A gestão do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e a desorganização administrativa da Prefeitura de Alagoinhas foram os temas centrais dos pronunciamentos dos vereadores Luciano Almeida e Luma Menezes na sessão desta quinta-feira (19). Entre denúncias de falta de água, tarifas abusivas e perseguição política, os parlamentares desenharam um cenário de crise profunda na prestação de serviços essenciais.

O vereador Luciano Almeida relatou uma experiência pessoal que reflete o drama da população: a espera indefinida por uma ligação de água, mesmo após o pagamento de taxas de quase R$ 600,00. Segundo ele, a autarquia alega possuir apenas uma retroescavadeira para atender toda a cidade.

Luciano alertou para o desabastecimento generalizado, atingindo do centro a bairros como Mangalô e outras localidades (Disai e Sauípe), onde postos de saúde chegaram a suspender atendimentos por falta de água. “O SAAE está acabando de afundar. Cobram taxa de esgoto onde não tem esgoto e as tarifas são exorbitantes para quem não tem o que comer”, desabafou.

O vereador ainda questionou a moralidade administrativa ao citar altos salários de comissionados em meio à precariedade operacional, definindo a gestão como um “governo de muitos caciques para poucos índios”.

A vereadora Luma Menezes reforçou as críticas, focando na falta de diálogo entre as secretarias municipais. Para Luma, a prefeitura opera como miniprefeituras isoladas, o que leva o cidadão para um jogo de empurra burocrático. Ela citou o exemplo do Riacho da Guia, onde demandas de meio ambiente são jogadas para a manutenção, sem resolução efetiva.

“Essa ausência de integração prejudica a população, que tem suas demandas adiadas, e o governo, que demonstra desorganização. O prefeito não consegue trazer unidade ao seu próprio secretariado”, afirmou a parlamentar.

Luma fez um relato alarmante sobre o racionamento de água no Riacho da Guia, onde o fornecimento é interrompido diariamente das 18h às 21h – horário de pico para trabalhadores e donas de casa. Em áreas mais  altas, a água só retorna no dia seguinte, embora as contas cheguem a quase R$ 200,00.

Um ponto sensível do discurso foi a denúncia de pressão política. Segundo a vereadora, moradores do Riacho da Guia  foram orientados a não comparecer a uma reunião com o SAAE no último sábado sob ameaça de perda de empregos ou retaliação a contraparentes que trabalham na prefeitura. “É lastimável que as pessoas tenham que se silenciar e viver com um direito negado por causa de ameaça e pressão. As pessoas deixaram de lutar pelo acesso à água por medo”, concluiu Luma.

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz