O processo eleitoral para a presidência do Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos, Vestuários e Armarinhos de Salvador (SINDTAV) tornou-se alvo de investigação policial após denúncia de suposta fraude.
A acusação partiu do ex-presidente da entidade, Antoine Tawil, que prestou depoimento nesta terça-feira (2) na 16ª Delegacia Territorial.
No depoimento, Tawil apontou o envolvimento de três funcionárias do gabinete da presidência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio-BA) na alegada fraude.
Ele também contestou publicamente a versão apresentada pela própria Federação e pelo atual presidente do SINDTAV, José Loyola de Andrade Neto.
Na ocasião, a Fecomércio-BA afirmou que “as atas apresentadas pelo Sindtav foram registradas em cartório, razão pela qual presumem-se verdadeiras e válidas, convindo assinalar que o edital referente a tal eleição foi devidamente publicado em jornal de grande circulação e em mural no dia 27 de setembro de 2021”.
Tawil rebateu a argumentação e declarou que tomou conhecimento, pela imprensa, de que teria havido eleição em dezembro de 2021 – fato que, segundo ele, “não ocorreu”.
As declarações do ex-presidente colocam em dúvida a existência de ata válida e de um processo eleitoral legítimo.
À polícia, ele afirmou que a mesa eleitoral teria sido formada pelas funcionárias Jacqueline da Silva Dória (secretária da presidência), que teria presidido a votação; Cláudia Andrade Moura (secretária da diretoria); e Marta Lima Lobo (secretária do superintendente Nelson Dahia Filho).
Fecomércio se posiciona e afasta representante do SINDTAV
Após solicitação feita pelo bahia.ba, a Fercomércio anunciou, em nota enviada nesta quinta-feira (3) ao portal, que o representante do SINDTAV será afastado provisoriamente pelo prazo de 90 (noventa) dias dos cargos de Diretor da Federação e de Delegado no Conselho de Representantes.
“A decisão foi tomada em caráter estritamente institucional e o referido afastamento temporário permitirá ao Diretor exercer seu direito de defesa para debelar, com tranquilidade, as acusações que geraram repercussões não relacionadas com suas funções e contribuições para com a Federação, prestando, inclusive, os esclarecimentos que entender necessários perante as autoridades competentes”, complementa o comunicado.
A entidade acrescentou ainda que a presente questão será encaminhada, oportunamente, “para conhecimento do Conselho de Representantes e da Diretoria, em observância ao compromisso permanente com a transparência e a lisura que sempre nortearam os atos da atual gestão”.
Caso de polícia
Em novembro de 2025, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso, após notícia-crime que citava as três funcionárias da Fecomércio-BA. As investigações iniciais identificaram indícios de que a ata datada de 7 de dezembro de 2021 poderia ter sido montada de forma fraudulenta.
Segundo o inquérito, duas empresas listadas como votantes na suposta eleição só foram oficialmente constituídas posteriormente, em 2022 e 2023. São elas:
— Ecoloy Soluções para Resíduos Têxteis Inova Simples, criada em 10/03/2022;
— Dumar Soluções, Tecnologia e Inovação Ltda., constituída em 27/10/2023.
Riscos de responsabilização criminal
Caso a fraude seja comprovada, as condutas podem configurar três crimes:
— Falsidade ideológica (art. 299), pena de 1 a 3 anos;
— Uso de documento falso (art. 304), pena de 1 a 3 anos;
— Associação criminosa (art. 288), pena de 1 a 3 anos.
A soma das penas pode chegar a 9 anos de reclusão. A confirmação dos fatos representaria grave violação à fé pública e comprometeria a lisura do processo eleitoral sindical, o que reforça a necessidade de apuração rigorosa por parte das autoridades.



























