{"id":4522,"date":"2018-05-29T20:46:49","date_gmt":"2018-05-29T23:46:49","guid":{"rendered":"http:\/\/newsinfoco.com.br\/?p=4522"},"modified":"2018-05-29T20:46:49","modified_gmt":"2018-05-29T23:46:49","slug":"21-mitos-sobre-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"21 mitos sobre a ditadura militar"},"content":{"rendered":"<section id=\"1---jango-era-habilidoso-como-lider-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<section class=\"article-content content-closed\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A esquerda brasileira recebia em janeiro de 1963 a \u00faltima not\u00edcia boa das pr\u00f3ximas quatro d\u00e9cadas. Com o apoio de sindicatos e de movimentos sociais, o presidente Jo\u00e3o Goulart (PTB) recuperou os poderes que o Congresso lhe tinha arrancado 16 meses antes. O chefe de Estado voltava a ser chefe de governo. Agora, faltava p\u00f4r em pr\u00e1tica o programa de reformas de base.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Parecia o fim da confus\u00e3o come\u00e7ada ainda na elei\u00e7\u00e3o de 1960, \u00e9poca em que presidente e vice eram eleitos separadamente. A presid\u00eancia foi para o conservador J\u00e2nio Quadros (PTN), do jingle \u201cvarre, varre, vassourinha\u201d. Sua promessa era acabar com a corrup\u00e7\u00e3o dos governos herdeiros do populismo de Get\u00falio. S\u00f3 que o vice eleito vinha exatamente da linhagem getulista. Jango tinha sido ministro do Trabalho de Get\u00falio (1953-1954) e vice-presidente de Juscelino Kubitschek (1956-1960). Quem venceu n\u00e3o foi a direita ou a esquerda, mas o \u201cpopulismo\u201d em suas duas vertentes opostas.<\/span><\/p><div class=\"newsi-conteudo_19\" id=\"newsi-903454244\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/prefeituraalagoinhas?igsh=YzgzdDJ1bWR3aWI4\" aria-label=\"SAVE_20251006_221555\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-rotated.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-rotated.jpg 1140w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-300x52.jpg 300w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-1024x177.jpg 1024w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-768x133.jpg 768w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-600x104.jpg 600w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-696x120.jpg 696w, https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/SAVE_20251006_221555-1068x185.jpg 1068w\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" width=\"1140\" height=\"197\"   \/><\/a><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">J\u00e2nio n\u00e3o limpou o Brasil; em vez disso, foi conhecido por atos err\u00e1ticos. Proibiu o biqu\u00edni e as brigas de galo, condecorou Che Guevara e se consagrou por usar a mes\u00f3clise: \u201cbebo porque \u00e9 l\u00edquido; se fosse s\u00f3lido, com\u00ea-lo-ia\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194418\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194418\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Com\u00edcio da Central, dia 13 de mar\u00e7o. Essa foi a primeira e \u00faltima tentativa de Jango governar pelas ruas. Conservadores se assustaram e deram um golpe 18 dias depois.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194418\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/jango\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Acervo Reminisc\u00eancias\" data-image-caption=\"Com\u00edcio da Central, dia 13 de mar\u00e7o. Essa foi a primeira e \u00faltima tentativa de Jango governar pelas ruas. Conservadores se assustaram e deram um golpe 18 dias depois.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Com\u00edcio da Central, dia 13 de mar\u00e7o. Essa foi a primeira e \u00faltima tentativa de Jango governar pelas ruas. Conservadores se assustaram e deram um golpe 18 dias depois. (Acervo Reminisc\u00eancias\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Bastaram sete meses para J\u00e2nio renunciar, alegando \u201cfor\u00e7as terr\u00edveis\u201d. Nunca especificou quais eram tais for\u00e7as, mas a maioria dos historiadores aposta mesmo numa tentativa de golpe branco. J\u00e2nio provavelmente esperava que o Congresso rejeitasse sua ren\u00fancia, por temer que Jango estabelecesse uma \u201crep\u00fablica sindicalista\u201d. Para deixar a cena ainda mais indigesta, Jango estava em visita oficial \u00e0 China comunista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Se o Congresso rejeitasse a ren\u00fancia, J\u00e2nio poderia alavancar seu poder. S\u00f3 que a direita tinha uma terceira via em mente. O Congresso aceitou a ren\u00fancia de J\u00e2nio, e os ministros militares barraram a posse de Jango. Foi o golpe antes do Golpe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A esquerda n\u00e3o deixou por menos. No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola (PTB) armou a popula\u00e7\u00e3o para defender a posse de seu cunhado Jango. A Campanha da Legalidade conseguiu o apoio do 3\u00ba Ex\u00e9rcito, comando da regi\u00e3o Sul. Para evitar uma guerra civil, o Congresso tirou da cartola uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso. Jango assumiria a presid\u00eancia, mas teria poderes limitados pelo sistema parlamentarista. Seria um remendo tempor\u00e1rio \u2013 em 1965, um plebiscito deveria decidir se o presidencialismo voltaria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A experi\u00eancia foi desastrosa. Em 16 meses, foram primeiros-ministros Tancredo Neves (PSD), Brochado da Rocha (PSD) e Hermes Lima (PTB). O Pa\u00eds estava ingovern\u00e1vel. Sindicatos favor\u00e1veis a Jango amea\u00e7avam greve geral caso n\u00e3o se antecipasse o plebiscito. At\u00e9 mesmo raposas pol\u00edticas como JK e seu arquirrival Carlos Lacerda (UDN) defenderam a volta ao presidencialismo, j\u00e1 de olho em suas candidaturas em 1965. O plebiscito foi antecipado e, por 91% dos votos, o presidencialismo voltou.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ilus\u00e3o de poder<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Jango estava confiante n\u00e3o apenas por ter recuperado o Executivo. As elei\u00e7\u00f5es legislativas de 1962 pareciam ter jogado o Congresso no seu colo. A bancada do seu PTB tinha quase dobrado, de 66 para 116 deputados. Somando os 118 deputados do centrista PSD, tradicional aliado do PTB, Jango tinha garantida a maioria dos 410 assentos na C\u00e2mara. J\u00e1 a rival UDN tinha meros 91 assentos, e os 85 restantes estavam com v\u00e1rios partidos pequenos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Jango conseguiu chegar a esse ponto apoiando-se nos ombros da esquerda, desde a Campanha da Legalidade at\u00e9 a campanha pelo plebiscito. Agora, poderia retribuir com as reformas de base que a esquerda defendia. Pura ilus\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O governo tinha apoio de grandes grupos, mas em dire\u00e7\u00f5es opostas. Nas ruas, sindicatos e movimentos sociais pressionavam por reformas de base. J\u00e1 no Congresso, o aliado PSD sustentava seu horror a mudan\u00e7as. N\u00e3o era um partido reformista, mas uma agremia\u00e7\u00e3o de elites pol\u00edticas regionais ocupada em permanecer no poder (qualquer semelhan\u00e7a com partidos de hoje n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia). E, no meio disso, estava Jango. Com o centr\u00e3o do PSD, ele n\u00e3o atenderia \u00e0s esquerdas. E, sem esse centr\u00e3o, n\u00e3o governaria.<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box with-author\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quem queria mudan\u00e7as tinha menos compromisso com a democracia. E quem tinha compromisso com a democracia tinha menos compromisso com mudan\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong class=\"author\">Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cAqueles que queriam mudan\u00e7as tinham na \u00e9poca menos compromisso com a democracia. E os que tinham compromisso com a democracia tinham menos compromisso com as mudan\u00e7as\u201d, disse Fernando Henrique Cardoso ao historiador Ronaldo Costa Couto em\u00a0<em>Mem\u00f3ria Viva do Regime Militar<\/em>. \u201cSent\u00edamos naquele momento os efeitos da industrializa\u00e7\u00e3o, da urbaniza\u00e7\u00e3o. O Brasil tinha mudado. E as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o foram capazes de assimilar, de forma coordenada, a presen\u00e7a das massas, as mudan\u00e7as necess\u00e1rias e o compromisso com a democracia.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sem conseguir escolher entre o centr\u00e3o e o pov\u00e3o, Jango decidiu manter um p\u00e9 em cada jangada. Para agradar \u00e0 esquerda, partiu para uma ret\u00f3rica reformista. Ao mesmo tempo, tentou se conciliar com o PSD no Congresso \u2013 afinal, eram antigos aliados. Tudo o que conseguiu foi polarizar a pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c0 esquerda, estava o antigo aliado PTB, movimentos sociais, sindicatos e comunistas do PCB. \u00c0 direita, a UDN e um setor militar que j\u00e1 tentara derrubar Get\u00falio (1954), JK (1955) e Jango (1961). Agora, o PSD precisava decidir para que lado o centro iria.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A canoa virou<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Crises pol\u00edticas costumam navegar em tormentas econ\u00f4micas. O governo Jango n\u00e3o foi diferente. Depois de construir grandes rodovias e uma capital novinha, JK deixou a conta para seus sucessores. Em 1963, o PIB per capita brasileiro diminu\u00eda pela primeira vez desde a 2\u00aa Guerra Mundial; a infla\u00e7\u00e3o subia de 52%, em 1962, para 75%; as greves aumentavam de 154, em 1962, para 302, e o d\u00e9ficit fiscal atingia mais de um ter\u00e7o do or\u00e7amento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O ministro do Planejamento, Celso Furtado, tentou arrumar o caos com o Plano Trienal. A proposta miraculosa: baixar a infla\u00e7\u00e3o e retomar o crescimento, ao mesmo tempo. De um lado, cortaria gastos p\u00fablicos; de outro, faria as reformas de base para redistribuir renda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O ministro da Fazenda, San Tiago Dantas, foi \u00e0 TV pedir o apoio de pol\u00edticos, empres\u00e1rios e trabalhadores. N\u00e3o teve o de ningu\u00e9m. A esquerda queria reformas sem austeridade. E as classes mais conservadoras queriam austeridade sem reformas.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>TRAI\u00c7\u00c3O PARTID\u00c1RIA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Em 1962, o governo parecia ter a C\u00e2mara nas m\u00e3os \u2013 at\u00e9 o PSD abandonar Jango.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Desde 1945, a pol\u00edtica brasileira se dividia em dois grupos. De um lado, os partidos criados por Get\u00falio: PTB, trabalhista, e PSD, de centro. Juntos, sempre formavam a maioria no Congresso. De outro lado, esperneava a UDN, liberal conservadora. Esse equil\u00edbrio come\u00e7ou a mudar com a urbaniza\u00e7\u00e3o do Brasil. O PTB ganhou assentos e, com Jango, deu uma guinada para a esquerda. O PSD se incomodou e pulou para o lado da UDN. Assim, Jango perdeu a maioria no Congresso e, com isso, n\u00e3o conseguiu governar.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194429\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-194429 size-full\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Clique para ampliar\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194429\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/traicao-partidaria\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/traic3a7c3a3o-partidc3a1ria.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Dossi\u00ea SUPER (365)\" data-image-caption=\"\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Clique para ampliar (Dossi\u00ea SUPER (365)\/Superinteressante)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A primeira derrota veio ainda no primeiro semestre de 1963. Goulart prop\u00f4s que a desapropria\u00e7\u00e3o de terras improdutivas fosse paga com t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica, em vez de dinheiro \u201cvivo\u201d. O PSD, que j\u00e1 n\u00e3o era mais o aliado de antigamente, n\u00e3o apoiou a proposta, e a ideia foi rejeitada. Jango tamb\u00e9m prop\u00f4s esse tipo de indeniza\u00e7\u00e3o para desapropria\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis urbanos. Perdeu de novo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ficava claro que o PTB e o PSD n\u00e3o se identificavam mais. Com a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o centr\u00e3o deslizou para a direita. O governo perdeu o PSD para a UDN e se isolou no Congresso. A ilus\u00e3o de poder se desfez. E as tais reformas, que inclu\u00edam desapropria\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios e mais Estado na economia, terminaram engavetadas no Congresso.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na lei ou na marra<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 normal que regimes democr\u00e1ticos encarem uma polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas, em condi\u00e7\u00f5es normais, o polo perdedor n\u00e3o tenta a vit\u00f3ria no tapet\u00e3o. Reconhece a queda, vai para a oposi\u00e7\u00e3o e tenta ganhar a elei\u00e7\u00e3o seguinte. Por mais que as regras do jogo sejam inconvenientes no curto prazo, o custo de obedec\u00ea-las \u00e9 menor do que o trauma de um golpe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas, no fim de 1963, o Brasil n\u00e3o vivia mais uma simples polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O cen\u00e1rio era de radicaliza\u00e7\u00e3o aberta. Nem a esquerda e nem a direita queriam mais seguir as regras do jogo. O governo n\u00e3o conseguia aprovar mais nada no Congresso. Ent\u00e3o os atores pol\u00edticos decidiram desemperrar a pol\u00edtica \u00e0 for\u00e7a, fora do jogo democr\u00e1tico convencional.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194417\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194417\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Jango chega \u00e0 festa de 40\u00ba anivers\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o de Sargentos da PM, no Rio, em meio a uma crise de disciplina militar. Dois dias depois, j\u00e1 n\u00e3o era mais presidente.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194417\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/jango-sargentos\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jango-sargentos.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Arquivo Abril\" data-image-caption=\"Jango chega \u00e0 festa de 40\u00ba anivers\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o de Sargentos da PM, no Rio, em meio a uma crise de disciplina militar. Dois dias depois, j\u00e1 n\u00e3o era mais presidente.