{"id":37341,"date":"2024-12-09T14:38:51","date_gmt":"2024-12-09T17:38:51","guid":{"rendered":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/?p=37341"},"modified":"2024-12-09T14:38:51","modified_gmt":"2024-12-09T17:38:51","slug":"mais-de-370-mil-estudantes-das-capitais-estao-em-escolas-sob-risco-de-enchentes-e-desabamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/mais-de-370-mil-estudantes-das-capitais-estao-em-escolas-sob-risco-de-enchentes-e-desabamentos\/","title":{"rendered":"Mais de 370 mil estudantes das capitais est\u00e3o em escolas sob risco de enchentes e desabamentos"},"content":{"rendered":"<div class=\"sc-81cf810-0 eyovxy\">\n<div class=\"sc-81cf810-1 bYubFg\">\n<div class=\"sc-81cf810-3 gCNTHg\">\n<div class=\"sc-81cf810-0 eyovxy\">\n<div class=\"sc-81cf810-1 bYubFg\">\n<div class=\"sc-81cf810-3 gCNTHg\">\n<p>Mais de 370 mil alunos da educa\u00e7\u00e3o infantil e do ensino fundamental das capitais brasileiras estudam em escolas localizadas em \u00e1reas de risco clim\u00e1tico, sujeitas, por exemplo, a inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos.<br \/>\nAl\u00e9m disso, de acordo com uma pesquisa in\u00e9dita, 37,4% das escolas para estudantes dessa faixa et\u00e1ria, nas capitais, n\u00e3o t\u00eam \u00e1rea verde, e 20% n\u00e3o possuem pra\u00e7as e parques no entorno, em um raio de 500 metros. Escolas de regi\u00f5es mais pobres e aquelas com maioria de alunos negros s\u00e3o as que mais est\u00e3o localizadas em \u00e1reas de risco e as que menos t\u00eam espa\u00e7os verdes.<br \/>\nAs conclus\u00f5es s\u00e3o de um levantamento feito pelo Instituto Alana, ONG de defesa da crian\u00e7a e do adolescente, em parceria com o MapBiomas, projeto de estudo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que une ONGs, universidades e empresas de tecnologia, e com a Fiquem Sabendo, que atua pela transpar\u00eancia dos dados p\u00fablicos.<br \/>\nA pesquisa avaliou 20.635 escolas p\u00fablicas e privadas de educa\u00e7\u00e3o infantil e ensino fundamental das capitais brasileiras. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que uma parcela expressiva de crian\u00e7as e adolescentes desse universo est\u00e1 amea\u00e7ada por fen\u00f4menos clim\u00e1ticos e, ao mesmo tempo, n\u00e3o tem acesso a \u00e1reas verdes \u2013o contato com espa\u00e7os verdes \u00e9 considerado crucial para o desenvolvimento integral, ao reduzir o estresse, incentivar as atividades f\u00edsicas e aumentar as habilidades cognitivas.<br \/>\nO estudo ressalta o contexto que torna os dados ainda mais alarmantes: no Brasil, cerca de 80% das crian\u00e7as vivem em centros urbanos, e, quanto mais vulner\u00e1veis socioeconomicamente, menos acesso t\u00eam ao verde, nas redondezas de casa e na escola, onde passam boa parte do dia, especialmente com o ensino em tempo integral.<br \/>\nDas escolas em locais de risco, 90% ficam em favelas, comunidades ou pr\u00f3ximas a elas, em um raio de at\u00e9 500 metros. E s\u00e3o 52,4% as escolas dessas localidades que n\u00e3o t\u00eam \u00e1rea verde em seu lote (veja gr\u00e1ficos); no caso das distantes das favelas, s\u00e3o 29%.<br \/>\nMesmo quando h\u00e1 algum espa\u00e7o verde no ambiente escolar, ele tende a ser pequeno. Apenas 10% das escolas das localidades mais pobres possuem uma \u00e1rea verde superior a 30% de seu lote; j\u00e1 para as mais distantes de favelas, s\u00e3o 24%.