governador enfrentar novas críticas e acusações, desta fez de agir de forma autoritária. De acordo com relatos dos ocupantes, policiais impediram a entrada de pessoas e, também, cortaram a energia, a água e a entrada de alimentos para os manifestantes.

No último dia 21, a Assembleia Legislativa da Bahia aprovou o requerimento de urgência para acelerar a tramitação do projeto de Lei n° 23.724/2020 que trata da venda do colégio. A bancada de oposição estava presente, mas, aparentemente, não percebeu que o requerimento havia sido aprovado. Na sessão, criticaram a ação da PM, mas a insatisfação demonstrada por seus respectivos discursos não tem se traduzido em ações contra a matéria.

Em recesso, os parlamentares retornaram em caráter de urgência apenas para votar projetos de interesse do Executivo, incluindo o que trata da venda do terreno do Odorico. Cada parlamentar recebeu R$ 50 mil de “ajuda de custo”. Apenas Hilton Coelho (PSOL) anunciou que devolveria o recurso.

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