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Jango chega \u00e0 festa de 40\u00ba anivers\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o de Sargentos da PM, no Rio, em meio a uma crise de disciplina militar. Dois dias depois, j\u00e1 n\u00e3o era mais presidente. (Arquivo Abril\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Goulart n\u00e3o tinha boas alternativas \u00e0 m\u00e3o. Poderia entregar os pontos \u00e0 direita e renunciar. Poderia tamb\u00e9m dar um golpe, como quando Get\u00falio Vargas instaurou o Estado Novo, em 1937. Escolheu um terceiro caminho: usar a voz das ruas para pressionar o Congresso a aprovar as reformas. Agora, era \u201creforma na lei ou na marra\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O plano era comparecer a v\u00e1rios grandes Com\u00edcios da Reforma nas principais cidades do Pa\u00eds, com o apoio de grupos de esquerda: sindicatos, sargentos e marinheiros insubordinados liderados por Brizola, estudantes da UNE, movimentos camponeses e os comunistas do PCB, na \u00e9poca clandestino.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No dia 13 de mar\u00e7o de 1964, ocorreu o primeiro e \u00fanico Com\u00edcio das Reformas, na Central do Brasil. Reuniu cerca de 150 mil \u2013 o que n\u00e3o foi t\u00e3o dif\u00edcil, pois ocorreu no hor\u00e1rio do rush, bem ao lado dos principais terminais ferrovi\u00e1rio e rodovi\u00e1rio do Rio de Janeiro. L\u00e1, de frente ao Minist\u00e9rio da Guerra, anunciou a encampa\u00e7\u00e3o de refinarias de petr\u00f3leo privadas e a possibilidade de desapropriar terras \u00e0s margens de estradas e a\u00e7udes. Dias depois, prop\u00f4s ao Congresso uma emenda constitucional para permitir a reelei\u00e7\u00e3o do presidente e a candidatura de parentes seus. Assim, Goulart ou Brizola poderiam candidatar-se em 1965.<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box \" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">Goulart poderia renunciar ou tentar um golpe. Preferiu usar a voz das ruas para pressionar o Congresso a aprovar as reformas. Agora, a reforma era na lei ou na marra<\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A direita, por\u00e9m, tamb\u00e9m tinha ao seu lado recursos de poder valiosos. Militares de alta patente estavam preocupados com o \u201cinimigo interno\u201d comunista e com os epis\u00f3dios de quebra de hierarquia de sargentos e marinheiros. Empres\u00e1rios se incomodavam com sindicatos cada vez mais fortes e com a instabilidade econ\u00f4mica. As classes m\u00e9dias se assustavam com o discurso radical da esquerda. Latifundi\u00e1rios temiam a reforma agr\u00e1ria e o fortalecimento de movimentos camponeses.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A resposta conservadora veio em S\u00e3o Paulo, com meio milh\u00e3o na Marcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade, no dia 19 de mar\u00e7o. Menos de duas semanas depois, militares ligados a movimentos antipopulistas conduziram um golpe de Estado, que dep\u00f4s Jango. Para evitar o derramamento de sangue, Jango exilou-se, sem resist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>O POMO DA DISC\u00d3RDIA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">As reformas de base eram um grande guarda-chuva que inclu\u00eda as reformas agr\u00e1ria, pol\u00edtica, fiscal, banc\u00e1ria, urbana, administrativa e universit\u00e1ria. N\u00e3o foram definidas por completo, mas tinham algumas linhas mestras. A reforma agr\u00e1ria incluiria a desapropria\u00e7\u00e3o de terras improdutivas ou daquelas que n\u00e3o cumprissem sua fun\u00e7\u00e3o social \u2013 em especial as adjacentes a vias p\u00fablicas ou beneficiadas por investimentos da Uni\u00e3o, como a\u00e7udes. A reforma pol\u00edtica estenderia o voto a analfabetos, permitiria a reelei\u00e7\u00e3o e tiraria o PCB da clandestinidade. Tamb\u00e9m se propunham um maior controle sobre o capital estrangeiro e uma maior participa\u00e7\u00e3o do Estado na economia.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por que Jango caiu?<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>TESE 1: Golpe preventivo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Setores conservadores temiam que a press\u00e3o de movimentos sociais cada vez mais organizados levasse a reformas contr\u00e1rias a seus interesses: a desapropria\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios e o controle da remessa de lucros ao exterior. O golpe estancou esses movimentos.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Defensores:<\/strong>\u00a0Florestan Fernandes, Caio Navarro de Toledo, Jacob Gorender.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>TESE 2: Conspira\u00e7\u00e3o da direita<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O golpe foi resultado de uma grande conspira\u00e7\u00e3o capitaneada por militares anticomunistas, empres\u00e1rios, propriet\u00e1rios rurais, setores da igreja, a UDN e o capital internacional, com o apoio da CIA. Para agir, usaram o complexo Ip\u00eas-Ibad, entidades femininas conservadoras e jornais.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Defensores:<\/strong>\u00a0Ren\u00e9 Dreifuss, Helo\u00edsa Starling.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>TESE 3: Conjuntura pol\u00edtica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">As regras da democracia deixaram de ser prioridade tanto para a direita quanto para a esquerda; a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a recusa de todas as partes em construir um consenso pela governabilidade levaram ao golpe.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Defensores:<\/strong>\u00a0Wanderley Guilherme dos Santos, Argelina Figueiredo e Jorge Ferreira.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"ad-content lazyloaded\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"abrAD_dyn_masthead1\" class=\"appear\" data-appear-top-offset=\"300\" data-google-query-id=\"CJm6wsaMrNsCFTDR4QodqH4EPg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/9287\/super\/historia_3__container__\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"google_ads_iframe_\/9287\/super\/historia_3\" title=\"3rd party ad content\" src=\"https:\/\/tpc.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-27\/html\/container.html\" name=\"\" width=\"728\" height=\"90\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-forms allow-pointer-lock allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-same-origin allow-scripts allow-top-navigation-by-user-activation\" data-is-safeframe=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<section id=\"2---o-brasil-ia-virar-uma-nova-cuba-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">2. &#8220;O Brasil ia virar uma nova Cuba&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Jango era um pol\u00edtico trabalhista, n\u00e3o comunista. A luta armada s\u00f3 ganhou adeptos depois do golpe<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cMarxistas est\u00e3o organizando camponeses no Brasil\u201d, estampava a primeira p\u00e1gina do\u00a0<em>New York Times<\/em>, no dia 23 de outubro de 1960. O jornal tinha enviado seu correspondente Tad Szulc ao engenho Galileia, nos campos canavieiros de Pernambuco, onde nasceram as Ligas Camponesas \u2013 sociedades de ajuda m\u00fatua de camponeses que surgiram em 1955 com o mero intuito de prover caix\u00f5es dignos para seus mortos, mas que chegaram aos anos 1960 como o maior movimento rural do Pa\u00eds. Nas palavras exaltadas de Szulc, as Ligas tinham feito do Nordeste brasileiro um criadouro para a \u201corganiza\u00e7\u00e3o e doutrina\u00e7\u00e3o\u201d de comunistas, com objetivo de criar um \u201cex\u00e9rcito pol\u00edtico de 40 milh\u00f5es\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Essa hist\u00f3ria era familiar para a opini\u00e3o p\u00fablica americana e refletia um medo comum entre militares brasileiros \u2013 o de que comunistas estavam preparando uma guerra revolucion\u00e1ria para fazer do Brasil uma grande Cuba. A movimenta\u00e7\u00e3o das Ligas no campo e de sindicatos com dirigentes comunistas nas cidades seria um sintoma disso. Mas n\u00e3o era para tanto. Embora a revolu\u00e7\u00e3o cubana e a figura rom\u00e2ntica de Che Guevara pudessem inspirar jovens idealistas, a luta armada estava fora dos planos das esquerdas brasileiras.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194414\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194414\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana pode at\u00e9 ter inspirado jovens de esquerda, mas Jango estava muito longe de ser um l\u00edder revolucion\u00e1rio\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194414\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/guevara\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/guevara.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana pode at\u00e9 ter inspirado jovens de esquerda, mas Jango estava muito longe de ser um l\u00edder revolucion\u00e1rio\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana pode at\u00e9 ter inspirado jovens de esquerda, mas Jango estava muito longe de ser um l\u00edder revolucion\u00e1rio (Divulga\u00e7\u00e3o\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para come\u00e7ar, Jango n\u00e3o era comunista. Marxistas ortodoxos defendem o fim da propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Jango era um advogado propriet\u00e1rio de terras ga\u00fachas. Mas esse tipo de detalhe n\u00e3o importava. Nos tempos de Guerra Fria, bastava dialogar com a esquerda para ser comunista. A base eleitoral de Jango sempre foram trabalhadores e as camadas mais pobres. No Minist\u00e9rio do Trabalho de Get\u00falio (1953-1954), apoiou sindicatos, n\u00e3o reprimiu greves e tentou dobrar o sal\u00e1rio m\u00ednimo. Acabou demitido. No Planalto, aproximou-se dos movimentos sociais para pressionar o Congresso nas ruas a aprovar reformas. Acabou deposto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Seu partido, o PTB, tamb\u00e9m passava longe do comunismo. Pelo contr\u00e1rio, foi criado por Get\u00falio Vargas, em 1945, para disputar com os comunistas o eleitorado de trabalhadores urbanos. Enquanto o PCB falava em \u201cluta de classes\u201d, o PTB usava o Minist\u00e9rio do Trabalho para domesticar os sindicatos. Assim, Get\u00falio ficou para a hist\u00f3ria como \u201cpai dos pobres \u2013 e m\u00e3e dos ricos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Conforme o Pa\u00eds se industrializou, uma ala do PTB deu uma guinada em dire\u00e7\u00e3o a um nacionalismo de esquerda. Quando governou o Rio Grande do Sul (1959-1963), Brizola encampou as companhias americanas que forneciam eletricidade e telefonia no Estado, e amea\u00e7ou uma guerra civil para garantir a posse de Jango, em 1961. Mas esse nacionalismo radical n\u00e3o se confundia com comunismo. Estava muito mais pr\u00f3ximo do anti-imperialismo do eg\u00edpcio Nasser, do indiano Nehru e do indon\u00e9sio Sukarno, l\u00edderes que rejeitavam a lideran\u00e7a tanto dos EUA quanto da URSS na Guerra Fria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">At\u00e9 o velho PCB perdeu o esp\u00edrito revolucion\u00e1rio. Em 1958, o Partid\u00e3o renunciou \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o armada. Em vez de lutar contra a burguesia, seu novo objetivo era chegar ao poder pela via legal, apoiando um governo nacionalista eleito. Jango era o aliado perfeito. Uma vez no poder, o PCB passaria a lutar contra o \u201cimperialismo\u201d (o capital estrangeiro) e o \u201cfeudalismo\u201d (o latif\u00fandio). Empurrara com a barriga a \u201cditadura do proletariado\u201d, com prazo indeterminado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cCom a posse de Goulart, a ideologia do PCB parecia encontrar uma base real de sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, afirma Marcelo Ridenti, professor de sociologia da Unicamp. \u201cO chamado populismo de esquerda e o PCB tinham muitos pontos de contato. Ambos reivindicavam a liberta\u00e7\u00e3o do povo para a constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o brasileira, independente do imperialismo e livre do atraso feudal remanescente no campo.\u201d<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box with-author\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">A revolu\u00e7\u00e3o cubana foi muito bem recebida por todas as correntes ditas progressistas, Mas a ades\u00e3o \u00e0 luta armada teve pouco impacto antes do golpe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong class=\"author\">Marcelo Ridenti, soci\u00f3logo<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas a direita civil e militar tinha seus motivos para ver a radicaliza\u00e7\u00e3o de outra forma. Desde meados da d\u00e9cada de 1950, a Escola Superior de Guerra e outros\u00a0<em>think tanks<\/em>\u00a0de direita divulgavam o temor de que uma guerra n\u00e3o convencional estava em curso no Terceiro Mundo, com o objetivo de implantar o comunismo. J\u00e1 tinha acontecido na Indochina (1946), em Cuba (1956-1959) e na Arg\u00e9lia (1956-1962). Esse conflito n\u00e3o envolveria Estados, mas um \u201cinimigo interno\u201d, que agiria em todos os n\u00edveis da sociedade. Seus meios seriam a doutrina\u00e7\u00e3o, a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas e a luta armada. No Brasil, s\u00f3 faltaria o \u00faltimo elemento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Tudo ficava mais amea\u00e7ador para a direita com a popularidade da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana entre a esquerda. \u201cEla foi muito bem recebida por todas as correntes ditas progressistas no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, da esquerda cat\u00f3lica aos comunistas, dos trabalhistas aos socialistas\u201d, afirma Ridenti.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas n\u00e3o havia risco real de que se instalasse no Brasil uma Cuba do Sul. Uma coisa era celebrar o simbolismo do Davi latino contra o Golias americano. Outra coisa era pegar em armas pela revolu\u00e7\u00e3o. Enquanto o Brasil foi uma democracia, a luta armada ficou de fora. Em vez disso, a esquerda abra\u00e7ava a estrat\u00e9gia pac\u00edfica do PCB de se aliar a Jango e pressionar por reformas nas ruas. Foi somente com o golpe de 1964 que grupos debandaram do Partid\u00e3o e abra\u00e7aram o modelo de revolu\u00e7\u00e3o de Fidel Castro. Se essas pequenas e malsucedidas guerrilhas tentaram fazer do Brasil uma segunda Cuba, foi em grande parte em rea\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio golpe.