A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) vai conceder, in memoriam, a Comenda 2 de Julho a Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. Ele morreu na Papuda em novembro de 2023 enquanto cumpria pena por participação na tentativa de golpe de Estado no dia 8 de janeiro daquele ano. A homenagem, proposta pelo deputado estadual Diego Castro (PL), será realizada no dia 9 de abril, quinta-feira, às 15h, no plenário da Casa.
O parlamentar baiano convidou para a solenidade nomes conhecidos da direita nacional, entre eles os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e Capitão Alden (PL-BA), além da médica Raissa Soares, pré-candidata a deputada federal pelo PL.
Prisão de Clezão
Clezão foi preso no dia 9 de janeiro de 2023 acusado de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado após participação nos atos de tentativa de golpe no dia anterior, 8 de janeiro.
“Em 8 de janeiro de 2023, após um dia inteiro de trabalho, fechou sua loja às 16h e foi exercer o direito constitucional de se manifestar pacificamente em Brasília. Foi preso injustamente, sem ter cometido qualquer crime. Durante os mais de 10 meses em que permaneceu detido na Papuda, enfrentou uma série de violações de direitos humanos”, afirmou o proponente da honraria Diego Castro.
De acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), Clezão foi responsável pela destruição de uma viatura da Câmara dos Deputados, além de ter ateado fogo no salão verde da Casa.
Ele morreu no dia 20 de novembro de 2023, aos 46 anos de idade, na Penitenciária da Papuda, em Brasília, vítima de mal súbito durante banho de sol. Ele deixou esposa e duas filhas.
De acordo com Diego, Clezão não teve o atendimento adequado na prisão. “Os remédios levados pela família chegavam com atrasos de até 40 dias, e ele ficou sem atendimento médico especializado. Em setembro de 2023, a Procuradoria-Geral da República solicitou sua soltura; porém, o ministro [do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes não despachou o pleito por cerca de dois meses e, no dia 20 de novembro de 2023, durante o banho de sol, Clezão sofreu uma sequência de mais de 15 paradas cardíacas”, disse.
Para Diego, o caso “revela uma negligência das autoridades judiciais em sua forma mais cruel no que tange aos presos em razão do 8 de janeiro, afora as questões jurídicas e processuais: a falta de acompanhamento médico adequado, a demora em seus processos e a ausência de um devido tratamento digno para um ser humano, que deveria ser respeitado em sua dignidade, independentemente das acusações que recaíam sobre ele”.
Quem era Clezão
Nascido em Ramalho, distrito de Feira da Mata, no Oeste baiano, Clezão construiu a vida no Distrito Federal. Empreendedor, mantinha um comércio na Colônia Agrícola 26 de Setembro, em Vicente Pires. Segundo Diego Castro, ele conciliava a rotina de trabalho “com a luta por melhorias para sua comunidade e pelo Brasil”.
“Cleriston Pereira da Cunha faleceu dentro da prisão, vítima da negligência do Estado e da injustiça de um sistema que ignorou seu direito à vida e à liberdade, mas seu nome e sua luta permanecerão na memória dos que acreditam em um Brasil livre e justo”, concluiu Diego Castro.




























