{"id":38627,"date":"2025-01-25T12:26:36","date_gmt":"2025-01-25T15:26:36","guid":{"rendered":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/?p=38627"},"modified":"2025-01-25T12:26:36","modified_gmt":"2025-01-25T15:26:36","slug":"rio-poluido-pela-vale-levara-731-anos-para-ser-recuperado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/rio-poluido-pela-vale-levara-731-anos-para-ser-recuperado\/","title":{"rendered":"Rio polu\u00eddo pela Vale levar\u00e1 731 anos para ser recuperado"},"content":{"rendered":"<div class=\"sc-24c322fd-0 imQYhj\">\n<div class=\"sc-24c322fd-1 laZqPV\">\n<div class=\"sc-24c322fd-3 giHdVV\">\n<p>H\u00e9lia Bae\u00e7a, 59, trata o rio Paraopeba, que fica a cerca de 50 metros de sua propriedade, n\u00e3o apenas como fonte de renda e alimenta\u00e7\u00e3o, mas como parte de sua vida.<br \/>\nA rotina dela, que vive na comunidade de Vista Alegre, em Esmeraldas, cidade da regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, mudou drasticamente h\u00e1 seis anos. Foi quando uma barragem da mineradora Vale se rompeu em Brumadinho, a cerca de 60 quil\u00f4metros de casa.<br \/>\nO epis\u00f3dio em 25 de janeiro de 2019 resultou na morte de 270 pessoas e na contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do rio Paraopeba, que est\u00e1 impr\u00f3pria para uso at\u00e9 hoje.<br \/>\n&#8220;\u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o de tirar o que \u00e9 da gente, sabe? Uma sensa\u00e7\u00e3o muito ruim, de perda da nossa liberdade de viver, da nossa \u00e1rea produtiva, do lazer, da pesca&#8221;, diz H\u00e9lia.<br \/>\nO acordo celebrado em fevereiro de 2021 entre Vale, governo de Minas Gerais e institui\u00e7\u00f5es de Justi\u00e7a prev\u00ea que cabe \u00e0 mineradora a limpeza total do rio Paraopeba, sem limite de custeio.<br \/>\nUm estudo do N\u00facleo de Assessoria \u00e0s Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) projetou cen\u00e1rios de prazo para que essa limpeza seja conclu\u00edda.<br \/>\nNo c\u00e1lculo mais otimista, seriam necess\u00e1rios 44 anos de dragagem para a retirada total dos res\u00edduos. J\u00e1 o mais pessimista coloca esse prazo em 741 anos.<br \/>\nA discrep\u00e2ncia, segundo os autores do estudo, est\u00e1 relacionada a dois par\u00e2metros. Um \u00e9 sobre a quantidade de rejeitos que estavam na barragem 1 da mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o e chegaram ao rio.<br \/>\nA Vale defende que esse volume \u00e9 de 1,59 milh\u00e3o de metros c\u00fabicos (m\u00b3), enquanto pesquisadores afirmam em artigos publicados no International Journal of Sediment Research que o total foi de 2,8 milh\u00f5es de m\u00b3.<br \/>\nOutra indefini\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre a quantidade de rejeito que \u00e9 retirado pelas dragas a cada metro c\u00fabico de sedimento. Logo ap\u00f3s o desastre, explicam os especialistas, essa propor\u00e7\u00e3o chegou a ser de 90% de rejeitos para 10% de sedimentos. Hoje, com o assentamento dos rejeitos, essa rela\u00e7\u00e3o diminuiu consideravelmente.<br \/>\n&#8220;Entre 2019 e 2020 as dragas removiam mais de 2 mil m\u00b3 de sedimentos, e a maior parte era rejeito. Ao passar dos anos esses valores ca\u00edram bastante, para 100, 50, 30 m\u00b3 de rejeitos por dia&#8221;, afirma Hugo Salis, engenheiro florestal e um dos autores do estudo.<br \/>\nAs informa\u00e7\u00f5es de atividade das dragas e de rejeito retirado est\u00e3o dispon\u00edveis em um painel no site da mineradora. No \u00faltimo dado dispon\u00edvel, de 20 de janeiro, haviam sido retirados 195 mil m\u00b3 de rejeitos.<br \/>\nEsse contexto, segundo Ramon Rodrigues, especialista socioambiental e tamb\u00e9m autor do levantamento, traz \u00e0 tona o cen\u00e1rio de inviabilidade da retirada dos rejeitos, algo previsto pelo acordo de 2021. O documento diz que a mineradora dever\u00e1 recompensar financeiramente os atingidos se a limpeza total do rio n\u00e3o for poss\u00edvel.