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"ad-content lazyloaded\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"abrAD_dyn_masthead2\" class=\"appear\" data-appear-top-offset=\"300\"><\/div>\n<\/div>\n<section id=\"3---o-golpe-foi-obra-dos-quarteis-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">3. &#8220;O golpe foi obra dos quart\u00e9is&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Empres\u00e1rios, intelectuais e pol\u00edticos de direita participaram da conspira\u00e7\u00e3o \u2014 e da ditadura<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Lu\u00eds In\u00e1cio tinha 18 anos quando os militares derrubaram Jango. Trabalhava na metal\u00fargica Independ\u00eancia, em S\u00e3o Paulo, antes de virar Lula, o sindicalista. \u201cEu achava que o golpe era uma coisa boa\u201d, disse ao historiador Ronald Costa Couto, em 1998. \u201cEu trabalhava com v\u00e1rias pessoas de idade. E, para elas, o Ex\u00e9rcito era uma institui\u00e7\u00e3o de muita credibilidade. Eu via os velhinhos comentarem: \u2018Agora v\u00e3o consertar o Brasil, agora v\u00e3o acabar com o comunismo\u2019. Essa era a minha vis\u00e3o na \u00e9poca.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A participa\u00e7\u00e3o civil foi essencial para o sucesso do golpe de 1964. E isso n\u00e3o se limitou aos aplausos dos ing\u00eanuos, como o jovem Lula e as senhoras cat\u00f3licas que organizaram as Marchas da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade. Ainda no governo JK (1956-1960), uma rede conspirat\u00f3ria come\u00e7ou a se formar em organiza\u00e7\u00f5es patronais, como a Fiesp, e na Escola Superior de Guerra (ESG). Empres\u00e1rios, pol\u00edticos da UDN, intelectuais conservadores e militares se aproximavam para fazer campanha contra o excesso de interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia, as restri\u00e7\u00f5es para o capital estrangeiro, a amea\u00e7a de inimigos internos comunistas e a corrup\u00e7\u00e3o dos chamados pol\u00edticos \u201cpopulistas\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194420\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194420\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Jornais n\u00e3o receberam o golpe com surpresa. Pelo contr\u00e1rio, muitos ve\u00edculos eram pr\u00f3ximos dos conspiradores e comemoraram abertamente a derrubada de Jango.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194420\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/jornais\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jornais.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"Jornais n\u00e3o receberam o golpe com surpresa. Pelo contr\u00e1rio, muitos ve\u00edculos eram pr\u00f3ximos dos conspiradores e comemoraram abertamente a derrubada de Jango.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Jornais n\u00e3o receberam o golpe com surpresa. Pelo contr\u00e1rio, muitos ve\u00edculos eram pr\u00f3ximos dos conspiradores e comemoraram abertamente a derrubada de Jango. (Divulga\u00e7\u00e3o\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">JK era o alvo preferido. Ele morava em Ipanema num apartamento de um amigo banqueiro. O pr\u00e9dio foi erguido pelas empreiteiras para as quais tinha concedido a constru\u00e7\u00e3o da Ponte da Amizade. O mesmo cons\u00f3rcio tamb\u00e9m foi acusado de fazer benfeitorias num terreno que JK tinha ganhado do governo paraguaio na regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A campanha anticorrup\u00e7\u00e3o ajudou a eleger J\u00e2nio Quadros (PTN), em 1961, coligado \u00e0 conservadora UDN. Mas o vassourinha n\u00e3o durou mais que sete meses na presid\u00eancia, e sua ren\u00fancia ressuscitou o fantasma populista, na figura de Jango (PTB), agora com o apoio de movimentos sociais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Frustrada, a direita convenceu-se de que n\u00e3o dava mais para deixar a dire\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds s\u00f3 nas m\u00e3os de pol\u00edticos. Foi ent\u00e3o que aquela ampla rede conspiradora se formalizou num\u00a0<em>think tank<\/em>\u00a0de direita. Nascia o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ip\u00eas).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em dois anos, o Ip\u00eas j\u00e1 tinha cerca de 500 s\u00f3cios, incluindo Esso, Mesbla, Rhodia, Arno, Sul Am\u00e9rica, Antarctica Paulista, Varig e Light. Junto ao Instituto Brasileiro de A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica, formou o que o historiador Ren\u00e9 Dreifuss chama de \u201ccomplexo Ip\u00eas-Ibad\u201d \u2013 o principal n\u00facleo conspirador do golpe.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">QG civil<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O Ip\u00eas ocupava 13 salas no 27\u00ba andar do edif\u00edcio Avenida Central, no Rio. Publicamente, dizia promover a \u201ceduca\u00e7\u00e3o cultural, moral e c\u00edvica dos indiv\u00edduos\u201d. Em sua face vis\u00edvel, abrigou intelectuais como a escritora Rachel de Queiroz, o poeta Alceu Amoroso Lima e os economistas M\u00e1rio Henrique Simonsen, Ant\u00f4nio Delfim Netto, Ot\u00e1vio de Bulh\u00f5es e Roberto Campos. Organizava pesquisas, estudos e debates sobre economia e pol\u00edtica e publicava artigos na imprensa. Distribuiu 14 filmes de propaganda anticomunista, exibidos no cinema e em proje\u00e7\u00f5es populares em caminh\u00f5es. S\u00f3 em 1963, lan\u00e7ou 2,5 milh\u00f5es de impressos, entre livros, apostilas e folhetos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E o Ip\u00eas ia al\u00e9m da propaganda. Financiou candidatos conservadores nas elei\u00e7\u00f5es de 1962 e movimentos conservadores de estudantes, religiosos e mulheres. Manteve um relacionamento pr\u00f3ximo com jornais, r\u00e1dios e televis\u00f5es, incluindo\u00a0<em>Folha de S.Paulo<\/em>,\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>\u00a0e o grupo Di\u00e1rios Associados. No Congresso, formulou anteprojetos de lei e militou contra Jango junto \u00e0 A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Parlamentar \u2013 a frente parlamentar de direita que reuniu UDN, a direita do PSD e partidos menores.<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box with-author\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">As For\u00e7as Armadas at\u00e9 hoje s\u00e3o ressentidas com a sociedade brasileira. Ela foi uma das respons\u00e1veis pela revolu\u00e7\u00e3o de 1964, e hoje em dia a m\u00eddia n\u00e3o se cansa de nos jogar na cara que somos torturadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong class=\"author\">General Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves, ministro do Ex\u00e9rcito de Jos\u00e9 Sarney (1985-1990)<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas a articula\u00e7\u00e3o mais importante foi com os militares egressos da ESG. De l\u00e1 vieram os quadros de seu Grupo de Levantamento de Conjuntura (GLC), dirigido pelo general Golbery do Couto e Silva \u2013 um militar reconhecido por dois motivos. Um, por formular a Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional, que defendia o alinhamento do Brasil aos EUA na Guerra Fria contra o \u201cinimigo interno\u201d comunista. Outro, pelo hist\u00f3rico conspirador. Golbery participara de compl\u00f4s militares contra Get\u00falio (1954), JK (1955) e Jango (1961). Agora, p\u00f4de fazer do GLC um verdadeiro servi\u00e7o secreto a servi\u00e7o dos golpistas. Com tr\u00eas mil telefones ilegalmente grampeados, produzia relat\u00f3rios em que avaliava a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e delineava estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o dos conspiradores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mais do que desestabilizar Goulart, o Ip\u00eas gestou o embri\u00e3o do regime militar. L\u00e1 conviveram atores pol\u00edticos, econ\u00f4micos e militares que entrariam em cena na ditadura. Seus maiores colaboradores t\u00e9cnicos assumiriam os minist\u00e9rios do Planejamento e da Fazenda. Parte de seus pol\u00edticos entrou para a Arena, o partido da ditadura. E o GLC de Golbery deu origem ao Servi\u00e7o Nacional de Intelig\u00eancia (SNI). Em certa medida, o governo de Castelo Branco (1964-1967) foi gestado em pleno governo Jango, num casamento \u00edntimo entre civis e militares. O golpe esteve longe de ser uma mera quartelada.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"4---os-militares-eram-unidos-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">4. &#8220;Os militares eram unidos&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Nas For\u00e7as Armadas havia governistas, conspiradores legalistas e radicais e at\u00e9 rebeldes de esquerda<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">A facilidade em derrubar Jango pode passar a impress\u00e3o de que os militares fossem um grupo golpista homog\u00eaneo e bem coordenado. A verdade \u00e9 o oposto. Quando as tropas do general Olympio Mour\u00e3o Filho partiram de Juiz de Fora, MG, em dire\u00e7\u00e3o ao Rio, no dia 31 de mar\u00e7o, os pr\u00f3prios conspiradores foram pegos de surpresa. \u201cA insurrei\u00e7\u00e3o estava envolta numa nuvem que se parecia ora com uma quartelada sem futuro, ora com uma tempestade de boatos\u201d, escreve Elio Gaspari em\u00a0<em>A Ditadura Envergonhada<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na verdade, as For\u00e7as Armadas estavam divididas. Oficiais fi\u00e9is a Jango ocupavam os principais postos do Ex\u00e9rcito. J\u00e1 no andar de baixo, sargentos e suboficiais esquerdistas vinham amea\u00e7ando a hierarquia militar desde a Campanha da Legalidade de Brizola, em 1961.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No campo conservador, a elite militar egressa da ESG (apelidada \u201cSorbonne\u201d) juntava-se a civis no Ip\u00eas para conspirar contra Jango. Seu plano: fazer uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, para expurgar a pol\u00edtica de \u201ccorruptos\u201d e \u201csubversivos\u201d, e devolver o poder aos civis nas elei\u00e7\u00f5es seguintes. J\u00e1 oficiais de m\u00e9dia e baixa patentes se preocupavam menos com a legalidade e mais com o aprofundamento de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d anticomunista. Entraram para a hist\u00f3ria como a \u201clinha dura\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim, v\u00e1rios cen\u00e1rios golpistas poderiam se esbo\u00e7ar durante o governo de Jango. A quest\u00e3o era saber quem agiria \u2013 os sargentos insubordinados, o dispositivo militar do governo, os conspiradores da Sorbonne ou a linha dura.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194402\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194402\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/colagem.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194402\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/colagem-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/colagem.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/colagem.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/colagem.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"F\u00e1bio Dias\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(F\u00e1bio Dias\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Com a radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no in\u00edcio de 1964, grupos buscaram seus l\u00edderes. A Sorbonne cooptou o marechal Castelo Branco, exatamente por ser considerado um militar sofisticado e legalista. Chegou at\u00e9 a defender a posse de Jango em 1961, por obedi\u00eancia \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. Era a pessoa certa para que o golpe n\u00e3o se parecesse coisa de republiqueta de banana. J\u00e1 a linha dura aproximou-se do general Costa e Silva, que satisfazia a imagem de militar gorila.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O plano de Castelo, Ernesto Geisel e Golbery era coordenar uma rede de militares conspiradores. Tropas de Minas Gerais e de S\u00e3o Paulo marchariam para o Rio, e l\u00e1 tomariam o Minist\u00e9rio da Guerra. S\u00f3 que o n\u00facleo mineiro se exaltou antes da hora. O general Mour\u00e3o, \u00e0 beira da aposentadoria compuls\u00f3ria, n\u00e3o quis ficar fora da hist\u00f3ria. Com o apoio do governador de Minas, marchou no dia 31 de mar\u00e7o, mais de uma semana antes do combinado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em S\u00e3o Paulo, o comandante do 2\u00ba Ex\u00e9rcito n\u00e3o acreditava. \u201cIsso n\u00e3o passa de uma quartelada do Sr. Mour\u00e3o; n\u00e3o entrarei nela\u201d, disse o general Amaury Kruel a um emiss\u00e1rio. Enquanto o sol raiou, o golpe parecia fadado ao desastre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c0 noite, os militares governistas come\u00e7aram a debandar. Kruel ligou para o presidente pedindo que demitisse os ministros mais \u00e0 esquerda. Jango n\u00e3o consentiu. \u201cGeneral, eu n\u00e3o abandono meus amigos\u201d, disse. Ent\u00e3o Kruel o traiu, e liberou o flanco paulista do golpe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim, praticamente sem confrontos, o Ex\u00e9rcito dormiu janguista no dia 31 e acordou golpista no dia 1\u00ba de abril.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>ANARQUIA FARDADA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>28.ago.1961:<\/strong>\u00a0Oficiais do 3\u00ba Ex\u00e9rcito (Sul) e sargentos da Aeron\u00e1utica desobedecem \u00e0s ordens das For\u00e7as Armadas e aderem \u00e0 Campanha da Legalidade \u2013 um levante liderado por Brizola para defender a posse de Jango.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>12.set.1963:<\/strong>\u00a0Cerca de 600 sargentos e suboficiais da Aeron\u00e1utica e da Marinha rebelam-se em Bras\u00edlia. Ocupam pr\u00e9dios p\u00fablicos, cortam todas as comunica\u00e7\u00f5es com a capital e det\u00eam oficiais, o presidente do STF e o presidente interino da C\u00e2mara.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>25.mar.1964:<\/strong>\u00a0Quase dois mil marinheiros e fuzileiros navais comemoram o anivers\u00e1rio de sua associa\u00e7\u00e3o, ilegal por ter car\u00e1ter sindical. O ministro da Marinha envia cem fuzileiros para prend\u00ea-los. Em vez disso, aderem \u00e0 rebeli\u00e3o. O Ex\u00e9rcito interv\u00e9m e prende os l\u00edderes, mas Jango os anistia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>30.mar.1964:<\/strong>\u00a0Em seguida ao incidente da Marinha, Jango discursa na associa\u00e7\u00e3o de subtenentes e sargentos da PM carioca. Foi o \u00faltimo discurso do presidente.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"5---militares-nao-apoiavam-jango-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">5. &#8220;Militares n\u00e3o apoiavam Jango&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Oficiais Janguistas ocupavam os principais postos, enquanto os conspiradores estavam isolados<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">O governo Jango acreditava ter duas bases infal\u00edveis: um \u201cdispositivo sindical\u201d e um \u201cdispositivo militar\u201d. Para se blindar contra conspiradores militares, o presidente colocou generais fi\u00e9is a ele nos principais postos do Ex\u00e9rcito: o Minist\u00e9rio da Guerra e os comandos das principais regi\u00f5es militares brasileiras, correspondentes ao Sul e ao Sudeste.