Na sessão realizada nesta terça-feira (25), o vereador Thor de Ninha fez um pronunciamento enfático sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o momento não deve ser encarado com celebração, mas como parte de um processo necessário de responsabilização.
“Não há felicidade nenhuma quando qualquer cidadão ou qualquer cidadã é preso neste país. A prisão do ex-presidente Bolsonaro não é motivo de alegria para ninguém, mas há uma necessidade de se fazer justiça”, declarou.
O vereador reconstruiu, em seu pronunciamento, uma linha do tempo política que, segundo ele, ajuda a compreender a atual conjuntura. Relembrou as manifestações de 2013, marcadas pelo movimento Vem Pra Rua, que, segundo Thor, foi impulsionado por interesses que ultrapassavam o discurso anticorrupção e, naquele momento, contribuíram para fortalecer uma narrativa contrária à presidenta Dilma Rousseff. “Em 2013, a luta era pelo combate à corrupção, por um momento diferente da política brasileira, mas era também claramente contra a presidenta Dilma”, afirmou.
Thor destacou que o cenário se acirrou nas eleições de 2014, quando o então candidato Aécio Neves trouxe, em suas palavras, “a pior das campanhas políticas”, centrada em pautas de costumes. Para o vereador, essa estratégia, somada ao clima construído desde as manifestações, dividiu o país e abriu caminho para o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016, episódio que classificou como “o ano do golpe”. Ele criticou também o governo Michel Temer, que, segundo Thor, assumiu esperando se consolidar como candidato em 2018, mas não conseguiu protagonizar a sucessão.
Em sua argumentação, o vereador afirmou que, com a fragilidade da direita em apresentar um nome competitivo naquele momento, surgiu a figura de Jair Bolsonaro, apresentada, por ele, como resultado de uma ruptura democrática. Thor o descreveu como um político sem projeto nacional, propagador de discursos racistas e defensor da ditadura militar. “Surge no país um nome declaradamente preconceituoso, racista, a favor dos ditadores. Citou inúmeras vezes o Carlos Brilhante Ustra, um dos maiores torturadores da ditadura”, destacou.
Justiça
Ao abordar a pandemia de Covid-19, Thor criticou duramente a condução do governo Bolsonaro, afirmando que o presidente negou a ciência e contribuiu para a morte de centenas de milhares de brasileiros. “Setecentas mil pessoas morreram aqui no Brasil. A maioria poderia não ter sobrevivido”, disse. Ele também mencionou ataques à imprensa, tentativas de intimidação institucional e episódios que classificou como ameaças autoritárias.
O vereador relembrou ainda a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, que, segundo ele, ocorreu para impedir sua participação no processo eleitoral daquele ano. Destacou que Lula perdeu familiares enquanto estava preso e recusou o uso de tornozeleira eletrônica por considerar injustas as acusações: “Lula foi e continua sendo grande um guerreiro”.
Ao chegar aos eventos de 2023, Thor comentou o acampamento em frente a quartéis e o ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro, indicando sua percepção de que Bolsonaro e aliados teriam articulado ações antidemocráticas após a derrota eleitoral. “Invadiram o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, os poderes da República, com a intenção de que o Exército tomasse o comando do Brasil”, disse.
Na sequência, citou investigações sobre um suposto plano para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, apontando que diversos colaboradores teriam entregues provas e delações. Ele concluiu sua explanação afirmando que a prisão de Bolsonaro, oficializada em 2025, ocorre após amplo direito de defesa. “O ex-presidente cometeu crimes e não pode passar impune. Não pode mais acontecer anistia como antes. Isso é um recado para a sociedade: o crime não compensa”, sustentou.
O vereador encerrou defendendo a preservação da democracia e a responsabilidade penal para quem atentar contra o Estado Democrático de Direito. “Viva a justiça brasileira. Prisão para Jair Messias Bolsonaro porque foi um criminoso”, finalizou.
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Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz


























