“Eu tenho um sonho que é despertar a sociedade para o resgate da educação”, diz o pré-candidato a deputado estadual Evilásio Muniz

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Continuamos com a série de entrevistas com os pré-candidatos a deputado estadual com reduto eleitoral em Alagoinhas. Hoje é a vez do petebista Evilasio Muniz.

Esta entrevista foi complicada, viu. Marcamos, remarcamos e na sexta-feira, no último dia, resolvemos nos encontrar na barraca do beiju, próximo ao espelho d’água na praça Rui Barbosa. Olhamos em volta para ver um local tranquilo e sentamos ao lado da estatua de Rui Barbosa, ficamos ali os três dividindo o banco. Rui não deu opinião, já falou demais e escreveu muito(risos). Ouvi Evilásio Muniz, pré-candidato a deputado Estadual pelo PTB discorrer sobre como enxergava a realidade social e política do município e sobre suas propostas com ênfase na educação, na agricultura e na empregabilidade. Uma maneira muito orgânica de enxergar nossos problemas tão visíveis e com um falar que segue a tradição popular sem deixar de ser uma discursividade sensível e sofisticada, dentro da sua simplicidade. Para mim, era como ouvir o povo falando de suas dores, muito interessante, confira:

News Infoco; Se alguém quiser aber quem é Evilásio Muniz, o que dizer para satisfazer essa suposta curiosidade?

Evilásio Muniz: Evilásio é uma pessoa que nasceu de uma família humilde, um pai que era deficiente visual e que me criou até os 13 anos. Ele faleceu e nos deixou, ficamos com uma mãe analfabeta e mais dois irmão, um deles deficiente mental, criança, do Miguel Velho, uma zona rural que hoje é um bairro. Nasci aqui mesmo na maternidade de Alagoinhas há 48 anos, tenho um filho de 21 anos., uma filha de 11 anos e uma netinha Ayla Sofia que está com seis meses de idade. Sempre trabalhei, não teve bobagem, trabalhei na roça, trabalhei bastante na cidade como ajudante de padaria, de cozinha, carreguei feira na época da feira livre da JJ Seabra em direção a Feira do Pau. Fui guia do meu pai, cheguei a andar com ele na capital baiana, pegávamos o trem, o pirulito, ia até a capital na Estação da Calçada. Meu pai vivia de auxílio, a popular esmola, meu pai pedia para sobreviver. Naquela época todo mundo vivia com muito pouco, era meio salário mínimo, o salário mínimo veio de Collor pra cá. Nunca se entregou, fez de tudo para sustentar a família, quando enxergava, era pedreiro, responsável por construções importantes na cidade. Depois conseguiu o auxílio do governo, passamos muitas dificuldades, mas sempre focado na honestidade. Estudamos pouco, tive que trabalhar para ajudar minha mãe e meus irmãos. Dali eu fui conhecendo a cidade, fui pegando conhecimento com as pessoas da cidade. Fui me tornando esse Evilásio que você conhece hoje, que todo mundo que passa, todo mundo conhece…

News Infoco: O envolvimento com a política, com a rádio e com a fotografia vieram ao mesmo tempo?

Evilásio Muniz: A política começou até primeiro com os movimentos de jovens na Igreja, a rádio vaio depois há 22 anos e antes me tornei fotógrafo, hoje já tem pai de família que eu fotografei criança, são 27 anos de profissão, atualmente resolví parar devido à popularização da fotografia com os celulares. Se bem que o que as pessoas produzem são arquivos digitais, fotografia pra mim é aquela que a gente vê no papel. Com o padre alemão de nome Luiz, começava-se os movimentos beneficente com as comunidades. Fui tomando gosto com aquilo ali, lendo o material de um projeto “Juntos somos irmãos”, que tirou muita gente que morava em casa de taipa e passou a morar em casa de construção, trabalhamos aqui, mas saímos em Kombis para ajudar em Teodoro Sampaio, Terra Nova. Realizamos também construção de igrejas, centros comunitários. Fui tomando gosto pela vida comunitária, ajudar as pessoas, ser ajudado…

News Infoco: Mas qual foi o ponto de virada para sair de uma situação difícil para adquirir um tranquilidade financeira e o reconhecimento profissional…

Evilásio Muniz: Ainda não adquiri essa tranquilidade financeira toda, não, mas o reconhecimento profissional e moral nós temos. Comecei como ouvinte dos programas de rádio dando meus pitacos, minha ideias e minhas opiniões, e cobranças, também sempre gostei de cobrar… na rádio AM1240, com vários comunicadores, depois veio aquela  rádio, Catuense FM, através de Antonio Pena. A Alagoinhas FM através de Carneirinho. Alí algumas pessoas foram dando a ideia de eu ir para o rádio até que cheguei para Antonio Pena e pedi um espaço. Passei também um tempo na rádio comunitária Mundial FM, fomos desenvolvendo, participando da vida da cidade. Hoje estou na Boa FM, 95.7, com programa Show do Munis, de 3 às 6 da manhã.