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 os generais conspiradores estavam asilados em posi\u00e7\u00f5es de pouco poder nas For\u00e7as Armadas. O general Orlando Geisel ocupava a Subdiretoria de Material de Engenharia; seu irm\u00e3o Ernesto Geisel estava na 2\u00aa Subchefia do Departamento de Provis\u00e3o Geral. Artur da Costa e Silva comandava o Departamento de Produ\u00e7\u00e3o e Obra. E Golbery passou voluntariamente para a reserva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Com governistas no comando e conspiradores isolados, nada parecia indicar que a base militar do governo derreteria praticamente sem resist\u00eancia entre a tarde de 31 de mar\u00e7o e a manh\u00e3 do 1\u00ba de abril. Mas o apoio do alto oficialato ao governo n\u00e3o era irrestrito. O ponto fraco do aparelho militar estava na condescend\u00eancia com que Jango lidava com a quebra de disciplina militar [<em>veja quadro acima<\/em>]. Altos oficiais podiam discordar entre si. Mas a maioria esteve disposta a deixar de lado temporariamente suas diferen\u00e7as quando entrou em jogo o princ\u00edpio que sustenta as For\u00e7as Armadas \u2013 a hierarquia.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"6---o-golpe-foi-criado-pelos-eua-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">6. &#8220;O golpe foi criado pelos EUA&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Os americanos ajudaram os conspiradores, mas os autores e atores do golpe foram brasileiros<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Em junho de 1962, o embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, reuniu-se com o presidente John Kennedy para discutir a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira. A Casa Branca tinha acabado de instalar um sistema de grava\u00e7\u00e3o clandestina no Sal\u00e3o Oval, e a primeira conversa interceptada colocava Jango na berlinda. \u201cCreio que uma de nossas tarefas mais importantes consiste em fortalecer a espinha militar. Ele est\u00e1 entregando o pa\u00eds aos\u2026\u201d, disse Gordon, ao que Kennedy completou: \u201caos comunistas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Essa era uma virada na rela\u00e7\u00e3o dos EUA com o Brasil. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1950, as grandes preocupa\u00e7\u00f5es dos EUA estavam longe da Am\u00e9rica Latina. A URSS desenvolvia a largos passos seu programa bal\u00edstico e espacial; a CIA orquestrava um golpe no Ir\u00e3 (1953); o ex\u00e9rcito americano entrava na Guerra da Coreia (1950-53); o Egito nacionalizava o Canal de Suez (1956), e o Vietn\u00e3 do Norte amea\u00e7ava expandir o comunismo no Sudeste Asi\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas o ano de 1961 trouxe as aten\u00e7\u00f5es dos EUA para c\u00e1. Em 1959, Fidel Castro venceu a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. O movimento causava preocupa\u00e7\u00e3o por causa de investimentos americanos na ilha, mas n\u00e3o chegava a ser uma grande amea\u00e7a geopol\u00edtica. Fidel ainda n\u00e3o tinha se convertido ao comunismo. Era apenas um l\u00edder nacionalista que derrubara o ditador Fulg\u00eancio Batista (1952-1959). Chegou mesmo a posar para foto com o ent\u00e3o vice-presidente Richard Nixon, numa viagem aos EUA, quatro meses depois da revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box with-author\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">Apesar de todo o poderio militar mobilizado pelos EUA, nenhum brasileiro, civil ou militar, participou da deposi\u00e7\u00e3o porque os EUA a desejavam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong class=\"author\">Elio Gaspari, jornalista<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Isso mudou quando Fidel nacionalizou propriedades americanas em Cuba. Em rea\u00e7\u00e3o, os EUA recrutaram cubanos em Miami para invadir Cuba pela Ba\u00eda dos Porcos. A invas\u00e3o fracassou, e levou Cuba a buscar prote\u00e7\u00e3o do \u00fanico rival militar dos EUA. Foi assim que Cuba se tornou um sat\u00e9lite sovi\u00e9tico a pouco mais de 100 km da Fl\u00f3rida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A partir da guinada comunista de Cuba, qualquer movimenta\u00e7\u00e3o de esquerda na Am\u00e9rica Latina passou a soar o alarme em Washington. Isso inclu\u00eda Jango, que, segundo os temores dos EUA, perigava de instaurar \u201cditadura pessoal e populista\u201d. Os sinais pareciam claros. J\u00e1 em 1959, Brizola encampara as companhias americanas ITT e Bond and Share no Rio Grande do Sul. Agora, Jango defendia o controle de remessas de lucros ao exterior e a nacionaliza\u00e7\u00e3o de refinarias estrangeiras. No topo disso, tinha o apoio de movimentos sociais campon\u00eas, oper\u00e1rio e estudantil e de militares rebeldes de baixa patente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por tudo isso, \u00e9 tentador afirmar que o golpe foi orquestrado pelo governo americano. Mas quem geriu a conspira\u00e7\u00e3o contra Jango n\u00e3o foram os EUA. Foram civis e militares brasileiros que desde os tempos de Get\u00falio combatiam o que chamavam \u201cpopulismo\u201d. \u201cNem as direitas eram manipuladas pelo imperialismo norte-americano, nem as esquerdas, pelo ouro ou pelo dedo de Moscou\u201d, escreve o historiador e ex-guerrilheiro Daniel Aar\u00e3o Reis, da UFF. \u201cJarg\u00f5es de \u00e9poca, de consider\u00e1vel efic\u00e1cia propagand\u00edstica, n\u00e3o d\u00e3o conta da autonomia pol\u00edtica de que dispunham as for\u00e7as antag\u00f4nicas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O professor de hist\u00f3ria americana da USP Sean Purdy tem uma avalia\u00e7\u00e3o semelhante. \u201cNenhum golpe apoiado pelos americanos teria acontecido sem que o Pa\u00eds tivesse for\u00e7as internas para articul\u00e1-lo. Os EUA t\u00eam a sua culpa, mas, tamb\u00e9m no caso do Brasil, havia parte da sociedade que apoiava a derrubada do governo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dizer que os atores do golpe foram nacionais, claro, n\u00e3o significa ignorar a simpatia com que os americanos viam os conspiradores [<em>leia abaixo<\/em>]. Eles bancaram projetos de desenvolvimento em Estados governados por opositores de Jango, acenaram apoio a qualquer golpe que derrubasse esquerdistas, financiaram o complexo Ip\u00eas-Ibad, mantiveram um interc\u00e2mbio militar e prepararam uma megaopera\u00e7\u00e3o de apoio ao golpe \u2013 que acabou n\u00e3o sendo posta em pr\u00e1tica porque os generais brasileiros derrubaram Jango antes mesmo do previsto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Assim, a ajuda americana acabou n\u00e3o sendo decisiva para o golpe. Mas, se os quart\u00e9is n\u00e3o tivessem conseguido derrubar Jango por conta pr\u00f3pria, j\u00e1 tinham um irm\u00e3o com quem contar. Dificilmente o falc\u00e3o do Norte apreciaria que a crise do governo Goulart continuasse a se agravar. Afinal, como o presidente americano Nixon diria mais tarde para o general M\u00e9dici, numa visita oficial aos EUA em 1971, \u201cpara onde o Brasil for, o resto da Am\u00e9rica Latina ir\u00e1\u201d.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">O falc\u00e3o, a on\u00e7a e as vivandeiras<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Os EUA n\u00e3o derrubaram Jango, mas foram generosos com os conspiradores civis e militares<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Alian\u00e7a para o Progresso<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nesse programa de ajuda externa, Kennedy presenteava governos latino-americanos anticomunistas com hospitais, escolas e conjuntos habitacionais. Assim, esperava neutralizar o apelo revolucion\u00e1rio de Cuba na regi\u00e3o. A Alian\u00e7a para o Progresso beneficiou governadores estaduais oposicionistas, como Carlos Lacerda (Guanabara), Lu\u00eds Magalh\u00e3es Pinto (MG) e Ademar de Barros (SP). J\u00e1 o governo de Jango ficou de fora.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194395\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194395\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/alianc3a7a-para-o-progresso.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194395\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/alianca-para-o-progresso\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/alianc3a7a-para-o-progresso.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/alianc3a7a-para-o-progresso.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/alianc3a7a-para-o-progresso.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Apoio autom\u00e1tico<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em mar\u00e7o de 1964, o coordenador da Alian\u00e7a para o Progresso, Thomas C. Mann, reuniu-se com todas as autoridades do governo americano envolvidas com Am\u00e9rica Latina. Do encontro saiu a Doutrina Mann: os EUA apoiariam qualquer governo, desde que fosse anticomunista. O\u00a0<em>New York Times<\/em>\u00a0questionou se a doutrina n\u00e3o seria carta branca para militares golpistas. Mann respondeu: \u201ccada caso \u00e9 um caso\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194396\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194396\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/apoio-automc3a1tico.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194396\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/apoio-automatico\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/apoio-automc3a1tico.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/apoio-automc3a1tico.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/apoio-automc3a1tico.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Opera\u00e7\u00e3o Brother Sam<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os EUA nunca intervieram militarmente no Brasil, mas chegaram a preparar uma opera\u00e7\u00e3o de apoio, caso os golpistas tivessem dificuldades. Mobilizaram no Caribe um porta-avi\u00f5es, um porta-helic\u00f3pteros, tropas de paraquedistas, seis contratorpedeiros com cerca de 100 toneladas de armas e quatro petroleiros. A estrutura chegaria \u00e0 costa sudeste brasileira entre 8 e 13 de abril. S\u00f3 que os militares anteciparam o golpe em uma semana, e a opera\u00e7\u00e3o foi abortada.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194423\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194423\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/operac3a7c3a3o-brother-sam.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194423\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/operacao-brother-sam\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/operac3a7c3a3o-brother-sam.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/operac3a7c3a3o-brother-sam.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/operac3a7c3a3o-brother-sam.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Financiamento \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 1962, o embaixador Lincoln Gordon e o presidente Kennedy concordaram em n\u00e3o derrubar Jango \u2013 mas, por via das d\u00favidas, mantiveram a carta golpista no baralho. O ano era de elei\u00e7\u00f5es legislativas, e os americanos liberaram uma enxurrada de d\u00f3lares para pol\u00edticos brasileiros de oposi\u00e7\u00e3o. A verba teria ajudado mais de 200 candidatos ao Senado, C\u00e2mara Federal e Assembleias Estaduais.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194412\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194412\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/financiamento.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194412\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/financiamento\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/financiamento.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/financiamento.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/financiamento.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Interc\u00e2mbio militar<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Militares brasileiros e americanos iniciaram um conv\u00edvio pr\u00f3ximo ainda em 1944, quando o Brasil enviou a For\u00e7a Expedicion\u00e1ria \u00e0 It\u00e1lia. Centenas foram estudar na Escola das Am\u00e9ricas, centro de treinamento dos EUA no Panam\u00e1, e no National War College. Em 1962, os EUA enviaram ao Rio como adido militar Vernon Walters, veterano da 2\u00aa Guerra, que chegou a dividir quarto com o futuro presidente Castelo Branco.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194416\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194416\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/intercc3a2mbio-militar.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194416\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/intercambio-militar\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/intercc3a2mbio-militar.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/intercc3a2mbio-militar.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/intercc3a2mbio-militar.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Propaganda<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os EUA foram financiadores de primeira ordem do complexo oposicionista Ip\u00eas-Ibad, que produzia propaganda anticomunista e contra Jango no r\u00e1dio, na TV, no cinema e na imprensa. Tamb\u00e9m distribu\u00eda livros para oficiais e projetava filmes doutrinadores em quart\u00e9is, bases, escolas e navios. S\u00f3 em 1963, foram realizadas 1.706 proje\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194426\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194426\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/propaganda.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194426\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/propaganda-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/propaganda.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/propaganda.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/propaganda.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"7---a-ditadura-brasileira-foi-branda-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">7. &#8220;A ditadura brasileira foi branda&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Os generais queriam parecer leg\u00edtimos, mas endureceram o regime, que durou mais de duas d\u00e9cadas<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">A ditadura militar brasileira matou pelo menos 434 pessoas por motivos pol\u00edticos. \u00c9 menos que os 3.065 da ditadura chilena (1973-1990) e os estimados 30 mil da ditadura argentina (1976-1983). O Congresso permaneceu aberto, com exce\u00e7\u00e3o de tr\u00eas per\u00edodos que somam menos de um ano, e as elei\u00e7\u00f5es legislativas ocorreram conforme o calend\u00e1rio. E n\u00e3o houve uma ditadura pessoal, como aconteceu no Chile, com Augusto Pinochet (1973-1990), no Paraguai, com Alfredo Stroessner (1954-1989), ou mesmo no Estado Novo, com Get\u00falio Vargas (1937-1945).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 por compara\u00e7\u00f5es assim que algumas pessoas consideram o regime militar uma \u201cditabranda\u201d. Engano. Na verdade, a ditadura se empenhou exatamente em manter uma aura de legitimidade. Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es dos generais era n\u00e3o fazer o Brasil parecer mais uma republiqueta bananeira. Mas por tr\u00e1s da aparente brandura escondia-se a dureza.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194403\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194403\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"O general Costa e Silva assina o AI-1. Uma semana depois, Castelo Branco assume a presid\u00eancia.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194403\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/costa-e-silva\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/costa-e-silva.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"O general Costa e Silva assina o AI-1. Uma semana depois, Castelo Branco assume a presid\u00eancia.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">O general Costa e Silva assina o AI-1. Uma semana depois, Castelo Branco assume a presid\u00eancia. (Divulga\u00e7\u00e3o\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para come\u00e7ar, os assassinatos pol\u00edticos e a tortura. Todos os generais presidentes negavam a pr\u00e1tica, como se fossem resultado da a\u00e7\u00e3o de alguns poucos radicais. Mas foram n\u00e3o apenas omissos com abusos, como tamb\u00e9m chancelaram a cria\u00e7\u00e3o do sistema DOI-Codi, que fez da tortura e do exterm\u00ednio uma pol\u00edtica de Estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O Congresso tamb\u00e9m permaneceu aberto a maior parte da ditadura. Mas isso s\u00f3 foi permitido com o fim dos partidos pol\u00edticos, a cassa\u00e7\u00e3o de 173 deputados e a perda dos direitos pol\u00edticos de 509 opositores. Como se n\u00e3o bastasse, toda vez que a oposi\u00e7\u00e3o amea\u00e7ava crescer, os militares alteravam a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral no meio do jogo. Assim, era f\u00e1cil dar a impress\u00e3o de haver disputa pol\u00edtica \u2013 e, ao mesmo tempo, impedir qualquer altern\u00e2ncia no poder.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A ditadura ainda manteve o acesso \u00e0 Justi\u00e7a, mas s\u00f3 para os crimes comuns. J\u00e1 os crimes pol\u00edticos, enquadrados na Lei de Seguran\u00e7a Nacional, foram levados para a Justi\u00e7a Militar. E, conforme a m\u00e1xima atribu\u00edda a Georges Clemenceau, \u201ca Justi\u00e7a Militar est\u00e1 para a Justi\u00e7a assim como a m\u00fasica militar est\u00e1 para a m\u00fasica\u201d.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Opera\u00e7\u00e3o limpeza<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nenhum presidente desse per\u00edodo foi democr\u00e1tico, mas alguns se preocupavam mais com a legitimidade do que outros. Castelo Branco planejava uma r\u00e1pida limpeza para retirar da pol\u00edtica os que considerava \u201csubversivos\u201d ou \u201ccorruptos\u201d. Em seguida, convocaria elei\u00e7\u00f5es diretas e devolveria o Pa\u00eds aos civis. N\u00e3o \u00e9 de surpreender que Carlos Lacerda, pr\u00e9-candidato pela UDN, tenha saudado o golpe com l\u00e1grimas: \u201cObrigado, meu Deus, muito obrigado!\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em vez de jogar fora a Constitui\u00e7\u00e3o de 1946, a ditadura inventou uma jabuticaba jur\u00eddica: o Ato Institucional, que fazia a chamada \u201crevolu\u00e7\u00e3o vitoriosa\u201d caber no ordenamento jur\u00eddico anterior. Apesar de acabar com a elei\u00e7\u00e3o presidencial direta e permitir expurgos pol\u00edticos, o AI n\u00e3o eliminava direitos civis como a liberdade de express\u00e3o e a garantia de\u00a0<em>habeas corpus<\/em>, mesmo em casos de crime pol\u00edtico.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>NA DITADURA OCORRERAM<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u2013 6.016 den\u00fancias de tortura<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u2013 434 mortos ou desaparecidos<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Originalmente, o AI n\u00e3o tinha n\u00famero \u2013 afinal, deveria ser um s\u00f3. Mas a ditadura outorgou 17. Isso porque os militares n\u00e3o se limitavam ao aparente legalismo de Castelo. Os generais eram um grupo heterog\u00eaneo. Eles sabiam muito bem o que n\u00e3o queriam: corruptos, populistas e comunistas. Mas n\u00e3o concordavam sobre o que queriam. Enquanto os castelistas mantinham certos pudores constitucionais, a linha dura pressionou pelo aprofundamento da ditadura. E conseguiu. Em outubro de 1965, o presidente j\u00e1 assinava o AI-2, que instaurava de vez as elei\u00e7\u00f5es indiretas, aumentava os poderes do presidente e acabava com os partidos pol\u00edticos. Agora, era s\u00f3 a Arena, governista, e o MDB, oposi\u00e7\u00e3o consentida pelo governo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cCastelo realmente pensava que poderia encerrar o per\u00edodo revolucion\u00e1rio; queria a elei\u00e7\u00e3o de um presidente civil, da \u00e1rea pol\u00edtica, para que o Pa\u00eds entrasse em regime normal\u201d, disse Ernesto Geisel a pesquisadores do CPDOC, da FGV. \u201cIsso tudo foi obstado, porque os mais radicais, que n\u00f3s chamamos de linha dura, exerceram press\u00f5es, envolvendo os pr\u00f3prios pol\u00edticos, que por sua vez preferiram eleger o Costa e Silva.\u201d<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Ano rebelde<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Conforme o regime militar se prolongava, o apoio da popula\u00e7\u00e3o diminu\u00eda. O milagre econ\u00f4mico ainda n\u00e3o tinha come\u00e7ado, os sal\u00e1rios vinham caindo, e Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha sequer passado da primeira fase na Copa de 1966. A aura de legitimidade se apagava. Apoiado pela linha dura, Costa e Silva tomou posse em mar\u00e7o de 1967, cheio de ambiguidades. Ao Congresso, prometia abertura; aos militares, continua\u00e7\u00e3o do regime. Enquanto isso, o movimento estudantil se organizava para demandar novas liberdades, e a esquerda armada come\u00e7ava a se mobilizar. Em abril, o regime desmontava a Guerrilha do Capara\u00f3, liderada por Brizola. Em agosto, o l\u00edder comunista Carlos Marighella participava em Havana de uma confer\u00eancia de guerrilhas latino-americanas. No final do ano, abandonou o PCB, que continuava contra as armas, e formou a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN), maior grupo guerrilheiro da \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194397\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194397\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/arena.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/arena.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/arena.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/arena.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/arena.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Conven\u00e7\u00e3o da Arena, em 1966. 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O partido era a base do regime no Congresso\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Conven\u00e7\u00e3o da Arena, em 1966. O partido era a base do regime no Congresso (Divulga\u00e7\u00e3o\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Era quest\u00e3o de tempo para o Pa\u00eds entrar em convuls\u00e3o. O gatilho do ano rebelde veio em mar\u00e7o de 1968, quando a pol\u00edcia matou a tiros o secundarista Edson Lu\u00eds num protesto contra os pre\u00e7os do Calabou\u00e7o, um restaurante estudantil no centro do Rio. Isso desencadeou uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es contra o regime a que se uniram estudantes, artistas, religiosos, pol\u00edticos de oposi\u00e7\u00e3o. O fantasma das greves tamb\u00e9m assombrou em Contagem (MG), Osasco e S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), e a guerrilha urbana come\u00e7ava a escalar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Membros da ALN assaltavam bancos, passando-se por criminosos comuns. Na madrugada de 26 de junho, a Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR) lan\u00e7ou um caminh\u00e3o com 15 quilos de dinamite contra o Quartel General do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, pr\u00f3ximo ao Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo. Matou o soldado M\u00e1rio Kozel Filho e feriu outros seis militares. Por outro lado, militares indisciplinados estouravam bombas em teatros, universidades e miss\u00f5es diplom\u00e1ticas de pa\u00edses socialistas, e grupos de extrema-direita agrediam artistas e estudantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A linha dura pressionava no vai ou racha. Usando como pretexto um discurso do deputado Moreira Alves, que defendia a desobedi\u00eancia civil contra militares, Costa e Silva baixou na sexta-feira 13 de dezembro de 1968 o AI-5. Agora, o presidente poderia fechar o Congresso, intervir nos Estados e munic\u00edpios, cassar mandatos e suspender a garantia do\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0\u2013 tudo sem aprecia\u00e7\u00e3o judicial. A ditadura se escancarava.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Capit\u00e3es do mato<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os grupos armados eram uma novidade para a qual os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a estaduais n\u00e3o estavam preparados. Agora, com os poderes excepcionais garantidos pelo AI-5, a ditadura p\u00f4de criar uma nova estrutura repressiva, especializada no combate a organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. O prot\u00f3tipo surgiria em S\u00e3o Paulo, em junho de 1969: a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A Oban, sediada a cinco minutos do Quartel General do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, integrava For\u00e7as Armadas, PF, SNI, SSP, Dops, Guarda Civil Metropolitana e For\u00e7a P\u00fablica de SP num \u00fanico organismo aut\u00f4nomo e extraoficial. Era uma anomalia que atravessava a hierarquia militar. Sem dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria oficial, dependeu de doa\u00e7\u00f5es de empres\u00e1rios e pol\u00edticos paulistas para virar realidade.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>PUNI\u00c7\u00d5ES POL\u00cdTICAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u2013 154 militares transferidos para a reserva<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u2013 752 militares reformados<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u2013 509 suspens\u00f5es de direitos pol\u00edticos<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u2013 1.784 demiss\u00f5es<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u2013 1.167 aposentadorias<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u2013 566 mandatos cassados<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u2013 443 outras puni\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Um de seus funcion\u00e1rios mais not\u00f3rios foi o delegado da Pol\u00edcia Civil S\u00e9rgio Paranhos Fleury, l\u00edder do Esquadr\u00e3o da Morte, grupo que ganhou celebridade por executar criminosos comuns. Somado a ele estavam policiais do Departamento Estadual de Investiga\u00e7\u00f5es Criminais, conhecido pelo uso de tortura em interrogat\u00f3rios. Agora, seus variados m\u00e9todos foram incorporados ao combate \u00e0 subvers\u00e3o. As den\u00fancias de tortura subiram de 308, somadas de 1964 a 1968, para 1.027 em 1969.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici (1969-1974) assumiu a presid\u00eancia em 30 de outubro. Satisfeito com os resultados da Oban, decidiu institucionaliz\u00e1-la e replic\u00e1-la nas outras regi\u00f5es militares do Pa\u00eds. Assim, criou os Centros de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (Codi), respons\u00e1veis pelo planejamento de opera\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o pol\u00edtica, e os Destacamentos de Opera\u00e7\u00f5es e Informa\u00e7\u00f5es (DOI), encarregados de colocar essas opera\u00e7\u00f5es em pr\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cFoi a mesma coisa que matar uma mosca com um pil\u00e3o\u201d, disse o general Adyr Fi\u00faza de Castro, fundador do CIE e chefe do Codi do Rio, a pesquisadores do CPDOC da FGV. \u201cO m\u00e9todo mata a mosca, pulveriza a mosca, esmigalha a mosca, quando, \u00e0s vezes, apenas com um abano \u00e9 poss\u00edvel matar aquela mosca ou espant\u00e1-la.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No in\u00edcio, o DOI-Codi se dedicava a desmontar as organiza\u00e7\u00f5es armadas recorrendo \u00e0 tortura. S\u00e3o Paulo, por\u00e9m, mostrou novamente seu vanguardismo em janeiro de 1971, quando o general Humberto de Sousa Melo, comandante do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, adotou o exterm\u00ednio e o desaparecimento de corpos como m\u00e9todo padr\u00e3o da repress\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Assim se institucionalizou o \u201cdesaparecimento\u201d pol\u00edtico \u2013 tarefa realizada com o aux\u00edlio de centros clandestinos de tortura e assassinato, cuja cria\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel pela grande autonomia dada ao DOI-Codi.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No in\u00edcio de 1974, a luta armada urbana estava desarticulada, com militantes presos, banidos, exilados, mortos ou desaparecidos. No campo, restava a Guerrilha do Araguaia, que seria dizimada ao final do mesmo ano.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Lenta e insegura<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Sem mais desculpas para o chumbo, o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) anunciou em agosto uma pol\u00edtica de \u201cdistens\u00e3o lenta, gradual e segura\u201d. Mas restava um grande problema \u2013 o bloco an\u00e1rquico nas comunidades de seguran\u00e7a e informa\u00e7\u00f5es, ou, como Elio Gaspari prefere dizer, a \u201ctigrada\u201d. A autonomia dada a esses insubordinados da direita militar transformou-os num poder paralelo. Agora, sem rebeldes para reprimir, a tigrada perdia a raz\u00e3o de ser. S\u00f3 uma coisa poderia livr\u00e1-la da extin\u00e7\u00e3o: um novo inimigo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE), o novo inimigo do regime era a paz. Sim. O clima de tranquilidade que seguiu \u00e0 derrota da esquerda armada seria apenas uma ilus\u00e3o criada pelas esquerdas. Sua verdadeira inten\u00e7\u00e3o seria desarmar o esp\u00edrito dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a para derrot\u00e1-lo. Assim, a repress\u00e3o seria necess\u00e1ria com ou sem a a\u00e7\u00e3o do \u201cinimigo interno\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194411\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194411\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"For\u00e7a P\u00fablica leva estudantes do Congresso da UNE ao pres\u00eddio Tiradentes.