A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que os dados recentes sobre violência de gênero no Brasil acendem um alerta no momento em que o país marca o Mês da Mulher. Segundo a parlamentar, levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somados a casos recentes divulgados pela imprensa, mostram que o problema permanece grave apesar de avanços institucionais.

“Na mesma semana em que o Brasil se choca com uma adolescente estuprada por quatro homens, numa emboscada que deixou a população horrorizada, os dados confirmam tudo o que estamos vivenciando e o quanto é urgente mudar essa sociedade machista e perversa com as mulheres”, afirmou.

De acordo com a vereadora, o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado no país. O total representa uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero.

Violência sexual

No campo da violência sexual, Marta também destacou a dimensão do problema. “O Brasil registra mais de 80 mil casos de estupro por ano, o equivalente a centenas de ocorrências diárias, sendo a maioria das vítimas meninas e adolescentes. Esses casos precisam provocar não apenas dor, mas uma indignação permanente na sociedade”, disse.

A vereadora também chamou atenção para situações de violência que muitas vezes só são identificadas por meio da atuação de escolas e redes de proteção. Ela citou o caso recente de uma menina de 12 anos que vinha sendo abusada por um homem com mais de 30 anos, situação descoberta após a equipe pedagógica de uma escola notar a evasão escolar da estudante e acionar o Conselho Tutelar.

“Esse episódio mostra como a educação também é parte fundamental da rede de proteção. Muitas violências começam dentro do ambiente familiar e só são percebidas quando aparecem sinais na escola, como ausências frequentes ou mudanças de comportamento”, destacou.

Para Marta, o caso reforça a necessidade de fortalecer equipes multidisciplinares nas escolas, com pedagogos, psicólogos e assistentes sociais preparados para identificar sinais de violência e acionar os órgãos responsáveis.

Avanços conquistados

Apesar do cenário preocupante, a parlamentar afirmou que também é preciso reconhecer avanços conquistados ao longo das últimas décadas. “Cada avanço foi fruto de mobilização. Março não pode ser apenas um mês simbólico, e essa luta não pode ser lembrada apenas neste período”, disse.

Ela citou marcos importantes da legislação brasileira, como o direito ao voto feminino, conquistado em 1932, além de leis como a Maria da Penha e a que tipificou o feminicídio, bem como a recriação do Ministério das Mulheres e políticas públicas voltadas à proteção e ao acolhimento das vítimas.

Segundo Marta, o aumento no número de denúncias também pode indicar que mais mulheres estão rompendo o silêncio e buscando apoio institucional. “Isso mostra que políticas públicas começam a criar redes de proteção, mas não significa que o problema esteja resolvido. Pelo contrário, revela o tamanho do desafio que ainda precisamos enfrentar”, afirmou.

A vereadora também ressaltou que a violência de gênero afeta de forma mais intensa determinados grupos sociais. “O machismo mata, abusa, assedia e humilha, e sabemos que ele atinge com mais força as mulheres negras, que estão entre as principais vítimas da violência no país. Combater essa realidade exige enfrentar desigualdades históricas”, pontuou.

Para ela, o enfrentamento da violência contra a mulher exige políticas estruturais e permanentes. “A violência contra a mulher está ligada a uma cultura histórica de machismo e a uma estrutura patriarcal que naturalizou a desigualdade. Combater isso exige educação, políticas públicas firmes e punição efetiva para os agressores”, concluiu.

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