News Infoco: E seu envolvimento com a política veio como consequência dessa vivência com a comunicação… ela aguçou sua percepção da realidade social?

Evilásio Muniz: Sim claro, muito. É porque alguém para ser um gestor tem que ter vivência com o dia a dia da cidade, ele tem que visitar um bairro, ele tem que visitar um zona rural, ele tem que entrar no centro, ele tem que entrar na central de abastecimento, ele tem que conhecer uma escola, um colégio por dentro e por fora, como funciona como está, como está o sistema de transporte da cidade… Por que é que não anda, se o povo está sofrendo? Isso tudo voga para um gestor e por um outro lado, ele tem que também conhecer o lado empresarial, se fala: ah… empresário.. mas se não for o empresário não tem emprego. Agora sem dúvida tem que haver a fiscalização das leis trabalhistas. Porque tem quem questione… privilegiar o rico, você sempre vai trabalhar para alguém que tem uma condição social melhor do que a sua, isso é fato. Somos pobres, mas temos que ser ricos em conhecimento, entender a vida como um todo, em todas as etapas, em todas as situações da vida.

News Infoco: A gente vinha com a cidade nos anos 80, 90, com uma certa decadência e depois houve um desenvolvimento a partir dos anos 2000, claro que tivemos as cervejarias, mas não podemos entender que, no passado, o país atravessou duras crises econômicas e que depois a economia mundial melhorou até 2008, como você enxerga isso?

Evilásio Muniz: Em tudo isso eu também observo a vinda da internet. Os países começaram a se interconectar mais rapidamente, antigamente tinham os navios, as estradas, o avião. Então começou o crescimento devido a essa globalização que só foi possível com a internet. E hoje com pandemia, guerra, depois da crise de 2008, o desenvolvimento entrou em rítimo lento. Eu passei por alguns governos como voluntário, vi o desenvolvimento e vi também o seu desmoronar, quando desmoronou moralmente que é o pior de tudo. Nós estamos em um país que cresceu, não podemos negar, mas hoje por conta da corrupção, ele acabou se dividindo. Eu acho que foi feito um bem que não foi administrado, como o Minha Casa, Minha Vida, hoje quem manda lá é uma organização que dita quem entra e quem sai. Hoje se fala que 400 delegados da Bahia ameaçam se retirar de seus cargos e cheguei a cobrar em rádio a responsabilidade dos deputados estaduais e federais do lado contra e do a favor. Se você tem uma boa ideia para sua cidade, para seu estado, para seu país, você tem que ser ouvido. Eu como pré-candidato a deputado Estadual acho que essas lideranças têm que interferir, porque o governo perdeu o controle, o equilíbrio sobre a segurança.

News Infoco: Todos querem emprego e renda mas todos sabem que isso depende de um bom sistema de educação para que se torne realidade. Isso lhe preocupa?

Evilásio Muniz: A educação tem que ser levada a sério. Hoje temos um número de alunos muito grande sem atenção na questão de cursos para que essas crianças e adolescente não fiquem atrasadas. Se você for olhar um adolescente na idade de 15 a 16 anos… ele vai estar muito distante da formação apresentada nos países desenvolvidos. Se você for fazer um teste aqui na rua, você vai ver que eles não vão passar em um simples teste de matemática, porque eles são passados de ano, mas eles não aprenderam, a intenção dos governos hoje é aprovar e não ensinar. Hoje com a internet muita coisa pode mudar. E como inserir esse jovem despreparado no sistema eleitoral, é até um crime. Eles nada sabem sobre a politica, sobre administração nenhuma, não sabe quantos vereadores têm na cidade dele, não sabe o nome de um secretário e no dia da eleição, ele pega um título e vai votar, não conhecem seus direitos e seus deveres, mas ele vota. Então para qualquer dos governos ele é um perigo. O problema não é a idade, mas a falta de conhecimento do que ele está fazendo. Até na área de esporte e de lazer, nós estamos carentes, mas eles não conhecem os projetos dos candidatos para essas áreas, imagine para outras.