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194411\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/estudantes\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"For\u00e7a P\u00fablica leva estudantes do Congresso da UNE ao pres\u00eddio Tiradentes.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">For\u00e7a P\u00fablica leva estudantes do Congresso da UNE ao pres\u00eddio Tiradentes. (Divulga\u00e7\u00e3o\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 o DOI-Codi de S\u00e3o Paulo elegeu como novo inimigo o velho e decadente PCB \u2013 exatamente aquele que tinha renunciado \u00e0s armas ainda em 1958. O DOI-Codi iniciou uma s\u00e9rie de pris\u00f5es, torturas e assassinatos que desembocaram na morte do diretor de jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, em outubro de 1975. O jornalista foi torturado at\u00e9 morrer. Depois, seu corpo foi preso pelo pesco\u00e7o com uma cinta a uma janela de 1,63 metro, para simular suic\u00eddio. Passados tr\u00eas meses, o metal\u00fargico Manuel Fiel Filho foi morto em condi\u00e7\u00f5es semelhantes a Herzog.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Pegou mal. A essa altura, um amplo movimento encabe\u00e7ado pela Igreja Cat\u00f3lica escancarava para o mundo que a ditadura torturava e matava. Estava claro para Geisel que seu maior inimigo n\u00e3o era mais a esquerda \u2013 que se convertera \u00e0 campanha pela redemocratiza\u00e7\u00e3o -, mas a tigrada an\u00e1rquica nas For\u00e7as Armadas. Um dos tigres mais amea\u00e7adores era o ministro do Ex\u00e9rcito, general Sylvio Frota, que tentava articular a pr\u00f3pria candidatura \u00e0 sucess\u00e3o presidencial com o apoio da linha dura. Geisel demitiu-o em 1977.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Coito rompido<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nas elei\u00e7\u00f5es de 1974, candidatos puderam, pela primeira vez na ditadura, participar de debates em r\u00e1dio e televis\u00e3o. O resultado assustou Geisel. O MDB dobrou sua bancada na C\u00e2mara, com 161 dos 364 assentos; no Senado, conquistou 16 das 22 vagas em disputa. O resultado indicava uma abertura mais r\u00e1pida do que o previsto na \u201cdistens\u00e3o lenta, gradual e segura\u201d de Geisel. Ent\u00e3o, ele fez o que a ditadura fazia melhor \u2013 mudar as regras no meio do jogo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Nas elei\u00e7\u00f5es seguintes, de 1976, candidatos foram obrigados a limitar sua propaganda \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de uma fotografia e \u00e0 narra\u00e7\u00e3o de seu curr\u00edculo. Era o t\u00e9dio contra a democracia. No ano seguinte, Geisel fechou o Congresso e imp\u00f4s o \u201cPacote de Abril\u201d. Com ele, um ter\u00e7o dos senadores seria eleito indiretamente; Estados governistas ganharam representa\u00e7\u00e3o proporcionalmente maior na C\u00e2mara, e o mandato presidencial do presidente seguinte passou para seis anos. Com isso, Geisel conseguiu que o Congresso elegesse seu candidato \u2013 Jo\u00e3o Baptista Figueiredo (1979-1985). Mas a abertura continuou.<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box with-author\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">Castelo realmente pensava que poderia encerrar o per\u00edodo \u2018revolucion\u00e1rio\u2019. Isso foi obstado porque os mais radicais pressionaram a eleger Costa e Silva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong class=\"author\">General Ernesto Geisel<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dias depois da elei\u00e7\u00e3o, o Congresso derrubou todos os Atos Institucionais \u2013 inclusive o AI-5. Em agosto de 1979, Figueiredo assinou a Lei da Anistia, v\u00e1lida tanto para militantes presos e torturados durante o regime quanto para os agentes da repress\u00e3o. E os partidos voltaram \u00e0 legalidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Militares radicais continuaram a agir, mas de forma cada vez mais clandestina. Explodiram bancas que vendiam publica\u00e7\u00f5es de esquerda. Em agosto de 1980, enviaram uma carta-bomba ao presidente da OAB; a secret\u00e1ria abriu e morreu. Um dos autores da carta morreu no ano seguinte, com uma bomba em seu colo, num Puma estacionado no Centro de Conven\u00e7\u00f5es Riocentro. A poucos metros, 20 mil pessoas assistiam a um show em comemora\u00e7\u00e3o ao Dia do Trabalhador, com m\u00fasicos de esquerda. Para n\u00e3o comprar briga com os militares que apoiavam os atentados, Figueiredo fez vista grossa \u00e0 obstru\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es do Riocentro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em seus estertores, a ditadura tinha um governo desmoralizado, uma economia em franca recess\u00e3o, uma C\u00e2mara com 51% dos deputados na oposi\u00e7\u00e3o e um acumulado de 6.016 den\u00fancias de tortura e centenas de mortos e desaparecidos. A ditadura brasileira foi longa, dura e sem ternura.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\">\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>CASSA\u00c7\u00d5ES NA C\u00c2MARA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">MDB \u2013 76<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">PTB \u2013 37<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Arena \u2013 31<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">PSD \u2013 9<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">PSP \u2013 7<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">UDN \u2013 3<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">PDC \u2013 3<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Total \u2013 166<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"8---a-arena-so-dizia-sim-aos-militares-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">8. &#8220;A Arena s\u00f3 dizia sim aos militares&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: A agremia\u00e7\u00e3o governista chegou a desafiar os militares. Mas o resultado foi desastroso<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c0s v\u00e9speras do Dia da Independ\u00eancia, o deputado M\u00e1rcio Moreira Alves (MDB) bradava na C\u00e2mara um discurso instando a desobedi\u00eancia civil. \u201cA presen\u00e7a dos seus filhos nesse desfile \u00e9 o aux\u00edlio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas!\u201d Era 2 de setembro de 1968, \u00e9poca em que as manifesta\u00e7\u00f5es contra a ditadura viviam seu auge. Em seguida, Moreira Alves sugeriu que namoradas de cadetes e de jovens oficiais aderissem \u00e0 resist\u00eancia. \u201cSeria preciso que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada \u00e0 porta de sua casa \u00e0queles que vilipendiam-nas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A imprensa ignorou a fala. Passadas mais de duas semanas, militares distribu\u00edram o discurso pelos quart\u00e9is, afirmando que as For\u00e7as Armadas vinham sendo humilhadas e enxovalhadas pelo Congresso. O procurador-geral da Rep\u00fablica entrou com um pedido para cassar o mandato de Moreira Alves. Quando, por\u00e9m, o pedido foi a plen\u00e1rio na C\u00e2mara, no dia 12 de dezembro, uma ala da Arena egressa da UDN votou contra \u2013 inclusive o presidente nacional da Arena, o senador Daniel Krieger. O pedido do governo foi derrotado por desmoralizantes 216 a 141.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cSeguiu-se verdadeiro pandem\u00f4nio no plen\u00e1rio da C\u00e2mara\u201d, relata o brasilianista americano Thomas Skidmore. \u201cAlgu\u00e9m come\u00e7ou a cantar o hino nacional e todos fizeram o mesmo. Os deputados congratulavam-se mutuamente por sua coragem. A emo\u00e7\u00e3o de haverem desafiado os militares era contagiante.\u201d Essa foi a mais memor\u00e1vel demonstra\u00e7\u00e3o de autonomia da Arena, que em setembro j\u00e1 tinha protestado na C\u00e2mara contra a repress\u00e3o policial na Universidade de Bras\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A rea\u00e7\u00e3o militar, por\u00e9m, j\u00e1 viria na noite seguinte, em 13 de dezembro de 1968, com o AI-5. O Congresso ficou fechado at\u00e9 outubro de 1969.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"9---o-governo-castelo-foi-moderado-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">9. &#8220;O governo Castelo foi moderado&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Apesar do suposto legalismo, Castelo foi omisso com a tortura, perseguiu pol\u00edticos e cedeu para a linha dura<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Mesmo depois de assinar o Ato Institucional, Castelo conservava uma \u00e1urea de legalismo. \u201cCada epis\u00f3dio fora da lei \u00e9 um passo atr\u00e1s na opini\u00e3o p\u00fablica e uma restri\u00e7\u00e3o no estrangeiro\u201d, escreveu em setembro de 1964. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, seu governo foi o in\u00edcio de um gradual fechamento pol\u00edtico. \u201cCastelo Branco foi complacente com as arbitrariedades da linha dura\u201d, afirma o historiador da Carlos Fico, da UFRJ. \u201cEle n\u00e3o teve for\u00e7as para enfrent\u00e1-la e permitiu, assim, que o grupo de press\u00e3o fosse conquistando, paulatinamente, mais espa\u00e7o e poder.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O AI foi pensado para ser \u00fanico, como j\u00e1 dissemos. Castelo outorgou quatro e abriu espa\u00e7o para que seus sucessores assinassem outros 13. Acabou com os partidos pol\u00edticos, que tiveram que se reorganizar entre a Arena, governista, e o MDB, de oposi\u00e7\u00e3o consentida. Cassou 386 mandatos e demitiu 2 mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos por motivos pol\u00edticos. Sancionou a cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) e decretou uma Lei de Imprensa restritiva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A tortura durante o governo Castelo \u00e9 particularmente subestimada. O instrumento b\u00e1sico para os militares investigarem suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o e subvers\u00e3o eram os Inqu\u00e9ritos Policiais Militares (IPMs). A autonomia dos IPMs deu poder \u00e0 linha dura e permitiu que algumas guarni\u00e7\u00f5es militares recorressem \u00e0 tortura muito antes da cria\u00e7\u00e3o da Oban e dos DOI-Codi. Houve 203 den\u00fancias em 1964, sobretudo no Nordeste, SP e RJ. O n\u00famero depois caiu, muito por conta de uma campanha da imprensa, quando ainda n\u00e3o havia censura pr\u00e9via. Ainda assim, n\u00e3o houve puni\u00e7\u00e3o aos torturadores, e a garantia de impunidade serviu de bandeira verde para a linha dura no futuro.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"10---brasil-e-eua-eram-aliados-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">10. &#8220;Brasil e EUA eram aliados&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Depois de uma breve aproxima\u00e7\u00e3o no governo Castelo, os atritos entre os dois pa\u00edses s\u00f3 cresceram<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Em maio de 1964, Castelo Branco rompeu rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Cuba. Depois, anulou a Ordem do Cruzeiro do Sul que J\u00e2nio Quadros concedera a Che Guevara tr\u00eas anos antes. N\u00e3o faltaram gestos simb\u00f3licos para Castelo demonstrar seu alinhamento aos EUA. E, \u00e0s v\u00e9speras do primeiro anivers\u00e1rio do golpe, viria um ato concreto \u2013 o envio de 1.250 militares brasileiros \u00e0 Rep\u00fablica Dominicana. O pa\u00eds caribenho passava por uma guerra civil, e os EUA temiam que se tornasse uma nova Cuba. Para n\u00e3o intervirem sozinhos, os EUA buscaram parceiros na Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA). Tiveram ades\u00e3o de Honduras, Paraguai, Nicar\u00e1gua, Costa Rica, El Salvador \u2013 e Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Foi assim que, durante o curto governo de Castelo, o Brasil se sujeitou a ser um s\u00f3cio minorit\u00e1rio no polo ocidental da Guerra Fria. Trocou o termo \u201cindepend\u00eancia\u201d por \u201cinterdepend\u00eancia\u201d. Esperava-se que, com o alinhamento, viessem a moderniza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas, vantagens comerciais e investimentos estrangeiros. Para o ent\u00e3o chanceler Juracy Magalh\u00e3es, \u201co que \u00e9 bom para os EUA \u00e9 bom para o Brasil\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O problema \u00e9 que, em meados da d\u00e9cada de 1960, o Brasil n\u00e3o oferecia muito aos EUA. Por exemplo, o embaixador americano no Vietn\u00e3 do Sul pediu, em 1965, tropas brasileiras para a guerra contra os vietcongues. O ent\u00e3o ministro da Guerra, Costa e Silva, negou o pedido. Foi o sinal de que o alinhamento n\u00e3o era unanimidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-194422 size-full\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194422\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/mickey-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mickey.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Corre\u00e7\u00e3o de rumos<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O alinhamento de Castelo n\u00e3o passou de um passo fora da cad\u00eancia na pol\u00edtica externa brasileira. At\u00e9 o golpe, o Brasil n\u00e3o pendia para nenhum dos lados da Guerra Fria \u2013 estava mais interessado em exportar e atrair investimentos do que em julgar a pol\u00edtica dom\u00e9stica alheia. Bastou Costa e Silva tomar posse, em 1967, para que conceitos de \u201cinterdepend\u00eancia\u201d e \u201cocidentalismo\u201d fossem substitu\u00eddos gradativamente por \u201csoberania\u201d e \u201cdesenvolvimento\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A mudan\u00e7a teve seu pre\u00e7o, e as rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e EUA esfriaram rapidamente. A primeira bordoada veio quando Costa e Silva n\u00e3o foi \u00e0 reuni\u00e3o da OEA de 1967 sobre seguran\u00e7a coletiva \u2013 tema que causa repulsa em qualquer soberanista. Em 1968, o general recusou-se a assinar o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TNP) \u2013 acordo que obrigaria o Brasil a renunciar a um programa nuclear b\u00e9lico, sem cobrar o mesmo das pot\u00eancias nucleares. Os EUA, por sua vez, compraram brigas comerciais contra o caf\u00e9 sol\u00favel, os t\u00eaxteis e o a\u00e7\u00facar brasileiros. As rela\u00e7\u00f5es pioraram no governo M\u00e9dici, quando o Brasil estendeu seu mar territorial para 200 milhas, contrariando os interesses de pesqueiros americanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Com a primeira crise do petr\u00f3leo, o governo Geisel abra\u00e7ou de vez o universalismo dos tempos de J\u00e2nio e Jango. Com o petr\u00f3leo caro e as exporta\u00e7\u00f5es prejudicadas pelo protecionismo americano, Geisel correu atr\u00e1s de novos parceiros. Da Europa Ocidental e do Jap\u00e3o vieram investimentos. Dos \u00e1rabes, petr\u00f3leo e petrod\u00f3lares. O Brasil estabeleceu rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a China comunista (1974), fortaleceu o com\u00e9rcio com o Leste Europeu e reconheceu imediatamente a independ\u00eancia de Angola e Mo\u00e7ambique, governados por marxistas. Em 1975, assinou um acordo nuclear com a Alemanha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em resposta, o presidente Jimmy Carter (1976-1980) lan\u00e7ou uma cruzada pelos direitos humanos. Nas palavras de Carter, o apoio \u00e0 ditadura brasileira tinha sido \u201cum exemplo da pior face da pol\u00edtica externa americana\u201d. Geisel considerou a fala uma inger\u00eancia nos assuntos internos, e denunciou um acordo militar que havia assinado com os EUA ainda em 1952. Era o ponto mais baixo da rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses. Embora convidado, Geisel nunca visitou os EUA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas distanciamento n\u00e3o significa hostilidade. Os EUA continuaram a ver o Brasil como uma pot\u00eancia capaz de promover estabilidade na Am\u00e9rica Latina. Conforme Richard Nixon (1969-1974) tinha dito a M\u00e9dici, \u201caonde o Brasil for, o resto da Am\u00e9rica Latina vai tamb\u00e9m\u201d. E, de fato, v\u00e1rias ditaduras latino-americanas seguiram a brasileira na d\u00e9cada de 1970.