Ao negar sua vice a José Ronaldo, ACM Neto paga com traição a quem sempre lhe deu a mão – Por Caio Pimenta

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Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto (ACM Neto) e José Ronaldo de Carvalho

Certa vez disse o já falecido politico brasileiro, Leonel Brizola, “a politica é a arte de engolir sapos”. E parece que “engolir sapos” passou a ser a rotina de José Ronaldo, ex-prefeito feirense, no grupo politico liderado pelo ACM Neto.

Não é de hoje que Zé Ronaldo tem servido de “pau para toda obra” ao herdeiro do carlismo na Bahia. Ainda está viva na memória dos baianos o ocorrido nas eleições de 2018, quando ACM Neto, para não perder o controle da prefeitura de Salvador, não quis renunciar o mandato de prefeito para disputar o governo do estado. O posto que ele covardemente declinou, empurrou à José Ronaldo, prefeito reeleito que nem ele 2 anos antes, detentor de mandato de prefeito que nem ele, mas com a diferença de não ser “o chefe”. Alijado do controle do segundo maior colégio eleitoral da Bahia, por lealdade ao grupo de Neto, Zé Ronaldo assumiu uma candidatura já dada como perdida.

Assumiu ainda o compromisso de Neto firmado com o PSDB nacional ao dar palanque ao impopular Geraldo Alckmin. Com a onda Bolsonaro que dominou aquela eleição ao ponto de alçar ao comando de estados chaves da nação figuras desconhecidas da politica nacional(Zema em Minas e Witzel no Rio são dois exemplos), aqui na Bahia quando Zé Ronaldo decidiu declarar apoio ao atual presidente, foi desautorizado publicamente por ACM Neto a tomar tal atitude. Engoliu a humilhação a seco, perdeu no 1º turno e recolheu-se a sua Feira de Santana.

Dois anos após, quando Colbert Martins se viu em apuros para conseguir a reeleição, foi José Ronaldo que salvou o grupo de ACM Neto da perda do controle da segunda maior cidade do estado. Inegavelmente o apoio de José Ronaldo a Colbert tirou do PT a oportunidade de governar Feira de Santana. Mais uma vez estava lá José Ronaldo para salvar o grupo de ACM Neto de tamanho revés.

Agora, quando esperava-se uma retribuição a altura dos sacrifícios políticos pretéritos de José Ronaldo para preservação da tranquilidade de ACM Neto, o secretário geral do União Brasil entrega a vaga ao senado na sua chapa para Cacá Leão, que patina nas pesquisas(lembrando que José Ronaldo chega a empatar com Otto no 1º lugar) e escolhe para vice Ana Coelho, executiva da TV Aratu, que tem como maiores feitos políticos ser sobrinha do prefeito de Guanambi, o ex-governador do estado, Nilo Coelho, e ser esposa do deputado estadual Tiago Correa.

Tal qual a música imortalizada pela saudosa Beth Carvalho, ACM Neto “pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”.

As feridas estão expostas, embora ainda seja muito cedo para determinar o impacto eleitoral desta atitude tomada por ACM Neto. Mas cá para nós amigo leitor, esquecendo um pouco as questões eleitorais de lado, decência, caráter e gratidão deveriam ser atributos inegociáveis, até na politica, não é mesmo?

Escrito por Caio Pimenta, advogado, âncora do programa Primeira Mão, da radio Ouro Negro 100,5 FM. Ele também escreve sua coluna no site News Infoco, do qual é editor- chefe e dirige a radio web 2 de julho.