News Infoco: Qual a sua avaliação desses 16 anos de PT e da esquerda consequentemente no governo do Estado?

Evilásio Muniz: Como pré-candidato tenho que avaliar com consciência, eu não posso deixar de mencionar o que ele fez, nem deixar de criticar o que ele não fez. Não quero ser leviano com ninguém, o governo tem as suas qualidades. Acho que ele, em termos de obras estruturantes dentro da capital baiana, um excelente governador. Ele botou o metrô para funcionar, ele fez muito. Mas no interior… em Alagoinhas, é bater na tecla demais, chega a ser enjoado, o Dantas Bião, tem o anexo a inaugurar, mas não é para o povo, porque se fosse, eles já teriam feito há muitos anos atrás. A unidade tem sofrido por todo esse período, foram tantas as falhas que ficaram escondidos os acertos. Sempre teve uma boa equipe, mas tiveram que colocar funcionários terceirizados. E olhe que o partido dos trabalhadores criticou muito a terceirização, eu concordo desde de que haja real necessidade. Se você terceirizou e funcionou, ótimo, mas não é isso que vemos acontecer. Agora vemos que a empresa que venceu alicitação já está com problema na justiça. O Governo vai assumir pela incapacidade de chamar a segunda empresa, já que o processo todo foi judicializado. Enquanto isso o povo segue sofrendo. A propaganda é tamanho G e a gestão é tamanho P.

News Infoco: Em um eventual mandato como deputado Estadual, o  que você pretende defender, o que você elege como prioridade?

Evilásio Muniz: Em primeiro lugar, nós temos que lutar para recuperar a autoestima do povo. Estou me candidatando hoje porque estou insatisfeito com a atuação dos políticos que foram eleitos aos quais eu ajudei. Todos os partidos aí, eu já participei, porque eu participo da vida ativa da cidade, participei da campanha de todos os lados, ajudei muito de forma livre, não tenho o nome sujo. Eu tenho um sonho que é despertar a sociedade para o resgate da educação, para que os jovens venham realmente crescer e não irem para a escola por conta da merenda. A criança não pode ir para a escola porque ela vai comer. Você vê tudo que estas pessoas que estão fazendo aqui na praça depende do que eles comeram pela manhã, depende da agricultura. Falam de agricultura familiar, tudo conversa para boi dormir. Vá lá na roça, o pai de família, a mãe de família está lá lutando sozinho sem apoio para desenvolver. Se eles aumentam sua produção, os alimentos vão baratear aqui na central de abastecimento. Você vai ter um poder de compra maior e assim sucessivamente, o supermercado também vai ter que baixar seus preços. E temos que lutar pela questão do emprego, o menino hoje está preparado, tem currículo, tem curso?

News Infoco; Você vai competir com pessoas que têm muito mais recurso que você, como pensa em superar essa situação desigual?

Evilásio Muniz: Essa é a parte difícil para qualquer pré-candidato. Sou filiado ao PTB e todos os partidos têm direito à verba partidária, não sei o volume de recursos que terei. Vamos estar dialogando com o pré-candidato a governador, Jean Prattes, ele que é muito ligado a Roberto Jefferson, ao presidente Bolsonaro, somos um partido com mais de 70 anos, um partido histórico, um partido de lutas. Hoje, ele está junto com Bolsonaro.

News Infoco: E como você compara o governo de Bolsonaro com outros governos, especialmente os petistas?

Evilásio Muniz: É simplesmente comparar joio com trigo, não tem jeito. O Partido dos Trabalhadores teve muito dinheiro nas mãos, mas só vimos destruição, do BNDES, da PETROBRAS, destruição dos valores da família. Nós respeitamos a orientação sexual das pessoas, mas temos que entender que um homem não amamenta e não gera filhos. O PT não respeita isso, ele incentiva aquilo que as famílias não querem, um partido a favor da legalização da maconha, que incentiva o casamento homossexual, não sou contra o gay ou a lésbica, mas isso vai de encontro a DEUS e ao que prega a Bíblia. Vivemos em um país democrático que temos que respeitar as escolhas de cada um, eu respeito isso, mas não acho correto incentivar como tem sido feito. E você sabe que a turma do PT incentiva, é uma turma anticristã.

Por Paulo Dias para o News Infoco