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Quando os generais irritaram os EUA<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1968<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Tratado at\u00f4mico<br \/>\n<\/strong>Costa e Silva recusa-se a assinar o TNP. O tratado dividiu o mundo em dois: as pot\u00eancias nucleares, que n\u00e3o se comprometiam a se desarmar, e o resto, que s\u00f3 teria acesso a tecnologias pac\u00edficas se renunciassem a esse tipo de arma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1970<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Expans\u00e3o marinha<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O Brasil estendeu seu mar territorial de 12 para 200 milhas; isso agradou \u00e0 opini\u00e3o interna e aos pa\u00edses litor\u00e2neos em desenvolvimento, mas irritou pot\u00eancias pesqueiras como os escandinavos, Jap\u00e3o, Inglaterra, Fran\u00e7a e os EUA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1975<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Acordo nuclear<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Depois de os EUA suspenderem o fornecimento de ur\u00e2nio enriquecido, o Brasil assinou com a Alemanha um acordo nuclear que transferia tecnologia, mesmo sem assinar o TNP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1975<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Antissionismo<br \/>\n<\/strong>Na ONU, o Brasil defendeu a soberania do povo palestino e a retirada de Israel dos territ\u00f3rios ocupados. Tamb\u00e9m votou pela condena\u00e7\u00e3o do sionismo como \u201cuma forma de racismo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1975<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Guinada africana<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O Brasil reconheceu no instante a independ\u00eancia de ex-col\u00f4nias portuguesas na \u00c1frica \u2013 inclusive Angola e Mo\u00e7ambique, governados por marxistas.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"11---a-tortura-foi-excesso-de-poucos-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">11. &#8220;A tortura foi excesso de poucos&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Os abusos foram uma pr\u00e1tica sistem\u00e1tica, feitos em instala\u00e7\u00f5es do Estado por m\u00e3os especializadas<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cSe houve a tortura no regime militar, ela foi feita pelo pessoal de baixo, porque n\u00e3o acredito que um general fosse capaz de uma coisa t\u00e3o suja\u201d, disse Jo\u00e3o Baptista Figueiredo ao\u00a0<em>Estado de S.Paulo<\/em>, em 1996. Parece estranho que um ex-chefe do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI) e ex-presidente da Rep\u00fablica se mostrasse t\u00e3o desinformado sobre como a ditadura coletava intelig\u00eancia sobre a esquerda. Mas foi exatamente essa omiss\u00e3o nos altos escal\u00f5es e a autonomia da comunidade de seguran\u00e7a que permitiram que a tortura tenha sido uma pr\u00e1tica sistem\u00e1tica na ditadura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">De 1964 a 1968, os focos de abusos eram os Inqu\u00e9ritos Policiais Militares (IPMs), sobretudo no Nordeste. Segundo um despacho do SNI, n\u00e3o passavam de \u201cmanifesta\u00e7\u00f5es emocionais da linha dura\u201d. Como nessa \u00e9poca ainda n\u00e3o havia censura pr\u00e9via, os casos come\u00e7aram a pipocar, e o jornal\u00a0<em>Correio da Manh\u00e3<\/em>\u00a0iniciou uma campanha contra a tortura nos IPMs. Preocupado em manter a aura de legalidade de seu governo, Castelo Branco mandou Ernesto Geisel investigar os casos. Nenhum torturador foi punido. Mas o n\u00famero de den\u00fancias caiu de 203, em 1964, para 50 em 1967.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 depois do AI-5, em 1968, a tortura se tornou um instrumento de interrogat\u00f3rio sistem\u00e1tico, com recursos, pessoal, instala\u00e7\u00f5es e instrumentos pr\u00f3prios. Isso come\u00e7ou com a Oban, montada em S\u00e3o Paulo em meados de 1969, e se generalizou pelo Pa\u00eds com a cria\u00e7\u00e3o do sistema DOI-Codi.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Aos m\u00e9todos tradicionais herdados do Estado Novo (1937-1945) e da pol\u00edcia civil (que j\u00e1 torturava presos comuns no dia a dia), somaram-se novidades estrangeiras, como t\u00e9cnicas brit\u00e2nicas que n\u00e3o deixam marcas f\u00edsicas. Para transmitir esse tipo de conhecimento, a comunidade de seguran\u00e7a chegou a promover aulas pr\u00e1ticas \u2013 como a que o tenente Ailton Joaquim deu na Vila Militar, em 8 de outubro de 1969.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dez presos pol\u00edticos foram levados a um sal\u00e3o, diante de uma plateia de sargentos e oficiais. No palco, o tenente projetava slides sobre modalidades de tortura, enquanto as demonstrava nos presos nus. Segundo relato de Maur\u00edcio Vieira de Paiva, um dos torturados, o tenente ordenava serenamente a passagem dos slides com os desenhos de cada tortura. \u201cApontava com uma vareta para os detalhes projetados e explicava a t\u00e9cnica e os efeitos de cada m\u00e9todo, exemplificando com nossas rea\u00e7\u00f5es.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Centros de tortura tamb\u00e9m mantinham m\u00e9dicos para reduzir danos fisicamente percept\u00edveis, avaliar a resist\u00eancia dos presos e garantir que pudessem continuar a ser interrogados.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Den\u00fancias de tortura<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Segundo documentos oficiais, houve 6.016 den\u00fancias, feitas por 1.843 pessoas, entre 1964 e 1977<\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194405\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-194405 size-full\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Clique para ampliar\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194405\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/denuncias-grafico\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/denc3bancias-grc3a1fico.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Dossi\u00ea SUPER (365)\" data-image-caption=\"\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Clique para ampliar (Dossi\u00ea SUPER (365)\/Superinteressante)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A apostila\u00a0<em>Interrogat\u00f3rio<\/em>\u00a0do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE) reconhecia a necessidade de \u201cm\u00e9todos de interrogat\u00f3rio que, legalmente, constituem viol\u00eancia\u201d. Se o prisioneiro fosse apresentado a um tribunal, por\u00e9m, deveria ser \u201ctratado de forma a n\u00e3o apresentar evid\u00eancias de ter sofrido coa\u00e7\u00e3o em suas confiss\u00f5es\u201d. Torturar era preciso; deixar marcas n\u00e3o era preciso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O manual considerava a tortura \u201cineficiente\u201d \u2013 afinal, induz o interrogado a inventar respostas. Mas nem o fundador do CIE concordava. \u201cN\u00e3o admito a tortura por sadismo ou vingan\u00e7a. Para obter informa\u00e7\u00f5es, acho v\u00e1lida\u201d, disse Adyr Fi\u00faza ao\u00a0<em>Estad\u00e3o<\/em>, em 1993. \u201cHip\u00f3critas dizem que n\u00e3o, mas todo mundo usa.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O Estado criou artimanhas para evitar investiga\u00e7\u00f5es. Enquanto ju\u00edzes e promotores preveniram den\u00fancias, diretores de hospitais e m\u00e9dicos fraudaram autos de corpo de delito e aut\u00f3psias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 os torturadores eram recompensados por seu desempenho. O maior dos reconhecimentos era a Medalha do Pacificador. Um dos laureados foi Carlos Alberto Brilhante Ustra, que assumiu o DOI-Codi paulista em 1970 e, menos de dois anos depois, recebeu sua medalha \u201cpor ter-se distinguido no cumprimento do dever por atos pessoais de abnega\u00e7\u00e3o, coragem e bravura, com risco de vida\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No fim, valeu a fala de Ernesto Geisel. \u201cEra essencial reprimir\u201d, disse ao CPDOC da FGV. \u201cN\u00e3o posso discutir o m\u00e9todo de repress\u00e3o: se foi adequado, se foi o melhor que se podia adotar. O fato \u00e9 que a subvers\u00e3o acabou.\u201d<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Cartilha da dor<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>A repress\u00e3o n\u00e3o apenas desenvolveu t\u00e9cnicas de tortura como tamb\u00e9m as ensinou em aulas nos quart\u00e9is<\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194413\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194413\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/grafico-cartilha-dor.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194413\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/grafico-cartilha-dor\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/grafico-cartilha-dor.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/grafico-cartilha-dor.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/grafico-cartilha-dor.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Superinteressante)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1. CHOQUE<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Torturadores aplicavam descargas el\u00e9tricas em diferentes partes do corpo. As partes preferidas eram as mais sens\u00edveis \u2013 por exemplo, um polo na genit\u00e1lia e outro no \u00e2nus. Os equipamentos recebiam diferentes nomes: \u201cmaquininha\u201d, \u201cMaricota\u201d, \u201cpimentinha\u201d, \u201cBrigitte Bardot\u201d, \u201cpianola\u201d\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>2. CADEIRA DO DRAG\u00c3O<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">A v\u00edtima sentava nua com pulsos e pernas presos numa cadeira revestida de zinco, que distribu\u00eda o choque pelo corpo. Para intensificar o supl\u00edcio, era molhada com \u00e1gua e obrigada a comer sal. Adicionalmente, recebia o \u201ccapacete el\u00e9trico\u201d (balde de metal).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>3. CRUCIFICA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Suspens\u00e3o da v\u00edtima pelos pulsos ou p\u00e9s, amarrados por corda a ganchos fixados no teto ou em paredes. O m\u00e9todo auxiliava outras formas de tortura: choques, afogamento, palmat\u00f3ria, abuso sexual\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>4. GELADEIRA<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Cria\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica para torturar sem deixar marcas. O preso era isolado hermeticamente dentro de um cubo de apenas 1,5 metro de altura \u2013 o que o impedia de se estender. A temperatura oscilava entre frio e calor extremos e um alto-falante emitia ru\u00eddos alt\u00edssimos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>5. TELEFONE<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Aplica\u00e7\u00e3o de pancada com as m\u00e3os em concha nos dois ouvidos ao mesmo tempo. O m\u00e9todo levou ao rompimento dos t\u00edmpanos em diversos presos e, em alguns casos, \u00e0 surdez permanente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>6. PAU DE ARARA<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Suspendiam o preso com os bra\u00e7os e p\u00e9s amarrados a um travess\u00e3o. Era um m\u00e9todo de tortura por si s\u00f3, mas tamb\u00e9m auxiliava o torturador a afogar, a aplicar a palmat\u00f3ria e os choques el\u00e9tricos e a abusar sexualmente da v\u00edtima.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>7. AFOGAMENTO<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Diferentes m\u00e9todos foram usados: derramar \u00e1gua no nariz da v\u00edtima pendurada de cabe\u00e7a para baixo; vedar as narinas e introduzir uma mangueira na boca; for\u00e7ar a cabe\u00e7a num tanque com \u00e1gua; imergir o corpo preso por uma corda em rios ou lagos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>8. USO DE ANIMAIS<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Expunham os presos a variados tipos de animais, como cachorros, ratos, jacar\u00e9s, cobras e baratas. Eram lan\u00e7ados contra o torturado, colocados sobre seu corpo ou mesmo introduzidos em algum orif\u00edcio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>9. PALMAT\u00d3RIA<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Era uma prancha de madeira com pequenos furos. Usada de prefer\u00eancia na planta dos p\u00e9s, na palma das m\u00e3os e na regi\u00e3o da esc\u00e1pula. Rompe capilares sangu\u00edneos e provoca incha\u00e7o, que impedem a v\u00edtima de caminhar e de segurar objetos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>10. PRODUTOS QU\u00cdMICOS<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Usavam diferentes produtos qu\u00edmicos no torturado. Isso incluiu administra\u00e7\u00e3o de \u00e1cido no corpo, \u00e1lcool em ferimentos, \u201csoro da verdade\u201d (pentotal s\u00f3dico) para indu\u00e7\u00e3o em interrogat\u00f3rios e inje\u00e7\u00e3o de \u00e9ter, para provocar dores lancinantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Viol\u00eancia sexual<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Abusos sexuais contra mulheres e homens foram disseminados. Nos relatos h\u00e1 casos de penetra\u00e7\u00e3o vaginal, anal e oral, introdu\u00e7\u00e3o de objetos ou animais no \u00e2nus e na vagina, choque el\u00e9trico nos genitais, atos f\u00edsicos humilhantes e abortos for\u00e7ados.