<br \/>\nA desigualdade regional se evidencia em um ranking das capitais com a maior propor\u00e7\u00e3o de escolas sem \u00e1rea verde. Salvador lidera, com 87% das escolas sem espa\u00e7os verdes. Das 10 primeiras capitais desse ranking, 7 s\u00e3o da regi\u00e3o Nordeste \u2013al\u00e9m de Salvador, s\u00e3o elas S\u00e3o Lu\u00eds, Fortaleza, Aracaju, Macei\u00f3, Recife e Natal.<br \/>\nE S\u00e3o Paulo, embora um estado com mais recursos, tem um longo caminho a percorrer no acesso dos estudantes ao verde: ficou em 10\u00ba lugar no ranking, logo ap\u00f3s as sete capitais nordestinas e duas da regi\u00e3o Norte (Manaus e Bel\u00e9m). S\u00e3o 39% as escolas da capital paulista sem \u00e1rea verde, um total de 1.849 unidades, atingindo mais 374 mil alunos.<br \/>\nA falta de verde no ambiente escolar poderia ser compensada por um entorno com pra\u00e7as e parques e por uma l\u00f3gica de educa\u00e7\u00e3o &#8220;desemparedada&#8221;, ou seja, com atividades pedag\u00f3gicas ao ar livre, realizadas em espa\u00e7os com natureza pr\u00f3ximos \u00e0 escola.<br \/>\nCerca de 77% das escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil que n\u00e3o t\u00eam \u00e1rea verde possuem, na vizinhan\u00e7a, mais de 1.000 m2 de pra\u00e7as ou parques, a uma dist\u00e2ncia de at\u00e9 500 metros. Mas, de novo, nesse quesito, a desigualdade se coloca. Das escolas infantis que n\u00e3o possuem esses equipamentos nas redondezas (em um raio de at\u00e9 500 metros), 78% se localizam em favelas e comunidades urbanas ou pr\u00f3ximas a elas.<br \/>\nRACISMO AMBIENTAL<br \/>\nO recorte racial na pesquisa atesta o racismo ambiental (conceito de que minorias \u00e9tnicas enfrentam mais riscos ambientais). Das escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil e ensino fundamental com maioria de estudantes negros, s\u00e3o 30,1% as que n\u00e3o t\u00eam pra\u00e7as e parques no entorno de 500 metros; j\u00e1 no caso daquelas com maioria branca, a taxa cai para 11,4%.<br \/>\nAl\u00e9m disso, as escolas com maioria negra sofrem mais com a localiza\u00e7\u00e3o em ilhas do calor, em que a temperatura m\u00e9dia \u00e9 de pelo menos 3,57\u00ba C acima da m\u00e9dia do per\u00edmetro urbano do munic\u00edpio. Est\u00e3o localizadas em ilhas de calor 36,4% das escolas com maioria negra e 16,5% daquelas que t\u00eam maioria de estudantes brancos.<br \/>\nA maior parte das escolas em \u00e1reas de risco s\u00e3o aquelas com maioria de estudantes negros: 51,3% delas. A parcela para a de maioria branca \u00e9 4,7% (a pesquisa considerou &#8220;maioria&#8221;, nesse caso, quando 60% ou mais se declaram de uma determinada ra\u00e7a).<br \/>\nH\u00e1 mais escolas p\u00fablicas do que particulares em \u00e1reas de risco: 59% e 41%, respectivamente. Por outro lado, as p\u00fablicas t\u00eam mais \u00e1rea verde do que as privadas. S\u00e3o 31% as p\u00fablicas com verde em mais de 30% do lote, ante 9% das particulares.<br \/>\nIsso n\u00e3o significa, no entanto, que sejam \u00e1reas verdes aproveitadas pela comunidade escolar. Podem ser terrenos com matagal, por exemplo, sem manuten\u00e7\u00e3o para o uso. Ou mesmo \u00e1reas mais bem cuidadas, mas que n\u00e3o s\u00e3o incorporadas \u00e0s atividades.