{"id":37661,"date":"2024-12-22T15:55:06","date_gmt":"2024-12-22T18:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/?p=37661"},"modified":"2024-12-22T15:55:06","modified_gmt":"2024-12-22T18:55:06","slug":"a-dificil-tarefa-de-o-auto-da-compadecida-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/a-dificil-tarefa-de-o-auto-da-compadecida-2\/","title":{"rendered":"A dif\u00edcil tarefa de O Auto da Compadecida 2"},"content":{"rendered":"<p>Inegavelmente, O Auto da Compadecida \u00e9 um marco da literatura, da TV e do cinema brasileiros. Escrito pelo paraibano radicado em Pernambuco Ariano Suassuna como pe\u00e7a de teatro em 1955, o texto virou s\u00e9rie televisiva exibida em quatro epis\u00f3dios na Rede Globo em 1999. No ano seguinte, foi reeditada e adaptada para estrear como filme nos cinemas, dado o sucesso das desventuras que tem suas ra\u00edzes na literatura de cordel sertaneja.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a populariza\u00e7\u00e3o veio com a vers\u00e3o audiovisual empreendida por Guel Arraes na virada do mil\u00eanio, quando o cinema brasileiro passava por um per\u00edodo de retomada e as s\u00e9ries televisivas ainda ganhariam a popularidade dos \u00faltimos anos. Tudo isso faz do primeiro O Auto da Compadecida n\u00e3o apenas um marco dentro do audiovisual brasileiro, mas tamb\u00e9m um grande elogio \u00e0 cultura popular nordestina.<\/p><div class=\"newsi-conteudo_19\" id=\"newsi-2693751180\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/prefeituraalagoinhas?igsh=YzgzdDJ1bWR3aWI4\" aria-label=\"SAVE_20251006_221555\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-rotated.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-rotated.jpg 1140w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-300x52.jpg 300w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-1024x177.jpg 1024w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-768x133.jpg 768w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-600x104.jpg 600w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-696x120.jpg 696w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-1068x185.jpg 1068w\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" width=\"1140\" height=\"197\"   \/><\/a><\/div>\n<p>Se pensarmos na enxurrada de continua\u00e7\u00f5es f\u00edlmicas feitas ultimamente e na onda de saudosismo que tem tomado de assalto a cultura contempor\u00e2nea, demorou muito para que o filme tivesse a sua continua\u00e7\u00e3o. 25 anos depois do primeiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie, O Auto da Compadecida 2 chega aos cinemas com mais pompa e grandiloqu\u00eancia, ainda que se escore na nostalgia para reprocessar velhos artif\u00edcios narrativos.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par1\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CMzZvp6CvIoDFco9uQYdgFkNoA\">\n<p>Guel Arraes segue \u00e0 frente do projeto, dessa vez dividindo a dire\u00e7\u00e3o com Fl\u00e1via Lacerda, que foi assistente de dire\u00e7\u00e3o do filme\/s\u00e9rie anterior. E agora o caminho de produ\u00e7\u00e3o deve ser o inverso: pensado como filme, n\u00e3o deve demorar para ganhar uma vers\u00e3o televisiva no pr\u00f3ximo ano, como tem sido o costume dos produtos Globo.<\/p>\n<p>De toda sorte, o filme tenta resgatar o sucesso de bilheteria das com\u00e9dias nacionais que viram o p\u00fablico diminuir nos \u00faltimos tempos. Aqui, o trunfo \u00e9 o retorno das figuras ic\u00f4nicas de Jo\u00e3o Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chic\u00f3 (Selton Mello) com suas perip\u00e9cias e trapalhadas, fabuladas em um tom barroco e caricato.<\/p>\n<p>A trama se passa 20 anos depois dos acontecimentos do filme anterior e atualmente os amigos est\u00e3o separados. N\u00e3o se sabe ao certo o paradeiro de Jo\u00e3o Grilo, mas Chic\u00f3 permaneceu na cidade de Tapero\u00e1 contando a impressionante hist\u00f3ria de ressurei\u00e7\u00e3o do amigo, visto no final do primeiro filme. N\u00e3o demora muito para que Jo\u00e3o, tido pela popula\u00e7\u00e3o como figura ilustre, retorne e encontre o lugar um tanto modificado.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par2\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CPqEwJ6CvIoDFUyDYQYdjvokIg\">\n<p>Menos ingenuidade<\/p>\n<p>O principal conflito com que eles se envolvem \u00e9 com o coronel Ernani (Humberto Martins) que modificou os limites de suas terras a fim de tomar para si o po\u00e7o que abastece de \u00e1gua os moradores da cidade, fazendo com que a popula\u00e7\u00e3o fique dependente do coronel. Contra ele, aparece o radialista Arlindo (Eduardo Sterblitch), com quem que vai bater de frente nas urnas, j\u00e1 que ambos se candidatam a prefeito da cidade.<\/p>\n<p>Claro que a dupla de amigos atrapalhados vai se meter na contenda, tamb\u00e9m com a ajuda de Arlindo do Amor (Luis Miranda), um malandro carioca que possui seus interesses escusos, da mesma forma que Clarabela (Fab\u00edula Nascimento), filha do coronel Ernani, joga seu charme para cima de Chic\u00f3, mas guarda segundas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par3\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CP37v56CvIoDFZSHYQYdT2oAcA\">\n<p>O antigo interesse amoroso de Chic\u00f3, a bela Rosinha (Virg\u00ednia Cavendish), tamb\u00e9m retoma para a cena, mas dessa vez com uma postura mais empoderada e independente, tendo se tornado caminhoneira de profiss\u00e3o, ainda que enrabichada pelo gracioso mentiroso.<\/p>\n<p>S\u00e3o personagens que se mostram muito mais altivos e menos ing\u00eanuos na paisagem de um sert\u00e3o que ainda reprocessa velhos arqu\u00e9tipos humanos, popularizados pelas narrativas orais, em um ambiente que tamb\u00e9m se modificou com o tempo e com a modernidade. Eles acabam assumindo posturas pol\u00edticas que dizem muito sobre as rela\u00e7\u00f5es de poder em um lugar carente e cheio de mazelas como esse, ainda que repleto de riquezas culturais.<\/p>\n<p>Mas a entrada desses personagens no filme se d\u00e1 de modo muito pontual, o que n\u00e3o deixa de revelar certa propens\u00e3o epis\u00f3dica \u00e0 trama, o que sugere um maior aproveitamento de cada um deles em um formato mais espa\u00e7ado, como uma miniss\u00e9rie. Ou antes, apenas revela certa fragilidade do filme em amarrar uma trama mais coesa e consistente.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par4\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CI_fv56CvIoDFUGJYQYd_m0dSw\">\n<p>De qualquer forma, a obra busca reproduzir o mesmo sentido de humor e gra\u00e7a que o p\u00fablico j\u00e1 associou a O Auto da Compadecida, por\u00e9m atualizado com uma vers\u00e3o de Nordeste bem mais estilizada. A pr\u00f3pria robustez de or\u00e7amento do novo filme permitiu criar um ambiente mais teatral e pomposo, que se reflete nos cen\u00e1rios artificiais, nas luzes exageradas e no uso de efeitos visuais mais modernos.<\/p>\n<p>Imagin\u00e1rio popular<\/p>\n<p>Se o primeiro filme\/s\u00e9rie foi feito com uma produ\u00e7\u00e3o mais modesta e se ancorava tanto no brilhante texto de Suassuna como na \u00f3tima intera\u00e7\u00e3o entre os atores, O Auto da Compadecida 2 \u00e9 um filme mais robusto em termos c\u00eanicos e est\u00e9ticos, por\u00e9m perde um tanto na constru\u00e7\u00e3o narrativa de sua trama.<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par5\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CLi9w6CCvIoDFd-GYQYd3hMnsQ\">\n<p>A principal diferen\u00e7a \u00e9 n\u00e3o se sustentar mais em um material original pr\u00e9vio, apenas associado aos personagens e ao tipo de humor que o escritor criou (o roteiro \u00e9 de autoria de Arraes em parceria com Jo\u00e3o Falc\u00e3o). Nachtergaele e Mello continuam donos de um carisma imenso e, juntos em tela, performam um companheirismo latente, assim como os demais atores parecem estar bem \u00e0 vontade no filme.<\/p>\n<p>No entanto, falta aquela sagacidade narrativa que fazia das perip\u00e9cias e confus\u00f5es dos personagens um labirinto de desordens e sa\u00eddas espertas que se davam pelas r\u00e1pidas sacadas que eles tiravam da cartola no meio das discuss\u00f5es. O que restou aqui foi a leveza do texto, com a mesma inten\u00e7\u00e3o de gra\u00e7a, mas sem a mal\u00edcia de antes.<\/p>\n<p>Com isso, a escolha do filme \u00e9 repetir certas estrat\u00e9gias narrativas que j\u00e1 estavam l\u00e1 atr\u00e1s, incluindo cenas e falas ic\u00f4nicas, assim como chega a reprisar mais um julgamento no al\u00e9m entre Deus e o Diabo (interpretados pelo mesmo Nachtergaele) com a interven\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora (vivida dessa vez por Ta\u00eds Araujo). Em nome do saudosismo, parecia n\u00e3o haver outra sa\u00edda. Tinha que ser assim.<\/p>\n<p>Fonte: A Tarde<\/p>\n<div id=\"dmh-h-par6\" class=\"jba filled\" data-google-query-id=\"CKi-2aCCvIoDFUmAYQYdX-QXwA\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class='share-to-whatsapp-wrapper'><div class='share-on-whsp'>Share on: <\/div><a data-text='A dif\u00edcil tarefa de O Auto da Compadecida 2' data-link='https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/a-dificil-tarefa-de-o-auto-da-compadecida-2\/' class='whatsapp-button whatsapp-share'>WhatsApp<\/a><div class='clear '><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inegavelmente, O Auto da Compadecida \u00e9 um marco da literatura, da TV e do cinema brasileiros. Escrito pelo paraibano radicado em Pernambuco Ariano Suassuna como pe\u00e7a de teatro em 1955, o texto virou s\u00e9rie televisiva exibida em quatro epis\u00f3dios na Rede Globo em 1999. 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