<br \/>\n&#8220;A proje\u00e7\u00e3o de 44 anos para a retirada \u00e9 quase imposs\u00edvel, porque considera que h\u00e1 90% de rejeitos nos sedimentos. Caso seja invi\u00e1vel a limpeza, a Vale tem que avaliar com os \u00f3rg\u00e3os ambientais e a auditoria estrat\u00e9gias de compensa\u00e7\u00e3o. Mas quanto vale um rio?&#8221;, questiona Ramon.<br \/>\nProcurada, a mineradora afirmou que tem conduzido a\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas para a remo\u00e7\u00e3o de rejeitos no Paraopeba e que os trabalhos s\u00e3o acompanhados por consultorias independentes.<br \/>\n&#8220;\u00c9 importante destacar que, em alguns trechos do rio, o rejeito se misturou com sedimentos naturais, e possui baixa concentra\u00e7\u00e3o de material, o que dificulta a retirada. Para essas situa\u00e7\u00f5es, a Vale avalia, junto aos \u00f3rg\u00e3os competentes, as solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas mais adequadas e interven\u00e7\u00f5es espec\u00edficas&#8221;, disse a companhia em nota.<br \/>\nO professor Fernando Pacheco, da Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro, de Portugal, n\u00e3o desconsidera a import\u00e2ncia da dragagem, mas diz que o impacto mais relevante na limpeza do rio se refere a uma depura\u00e7\u00e3o natural que acontece com o passar dos anos.<br \/>\n&#8220;Como o rompimento aconteceu no primeiro ter\u00e7o da bacia, o rejeito que vai para frente acaba se misturando com sedimentos de v\u00e1rios rios que v\u00eam do lado, e isso corresponde a uma limpeza natural. Por isso que a contamina\u00e7\u00e3o acaba por ser dilu\u00edda, e quanto mais anos passar, mais ela ocorre&#8221;, disse o professor.<br \/>\nDe 2021 a 2023 ele participou de um projeto que buscava responder sobre quando o Sistema Paraopeba, respons\u00e1vel por 30% do abastecimento de \u00e1gua \u00e0 regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, poderia voltar a operar.<br \/>\nEle explica que os estudos n\u00e3o buscaram definir um prazo para a limpeza total do rio, mas sim para o retorno \u00e0 condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9-desastre. Os c\u00e1lculos, apresentados no ano passado, foram de que o abastecimento poderia ser retomado de 6 a 8 anos ap\u00f3s o desastre.<br \/>\n&#8220;Essa proje\u00e7\u00e3o foi considerada em condi\u00e7\u00f5es de vaz\u00e3o extrema [\u00e9poca de cheia]. No per\u00edodo seco, o rio est\u00e1 praticamente como antes do rompimento. O problema \u00e9 que tem que estar igual a antes do rompimento em todos os per\u00edodos&#8221;, diz Pacheco.<br \/>\nA decis\u00e3o sobre quando a \u00e1gua do rio poder\u00e1 voltar a ser utilizada para consumo ou para o abastecimento do Sistema Paraopeba cabe ao Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (Igam), ligado ao governo estadual.<br \/>\nPara o uso da \u00e1gua para abastecimento, o \u00f3rg\u00e3o, em sua avalia\u00e7\u00e3o, observa par\u00e2metros como: turbidez, presen\u00e7a de ferro, mangan\u00eas, alum\u00ednio, chumbo e merc\u00fario na \u00e1gua.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"sc-a2085f8e-0 gKIthy\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-24c322fd-0 imQYhj\">\n<div class=\"sc-b4c8ccf3-0 fsXNOt\">Bahia Not\u00edcias<\/div>\n<\/div>\n<div class='share-to-whatsapp-wrapper'><div class='share-on-whsp'>Share on: <\/div><a data-text='Rio polu\u00eddo pela Vale levar\u00e1 731 anos para ser recuperado' data-link='https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/rio-poluido-pela-vale-levara-731-anos-para-ser-recuperado\/' class='whatsapp-button whatsapp-share'>WhatsApp<\/a><div class='clear '><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e9lia Bae\u00e7a, 59, trata o rio Paraopeba, que fica a cerca de 50 metros de sua propriedade, n\u00e3o apenas como fonte de renda e alimenta\u00e7\u00e3o, mas como parte de sua vida. 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