Roberto Torres promete neutralidade na apreciação do projeto de novo empréstimo para Prefeitura de Alagoinhas

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Uma nota plantada na coluna Tempo Presente do Jornal A Tarde, antes do Carnaval, dava conta de que o presidente da Câmara de Vereadores e pré-candidato à prefeito de Alagoinhas, Roberto Torres, estaria negociando sua participação, na condição de vice-prefeito, na futura chapa do prefeito Joaquim Neto à reeleição. O preço a ser pago seria o empenho para a aprovação de um empréstimo no valor de R$ 15 milhões em favor da Prefeitura, pelo legislativo. O denuncismo resvalava para o campo pessoal, atribuindo ao político vinculação ao Jogo do Bicho e à condição de devedor inadimplente de um empréstimo, deixando margem a se pensar que esse foi tomado na mão de particulares. A mensagem queria pintá-lo como uma espécie de mal pagador ou de pessoa envolvida em transações nebulosas.

Para o programa Primeira Mão, nesta quinta-feira,27, Roberto Torres qualificou o autor dos ataques como mau caráter e se disse muito magoado por sofrer ataques pessoais. Com quatro mandatos como presidente da Câmara de Vereadores e uma vida limpa como ex-funcionário do Baneb e como empresário do setor hoteleiro, ele considera-se aberto a mais injusta crítica política, mas não tolera mentiras e calúnias no campo privado. Porém ele não revelou se vai processar o jornal. Torres suspeita, pela forma de compartilhamento da nota no whatsapp, que fora um forte grupo político ligado a outro pré-candidato de direita que produziu a calúnia, algo sem precedentes na vida pública da cidade. Interessante como a grande imprensa hoje faz um jornalismo tão questionável, em todo o país.

Sobre o empréstimo, ele considerou que as condições atuais são diferentes de um anterior que não contou com sua aprovação para ser levado ao plenário da casa. O presidente alegou que os valores são menores, passou de R$ 35 mi para R$15 mi. Outro ponto, o projeto rejeitado não teve a devida fundamentação técnica e foi reprovado pela Comissão de Orçamento, além de ter sido bastante criticada pela União das Associação dos Moradores de Alagoinhas. Ele afirmou que, no atual processo, vai se manter, a princípio, imparcial, deixando que se siga o trâmite legal.

Os empréstimos geram muita polêmica, porque não tem havido, segundo grande parte dos vereadores, dos líderes políticos e comunitários, transparência quanto a execução das obras. Outro ponto bastante criticado é seu perfil populista, não se destinando a estruturação viária com a finalidade de preparar a cidade para um futuro e desejado crescimento. A visão é imediatista(eleitoreira) e pouco inteligente do ponto de vista urbanístico. Roberto Torres tem que tomar cuidado para que sua neutralidade não seja interpretada como conivência pela população.

A verba a ser acessada no Banco destina-se a obras de pavimentação e drenagem no Barreiro, em Santa Terezinha, no Riacho da Guia e no distrito de Boa União. Pelas localidades, sabe-se que as intervenções terão forte apelo eleitoral. O problema crônico da drenagem do Silva Jardim consumirá R$800 mil do montante.  O Governo Federal já destinou cerca de R$ 2 milhões para a solução definitiva dos alagamentos na região, em outra administração municipal, mas a utilização desses recursos apresentou irregularidades, segundo relatório da Controladoria Geral da União- CGU, que deu a obra como inconclusa, embora todo o recurso disponível tenha sido utilizado. Parecer que indica claramente ineficácia por má gestão ou até por uso impróprio de recursos.

Na próxima semana, dia 03, haverá uma Audiência Pública quando os detalhes do empréstimo como parcelamento, juros e destinação serão melhor conhecidos. O projeto já está em tramitação nas comissões de Constituição e Justiça e de Orçamento. O próprio Roberto Torres já vislumbra um parecer final para março e disse uma frase que mostrou certa simpatia ao acesso ao crédito: “se eu fosse prefeito também gostaria de contar com um empréstimo”.

O comentarista José Gomes questionou o fato do recurso chegar no início do inverno. Contando com o processo de licitação, este só seria empregado no final de agosto, deixando as obras inacabadas nos final da gestão. O comentarista Caio Pimenta perguntou se o acolhimento de uma operação de crédito em si não comprometeria sua popularidade e sua eventual candidatura a prefeito. Roberto Torres continuou afirmando que, independente de qualquer situação, sua postura será de neutralidade e que só poderá criticar o conteúdo da proposta depois de obter mais dados da pretendida operação.

Por Paulo Dias para o News Infoco

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