A sessão desta terça-feira (9) foi marcada por denúncias contra a gestão municipal e pela prestação de contas de investimentos externos destinados à cidade. O vereador Luciano Almeida subiu à tribuna para expor o que classificou como desrespeito e incompetência na condução de serviços essenciais, destacando atrasos salariais na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e no Hospital Materno-Infantil.

Segundo o parlamentar, funcionários da maternidade enfrentam o não recolhimento do FGTS por quatro meses e o represamento do complemento do piso nacional da enfermagem, repassado pelo Governo Federal, mas não entregue aos trabalhadores pelo Instituto de Gestão Integrada.

Luciano Almeida também denunciou um clima de perseguição dentro das unidades de saúde, relatando casos de profissionais demitidos por simples gestos de cortesia a parlamentares de oposição. O vereador comparou a atual postura do Executivo com gestões anteriores, afirmando que o governo parece ter “jogado a tolha” e transformado Alagoinhas em uma “cidade caloteira”, citando dívidas com prestadores de serviços de transporte que chegam a um ano de atraso.

Em solidariedade à vereadora Juci Cardoso, impedida de fiscalizar uma unidade de saúde, Luciano relembrou que ele e as vereadoras Luma Menezes e Jaldice Nunes já precisaram acionar a Polícia Militar para garantir o direito constitucional de acesso a órgãos públicos, repudiando as agressões de “milícias digitais” que tentam enfraquecer o Parlamento.

No campo da saúde suplementar, o debate trouxe à tona a precariedade dos enfermeiros credenciados para as cirurgias eletivas. Luciano Almeida revelou que, apesar da alta produtividade, com a realização de 30 a 36 procedimentos diários, os profissionais trabalham sem escala fixa e recebem valores inferiores ao salário-mínimo após descontos, sem suporte sequer para o deslocamento após as jornadas.

O vereador  Cleto da Banana interveio para destacar que, embora o volume de cirurgias seja um avanço iniciado na gestão de Joaquim Neto e mantido pelo prefeito Gustavo Carmo, é inaceitável que o sucesso do programa ocorra à custa do maltrato aos trabalhadores, cobrando correções imediatas da gestão.

Apesar das críticas à administração local, os parlamentares destacaram a chegada de recursos importantes através de emendas federais. Luciano Almeida detalhou a destinação de verbas do deputado federal Paulo Azi, que somam mais de R$ 3 milhões para áreas diversas, incluindo R$ 900 mil para cirurgias eletivas, R$ 1,1 milhão para a reforma do campo do Barreiro e R$ 400 mil para entidades como APAE, Pestalozzi e Pastoral do Menor.

A vereadora Luma Menezes somou-se ao relato em aparte, pontuando que o deputado Paulo Azi também destinou R$ 350 mil para o campo do Miguel Velho e R$ 100 mil para a causa animal, reforçando que esses investimentos são fruto da articulação direta do grupo de oposição com o mandato federal.

O vereador José Cleto também corroborou a importância dessas emendas, informando que recentemente buscou, junto a outros colegas, recursos adicionais com os deputados Paulo Azi e Sérgio Brito, resultando na sinalização de mais R$ 1 milhão para o custeio da saúde em Alagoinhas.

Cleto enfatizou que garantir recursos é uma obrigação de quem foi votado na cidade, independentemente de alinhamento político com o prefeito, visando exclusivamente a melhoria da qualidade de vida da população.

O debate encerrou-se com o compromisso dos parlamentares em manter a resistência contra o que chamaram de tentativa de enfraquecimento do Poder Legislativo por meio da não execução de emendas impositivas municipais.

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz