Intimidados de forma velada pelo governo do estado, professores baianos pensam em fazer greve após oito anos

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O diretor sindical, Gildo Nogueira, e o coordenador regional, Cassiano Benevides, da Associação dos Professores Licenciados do Estado da Bahia – APLB – divulgaram as notícias da paralisação estadual da categoria dos professores ontem e hoje,19, e falaram sobre a possibilidade de greve no mês de março para o programa Primeira Mão. Seria a primeira, depois da greve de 115 dias, ocorrida em 2012. De lá pra cá, os professores se queixaram muito do governador Rui Costa, de seu descaso e de sua truculência para com os professores, mas também reclamaram muito da conivência da APLB com o mesmo Governo, algo que não foi claramente admitido pelos sindicalistas, na entrevista ao programa. A APLB repudia o fato da reforma da previdência estadual ter sido aprovada como um rolo compressor, mas não se chamou o governador petista de antidemocrático ou de fascista, como se faz com seus opositores. Outra queixa são as demoras de meses até mais de um ano na concessão de aposentadorias.

 A APLB negocia com o governador Rui Costa, além de aumento de salário, o atendimento dos pedidos com base na lei de Gratificação de Estímulo ao Aprimoramento – GEAP, realizados antes da alteração da lei. Revogação das alterações na lei do GEAP, emissão de certificados de novas mudanças de nível, cumprimento da carga horária em uma única unidade escolar, ampliação das horas/aula de 5 para 6 horas nos turnos vespertinos e matutinos e estabelecimento de novas etapas para os cursos de promoção de carreira.

Cassiano Benevides explicou que a desmobilização dos professores se dá por medo de represálias, uma situação gravíssima, já que vivemos em uma democracia. Mas se isso existe, com um sindicato que é acusado sempre de estar ao lado de um patrão que sinaliza com truculência, a tendência de retração da categoria se torna mais que certa, assegurada. O que se ouviu muito em 2014 é que o PT perderia as eleições para governo do estado pelos maus tratos dispensados aos servidores públicos. Não se soube notícia de nenhum movimento de rejeição eleitoral, de fato. Interessante é que os professores não só não fizeram greve como, provavelmente, muitos deles, votaram em Rui Costa. Candidatos apoiados por dirigentes da APLB foram eleitos e estes subiram no palanque e pediram votos para Costa, o algoz. O PT e demais sindicalistas ligados à esquerda fizeram vista grossa para a truculência.  E na eleição desse ano, qual será malabarismo retórico?

O truque de Rui Costa, aplicado nas barbas da APLB, foi ter trocado o reajuste de salário pela progressão de nível. Na realidade deveria fazer as duas coisas. Contudo, como foi feita a elevação de nível do professor nesses últimos 8 anos? De forma bem petista, claro, com cursos on-line, com avaliações igualmente on-line e com quase 100% de aprovação, os incompetentes saíram no lucro e a educação foi para o buraco. Esse é um dos motivos para que o nível no setor de ensino baiano seja tão baixo.

Segundo Benevides, outro problema que desmotiva a mobilização dos professores para a greve é que o volume de trabalho se torna maior no retorno às aulas. Considerando que o sindicato não é visto como confiável, imagina-se os ganhos serão mínimos, não vale a pena o esforço. Com isso, a entidade de classe passa a agir como agente desmotivador do movimento, mesmo que não seja este seu intuito.

Casisano explica essa situação dizendo que a política está em tudo, inclusive na igreja. Nesse ponto, ele está certo, o Papa só recebe, da América Latina, líderes de esquerda em audiência, alguns ditadores, e até Lula, condenado em terceira instância por corrupção, envolvido no maior esquema de desvio de dinheiro público do mundo.

Por Paulo Dias para o News Infoco

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