O voto feminino, que completou ontem 94 anos de sua instituição legal, foi um dos principais temas debatidos na sessão ordinária desta terça-feira (24) da Cãmara Municipal, com discursos que reafirmaram a necessidade de ampliação dos espaços das mulheres na política, o combate à violência de gênero e a urgência de políticas públicas de cuidado e proteção às mulheres.

A vereadora Jaldice Nunes iniciou os pronunciamentos lamentando que, mesmo após quase um século de direito ao voto, as mulheres ainda enfrentam dificuldades básicas para serem ouvidas no Parlamento. Ao saudar a família da vereadora Luma Menezes, presente no plenário, Jaldice pontuou o desrespeito dos colegas durante as falas femininas.

“Hoje, completando 94 anos do voto feminino, ainda temos que derramar lágrimas para ter o espaço respeitado nesta Casa”, desabafou Jaldice, que também destacou conquistas simbólicas recentes, como a instalação de um sanitário feminino próprio na Casa Legislativa. Ela convocou as mulheres a “acordarem” para a política, lembrando que, embora sejam 52% do eleitorado, ocupam apenas 20% das cadeiras parlamentares.

Em sequência, a vereadora Juci Cardoso conectou a luta histórica às pautas de reparação e combate ao machismo institucional. Juci celebrou a emenda coletiva para a garantia da capoeira nas escolas (Lei 10.639), mas subiu o tom ao questionar o tratamento diferenciado dado às mulheres na política.

“Por que o meu tom de voz incomoda? Por que minha voz grave significa que eu não tenho habilidade para relacionamento?”, questionou Juci. A parlamentar criticou o “silenciamento” imposto a mulheres por figuras do Executivo e alertou para a naturalização da violência, citando casos brutais de feminicídio e abusos. Segundo ela, a ocupação de espaços pelas mulheres não é para tomar o lugar dos homens, mas para garantir um direito constitucional e democrático.

A vereadora Luma Menezes corroborou as falas das colegas, apresentando uma perspectiva de renovação e resiliência. Luma relembrou que a presença feminina na Câmara resultou em avanços práticos, como a lei de distribuição de absorventes e a legislação de combate ao assédio moral no município.

A parlamentar dirigiu-se diretamente a Jaldice em um momento de solidariedade: “Suas lágrimas são naturais. Demonstrar vulnerabilidade é um ato de coragem”. Ela também criticou a falta de posicionamento da gestão municipal diante de casos de violência cometidos por membros do alto escalão. “Do que adianta levantar uma campanha de feminicídio zero e se silenciar diante das violências cometidas por integrantes da própria gestão?”, questionou.

O vereador José Edésio também registrou a importância da data, atribuindo a conquista ao período de Getúlio Vargas. Contudo, Edésio divergiu sobre a natureza dos conflitos no plenário, argumentando que a falta de respeito muitas vezes advém de questões de “berço” e falta de cortesia parlamentar generalizada, e não necessariamente de uma discriminação direcionada apenas às mulheres.

Encerrando as reflexões sobre o tema, o vereador Thor de Ninha destacou a importância da educação no combate à misoginia. Ele citou a recente Jornada Pedagógica e a palestra da professora Gina (UnB), reforçando que a escola deve ser o berço da formação de jovens que não reproduzam práticas machistas ou racistas.

Reunião

Além da pauta de gênero, Thor de Ninha informou sobre a reunião com o prefeito Gustavo Carmo e representantes do SINPA para tratar da implementação do piso salarial dos auxiliares de classe.

O governo municipal, de acordo com o parlamentar, se comprometeu em realizar estudos de viabilidade orçamentária, com uma nova reunião marcada para  quinta-feira, visando dar celeridade ao projeto.

Para assistir a sessão na íntegra, clique no link: TV Câmara Alagoinhas

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz