Com lockdown, Bahia pretende combater crise na saúde com crise econômico-social – Por Caio Pimenta

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A Bahia foi pega de surpresa no dia de hoje(25) com o anúncio do governador do estado, Rui Costa, de que haverá lockdown na Bahia a partir das 17 horas de amanhã(26) até as 5h da segunda-feira(29). A medida é um sinal de que o toque de recolher não surtiu efeito. Porém, ao invés de se fazer uma revisão das posturas até aqui adotadas, o governo insiste na fórmula, aumentado, inclusive, a sua dose.

O governo Rui Costa demonstra desespero. Nitidamente não houve planejamento e os investimentos necessários no período de aparente controle da covid-19, principalmente no que tange a criação de novos leitos de UTI. Agora, impõe ao comércio baiano, já combalido diante dos ataques sofridos durante todo o ano de 2020, um novo golpe.

É uma atitude tão insana, quanto desesperadora. Se o objetivo do governo é evitar as aglomerações durante o fim de semana, a primeira consequência desta medida vai ser o aumento da procura das pessoas as chamados serviços não-essenciais nas horas que antecedem o lockdown. No retorno, na próxima segunda-feira, uma nova onda de aglomerações. O motivo é obvio: haverá represamento de demanda das pessoas. Nós já vimos esse filme antes.

Uma outra questão, e aí a mais grave, é relacionada aos prejuízos à economia baiana. Se durante o anuncio do toque de recolher, empresários colocaram um freio nas novas contratações planejadas para o inicio de março, agora com o lockdown podem haver ondas de demissões. Pior, o cenário de desconfiança pode desmotivar o empresariado a fazer novos investimentos, em querer empregar mais, já que a todo o momento o governo do estado recorre a este tipo de expediente.

A insensibilidade do governo Rui Costa com a classe empreendedora e a onda de desempregados que se forma toda vez que tais atitudes são tomadas chega a chocar. Para tentar resolver uma crise de saúde, o governo reforça uma crise econômico-social que assusta a todos os brasileiros, sobretudo os mais pobres.

Enquanto isso, investimentos na criação de novos leitos de UTI são marginalizados.

Realmente só podemos chegar a conclusão de que o povo está refém, nem tanto da covid-19, mas, principalmente, dos nossos governantes.

Escrito por Caio Pimenta, bacharel em Direito, radialista, apresentador do Programa Primeira Mão da rádio Ouro Negro FM 100,5 FM e rádio 2 de Julho. Ele também é editor-chefe do site News Infoco

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