<br \/>\n&#8220;N\u00e3o basta ter \u00e1rea verde. Muitas vezes as escolas enxergam essas \u00e1reas como um problema, trabalho de manuten\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como oportunidade&#8221;, diz a engenheira florestal Isabel Barros, especialista em inf\u00e2ncias e natureza do Alana, que coordenou a pesquisa. &#8220;As escolas precisam ter apoio, porque um dos gargalos da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o, e d\u00e1 trabalho manter essas \u00e1reas para que fiquem acess\u00edveis aos alunos.&#8221;<br \/>\nPara ela, devemos olhar esses espa\u00e7os como parte do sistema de \u00e1reas verdes do munic\u00edpio, a exemplo do que j\u00e1 ocorre em algumas cidades de outros pa\u00edses. &#8220;Cada p\u00e1tio escolar pode ser considerado uma minipra\u00e7a, um miniparque e ter recurso manuten\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nA pesquisa d\u00e1 sugest\u00f5es para se criar ou para se ampliar \u00e1reas verdes no ambiente escolar: remover o concreto\/cimento de espa\u00e7os abertos para o plantio grama, \u00e1rvores, hortas e plantas diversas, al\u00e9m de envolver a comunidade com o espa\u00e7o, tanto para o seu cultivo e cuidado, como para usufruir dele.<br \/>\nE, essencialmente, pensar no espa\u00e7o verde como parte do projeto pedag\u00f3gico: &#8220;Pesquisas mostram que p\u00e1tios escolares com natureza s\u00e3o mais saud\u00e1veis para as crian\u00e7as e os adolescentes, importantes inclusive para a parte acad\u00eamica, com in\u00fameras possibilidade de aulas ao ar livre, de matem\u00e1tica a educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica&#8221;, afirma Barros.<br \/>\nEla lembra que &#8220;atividades ao ar livre favorecem a conviv\u00eancia e incentivam os alunos a brincar de forma mais ativa, o que tamb\u00e9m previne a obesidade&#8221;.<br \/>\n&#8220;Espa\u00e7os verdes e biodiversos contribuem ainda para a redu\u00e7\u00e3o de alergias e de problemas respirat\u00f3rios&#8221;, acrescenta.<br \/>\nBarros aponta para o fato de a pesquisa mostrar que &#8220;as escolas repetem o padr\u00e3o de desigualdade do pa\u00eds&#8221;. Mas h\u00e1 a metade cheia do copo: &#8220;As escolas s\u00e3o equipamentos muito bem distribu\u00eddos pelos munic\u00edpios e s\u00e3o espa\u00e7os onde crian\u00e7as e jovens passam boa parte do dia. T\u00eam, portanto, grande potencial de melhorar a equidade do acesso ao verde e a seus benef\u00edcios&#8221;.<br \/>\nO projeto Exclu\u00eddos do Clima \u00e9 uma parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Ford.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"sc-a2085f8e-0 gKIthy\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-81cf810-0 eyovxy\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-81cf810-0 eyovxy\">\n<div class=\"sc-b4c8ccf3-0 fsXNOt\">Bahia Not\u00edcias<\/div>\n<\/div>\n<div class='share-to-whatsapp-wrapper'><div class='share-on-whsp'>Share on: <\/div><a data-text='Mais de 370 mil estudantes das capitais est\u00e3o em escolas sob risco de enchentes e desabamentos' data-link='https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/mais-de-370-mil-estudantes-das-capitais-estao-em-escolas-sob-risco-de-enchentes-e-desabamentos\/' class='whatsapp-button whatsapp-share'>WhatsApp<\/a><div class='clear '><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 370 mil alunos da educa\u00e7\u00e3o infantil e do ensino fundamental das capitais brasileiras estudam em escolas localizadas em \u00e1reas de risco clim\u00e1tico, sujeitas, por exemplo, a inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos. 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