O prefeito de Alagoinhas, Gustavo Carmo(PSD), anunciou no inicio da tarde de hoje(27) que irá decretar situação de emergência na cidade, após a onda de alagamentos provocadas pelo temporal da última quarta-feira(25). O anuncio vem acompanhado de outras duas determinações: a primeira – cancelar o evento Fuzuê, que aconteceria no próximo dia 07; a segunda- enviar à Câmara de Vereadores um projeto de lei que autoriza o município a conceder apoio financeiro às famílias que sofreram prejuízos materiais com as fortes chuvas. Decisão acertada diante da gravidade do ocorrido e da preocupação e sofrimento por qual passa as comunidades atingidas.

O decreto de emergência ainda garantirá ao município o acesso mais rápido a recursos estaduais e federais para ações de correção aos danos ocasionados na infraestrutura da cidade.

Nos último dois dias, segundo dados divulgados pela própria prefeitura, já foram retiradas impressionantes 125 mil toneladas de lixo da ruas e bueiros da cidade. Foram recolhidos lixo doméstico, armários, guarda-roupas, garrafas plásticas e até camas e sofás! Materiais descartados irregularmente por parte da população e responsável por obstruir a rede de drenagem da cidade.

Não há dúvidas de que paralelo a ação de assistência às famílias e o trabalho paliativo de desobstrução da rede de drenagem e limpeza urbana, a prefeitura terá que tomar providencias sérias para que novos eventos como esse não voltem a acontecer.

Alagoinhas tem um problema sério que são as ligações clandestinas do esgoto doméstico na rede de drenagem de águas pluviais. E não estamos falando de ligações em comunidades distantes. O centro da cidade de Alagoinhas está cheio de ligações clandestinas e com conhecimento da Secretaria de Obras e do próprio SAAE. O esgoto doméstico despejado em uma rede que não foi preparada para isso e já sofre com o desgaste natural do tempo, danifica manilhas, provocando infiltrações a o surgimento de buracos e crateras nas vias públicas. Não dá para continuar fechando os olhos para realidade e não apresentar para a população um projeto que corrija isso.

É necessário ainda o endurecimento da fiscalização sobre as obras no município. Muitas construções acondicionam materiais como areia, barro, brita e até entulhos em locais inapropriados, as vezes até tomando parte da via pública, onde na primeira chuva escorre para os bueiros e entope a rede de drenagem. O mesmo se aplica a vendedores e comerciantes de rua que jogam restos de alimentos e produtos nas ruas e até parte da população que transforma terrenos baldios ou esquinas em verdadeiros lixões. A prefeitura precisa urgentemente de um trabalho forte de conscientização e aplicação de medidas duras, como aplicação de advertências, multas, etc.

É preciso ainda que projetos importantes de macrodrenagem saiam do papel. A defesa civil da cidade já aponta em plano de contingencia as áreas de risco da cidade de Alagoinhas, os pontos de alagamento e dificuldades de drenagem. A prefeitura é sabedora desses dados. É preciso ter projetos e que se use o grande arco de alianças politicas, e até a capacidade de endividamento da prefeitura, na contratação de operação de crédito, para a resolução rápida desses problemas. Qualquer gasto ou sacrifício financeiro nesta área é justificada pela tranquilidade, alento e conforto que se dará para aqueles que nunca hão de se conformar em perder tudo o conquistaram na primeira enxurrada que chega.

É claro que esse conjunto de medidas não é de fácil aplicação para nenhum gestor. Mas os méritos que se alcançará ao implementa-los, não tenha dúvidas, justificará o afinco e o trabalho em implementa-los. E tudo isso no fim resulta em voto, essencial para qualquer politico e administração.

 

Escrito por Caio Pimenta, advogado, âncora do programa Primeira Mão, da radio Ouro Negro 100,5 FM. Ele também escreve sua coluna no site News Infoco, do qual é editor- chefe e dirige a radio web 2 de julho.