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"12---na-epoca--nao-tinha-corrupcao-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">12. &#8220;Na \u00e9poca, n\u00e3o tinha corrup\u00e7\u00e3o&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Os militares prometeram limpar o Pa\u00eds. O que conseguiram fazer foi censurar not\u00edcias sobre a roubalheira<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Os \u00fanicos patrim\u00f4nios de Castelo Branco eram um Aero Willis preto e um im\u00f3vel em Ipanema. M\u00e9dici desviou o tra\u00e7ado de uma estrada para que ela n\u00e3o valorizasse suas terras. Quando Geisel assumiu a presid\u00eancia da Petrobras, sua mulher quis um apartamento novo. O general disse n\u00e3o. \u201cSe comprar esse apartamento, v\u00e3o logo dizer que estou roubando.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">As figuras de primeiro escal\u00e3o buscaram manter uma aura de probidade. Mas uma coisa eram as contas do presidente; outra era o Estado. \u201cDemonstra\u00e7\u00f5es de dec\u00eancia pessoal apresentaram parcos resultados para a vida p\u00fablica do Pa\u00eds\u201d, afirma a historiadora Helo\u00edsa Starling em\u00a0<em>Corrup\u00e7\u00e3o: ensaios e cr\u00edticas<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o foi uma das bandeiras do golpe de 1964. Assim que assumiu a presid\u00eancia, Castelo prometeu uma grande devassa. N\u00e3o conseguiu. \u201cO problema mais grave do Brasil n\u00e3o \u00e9 a subvers\u00e3o; \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o, muito mais dif\u00edcil de caracterizar, punir e erradicar\u201d, disse meses depois de criar a Comiss\u00e3o Geral de Investiga\u00e7\u00f5es (CGI), que investigava acusados de subvers\u00e3o e de corrup\u00e7\u00e3o. Opositores perderam direitos pol\u00edticos; corruptos se adaptaram.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194399\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194399\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Os presidentes n\u00e3o deixaram sinais de enriquecimento il\u00edcito \u2013 Castelo s\u00f3 tinha um carro e um apartamento. Mas a corrup\u00e7\u00e3o no Estado foi encoberta pela censura e a falta de transpar\u00eancia.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194399\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/castelo-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"Os presidentes n\u00e3o deixaram sinais de enriquecimento il\u00edcito - Castelo s\u00f3 tinha um carro e um apartamento. Mas a corrup\u00e7\u00e3o no Estado foi encoberta pela censura e a falta de transpar\u00eancia.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Os presidentes n\u00e3o deixaram sinais de enriquecimento il\u00edcito \u2013 Castelo s\u00f3 tinha um carro e um apartamento. Mas a corrup\u00e7\u00e3o no Estado foi encoberta pela censura e a falta de transpar\u00eancia. (Divulga\u00e7\u00e3o\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 1968, o AI-5 deu \u00e0 CGI os dentes que faltavam. Agora, o presidente podia confiscar bens de quem enriquecesse ilicitamente. O resultado foi p\u00edfio. De 1968 a 1973, a CGI produziu 1.153 processos. Desses, mais de mil foram arquivados. Das 58 propostas de confisco, 41 foram alvo de decreto presidencial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O problema n\u00e3o era apenas a falta de efici\u00eancia da CGI, mas tamb\u00e9m sua seletividade. Aos amigos, o sil\u00eancio. Foram arquivadas sem investiga\u00e7\u00e3o den\u00fancias contra os ent\u00e3o governadores Jos\u00e9 Sarney (MA) e Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es (BA). J\u00e1 aos inimigos, a lei. No processo contra Brizola, a CGI escrutinou suas declara\u00e7\u00f5es de bens desde 1959, quebrou seu sigilo banc\u00e1rio, verificou seus im\u00f3veis \u2013 e n\u00e3o encontrou nada de errado. Ou seja, quanto menos democr\u00e1tico um regime, mais o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o se confunde com persegui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\">\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Por\u00e3o bichado<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Agentes da repress\u00e3o corromperam ju\u00edzes e m\u00e9dicos, formaram grupos de exterm\u00ednio e entraram para a elite do jogo do bicho<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A tortura n\u00e3o atingiu apenas presos pol\u00edticos. Ela tamb\u00e9m corrompeu uma rede de colaboradores da repress\u00e3o. Ju\u00edzes aceitaram processos absurdos, confiss\u00f5es desmentidas e per\u00edcias mentirosas. M\u00e9dicos dispuseram-se a fraudar aut\u00f3psias e autos de corpo de delito e fizeram vista grossa \u00e0s marcas de tortura em pacientes. Empres\u00e1rios financiaram a Oban.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">E no centro de todos havia o torturador. \u201cQuando tortura e corrup\u00e7\u00e3o se juntaram, o regime militar elevou o torturador \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de intoc\u00e1vel\u201d, afirma Helo\u00edsa Starling. O delegado paulista S\u00e9rgio Fleury n\u00e3o se limitava a torturar e matar no DOI-Codi. Liderava impunemente um esquadr\u00e3o da morte, comandava uma m\u00e1fia de prote\u00e7\u00e3o para empres\u00e1rios e criminosos e ainda roubava dos esquerdistas que prendia. Conforme disse Golbery, \u201cEsse \u00e9 um bandido. Mas prestou servi\u00e7os e sabe muita coisa.\u201d Foi condecorado com a Medalha do Pacificador e se livrou de investiga\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O DOI-Codi do Rio tamb\u00e9m produziu seus intoc\u00e1veis, e nenhum deles foi t\u00e3o not\u00f3rio quanto o capit\u00e3o Ailton Guimar\u00e3es Jorge. No auge da repress\u00e3o, foi reconhecido por ca\u00e7ar guerrilheiros. Em 1969, matou um da VPR \u2013 e, com isso, ganhou a Medalha do Pacificador. Mas n\u00e3o demorou para diversificar sua atua\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No fim do governo M\u00e9dici, n\u00e3o havia mais esquerda armada. Ent\u00e3o, os antigos agentes da repress\u00e3o precisavam de uma raz\u00e3o de ser. Uns criaram novos inimigos imagin\u00e1rios. Outros foram para a seguran\u00e7a particular. J\u00e1 o capit\u00e3o Guimar\u00e3es partiu com colegas para o contrabando de mercadorias. No fim de 1973, autoridades cariocas descobriram o esquema. Foram acusados 14 militares, 8 policiais civis e alguns comerciantes. Os r\u00e9us chegaram a ser presos, mas o processo foi anulado. O motivo: os acusados alegaram ter sido torturados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ent\u00e3o o capit\u00e3o Guimar\u00e3es entrou para o jogo do bicho. Em 1981, quando se desligou do Ex\u00e9rcito, j\u00e1 dominava Niter\u00f3i e S\u00e3o Gon\u00e7alo. Usando seus conhecimentos de repress\u00e3o, espionagem e organiza\u00e7\u00e3o militar, transformou o bicho numa verdadeira organiza\u00e7\u00e3o. Deixou os pequenos e m\u00e9dios bicheiros se canibalizarem e dividiu o butim com os grandes, com os quais delimitou territ\u00f3rios e verticalizou o poder. No topo, ele mesmo. E, para ostentar seu dom\u00ednio, seguiu o h\u00e1bito dos bicheiros: adotou uma escola de samba \u2013 a Unidos de Vila Isabel.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Cimento e chumbo<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Militares barraram construtoras estrangeiras das obras do \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d. Com isso, celebraram o casamento entre o estado e as grandes empreiteiras<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Den\u00fancias contra empreiteiras pipocaram nos anos 1950, principalmente com os planos de JK de fazer o Brasil crescer 50 anos em 5. Depois, voltaram com a redemocratiza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na ditadura, o sil\u00eancio. Sinal de limpeza? N\u00e3o para o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, autor de\u00a0<em>Estranhas Catedrais<\/em>. \u201cIsso evidencia obviamente n\u00e3o o menor n\u00famero de casos, mas o amorda\u00e7amento dos mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 1969, o presidente Costa e Silva barrou empresas estrangeiras de participar das obras p\u00fablicas no Pa\u00eds. Com essa reserva de mercado e as obras fara\u00f4nicas da ditadura \u2013 como Transamaz\u00f4nica, Itaipu, Tucuru\u00ed, Angra, Ferrovia do A\u00e7o e Ponte Rio-Niter\u00f3i -, as construtoras se tornaram grandes grupos monopolistas ligados intimamente com o Estado e com poucos mecanismos de controle.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194409\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194409\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Odebrecht constr\u00f3i o edif\u00edcio-sede da Petrobras, sua primeira grande obra fora da Bahia. Depois dela, subiu para as 10 maiores empreiteiras.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194409\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/edificio\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/edificio.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"Odebrecht constr\u00f3i o edif\u00edcio-sede da Petrobras, sua primeira grande obra fora da Bahia. Depois dela, subiu para as 10 maiores empreiteiras.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Odebrecht constr\u00f3i o edif\u00edcio-sede da Petrobras, sua primeira grande obra fora da Bahia. Depois dela, subiu para as 10 maiores empreiteiras. (Divulga\u00e7\u00e3o\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">At\u00e9 a d\u00e9cada de 1960, as obras da Odebrecht mal ultrapassavam os limites da Bahia. Com o protecionismo de Costa e Silva, come\u00e7ou a dar saltos. Primeiro, construiu o pr\u00e9dio-sede da Petrobras, no Rio. Os contatos governamentais na estatal abriram portas para novos projetos, como o aeroporto do Gale\u00e3o e a usina nuclear de Angra. Assim, de 19\u00aa empreiteira de maior faturamento, em 1971, pulou para a 3\u00aa em 1973, e nunca mais deixou o top 10. Outra beneficiada foi a Andrade Gutierrez, que saltou do 11\u00ba para o 4\u00ba lugar de 1971 para 1972.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Empreiteiras menos amigas da ditadura tinham futuro menos brilhante \u2013 como a mineira Rabello. Desde a d\u00e9cada de 1940, seu propriet\u00e1rio Marco Paulo Rabello foi pr\u00f3ximo a JK. Na prefeitura de Belo Horizonte, passou-lhe o Complexo da Pampulha. No governo de Minas, foram rodovias estaduais. Finalmente, como presidente, JK deu-lhe o fil\u00e9 mignon de Bras\u00edlia: o Eixo Monumental, incluindo a Catedral, o Alvorada e o Planalto. Mas JK era um dos grandes desafetos dos conspiradores de 1964. Com o golpe, a Rabello ficou de escanteio. Foi perdendo licita\u00e7\u00f5es at\u00e9 ir \u00e0 fal\u00eancia nos anos 1970.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Foi assim que, ao fim da ditadura, dez irm\u00e3s detinham 68,7% do faturamento das cem maiores empreiteiras \u2013 para Campos, n\u00e3o necessariamente por sua excel\u00eancia t\u00e9cnica e administrativa, mas por suas conex\u00f5es pol\u00edticas.<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box with-author\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">As irregularidades no setor de constru\u00e7\u00e3o pesada n\u00e3o s\u00e3o um desvio. Trata-se de uma caracter\u00edstica estrutural desse ramo de atividades. os desvios s\u00e3o os casos denunciados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong class=\"author\">Pedro Campos, historiador<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Como viviam nossos super-funcion\u00e1rios<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Bastou a ditadura come\u00e7ar a suspender a censura pr\u00e9via para que o jornalismo denunciasse a vida nababesca do alto escal\u00e3o burocr\u00e1tico<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A censura pr\u00e9via come\u00e7ou a ser levantada em 1976. E, conforme as colunas pol\u00edticas ressuscitavam, os jornais se infestavam com den\u00fancias de uso de dinheiro p\u00fablico para benef\u00edcio particular. O jornalista Ricardo Kotscho reuniu os relatos de v\u00e1rios correspondentes do\u00a0<em>Estado de S.Paulo<\/em>\u00a0e publicou, em agosto daquele ano, a s\u00e9rie de mat\u00e9rias<em>\u00a0Assim vivem os nossos superfuncion\u00e1rios<\/em>. Estava provado: a lisura do governo militar n\u00e3o passava de uma ilus\u00e3o sustentada pela censura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Supersal\u00e1rio<br \/>\n<\/strong>Os servidores brasileiros de elite ganhavam 5% mais do que os americanos. O presidente do Banco do Brasil recebia Cr$ 1 milh\u00e3o por ano, o que hoje equivaleria a cerca de US$ 4,2 milh\u00f5es anuais \u2013 mais benef\u00edcios. Estatais distribu\u00edam participa\u00e7\u00e3o nos \u201clucros\u201d mesmo quando tinham preju\u00edzos. Diretores da Eletrobr\u00e1s receberiam at\u00e9 17\u00ba sal\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194428\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194428\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/super-salc3a1rio.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194428\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/super-salario\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/super-salc3a1rio.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/super-salc3a1rio.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/super-salc3a1rio.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Mercad\u00e3o<br \/>\n<\/strong>Compras de mercado ficavam por conta do governo. Isso levou a abusos como o do governador Elmo Serejo Farias (DF). Num s\u00f3 dia, comprou 17 kg de mel\u00e3o, 23 kg de uva, 14 kg de ameixa, 11,3 kg de mam\u00e3o, 21 caixas de p\u00eassego e 16 d\u00fazias de bananas. Outro dia, foram 6.825 p\u00e3es franceses, 280 litros de leite e 7 pacotes de p\u00e3o de forma.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194421\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194421\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mercadc3a3o.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194421\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/mercadao\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mercadc3a3o.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mercadc3a3o.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/mercadc3a3o.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Jatinhos<br \/>\n<\/strong>\u00d3rg\u00e3os p\u00fablicos mantinham jatinhos, que eram frequentemente usados de forma abusiva. Ministros usavam jatos da FAB de forma t\u00e3o indiscriminada que o Planalto precisou explicar numa circular: seu uso era de car\u00e1ter excepcional.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194419\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194419\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jatinhos.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194419\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/jatinhos\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jatinhos.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jatinhos.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/jatinhos.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Cine proibid\u00e3o<br \/>\n<\/strong>Funcion\u00e1rios promoviam sess\u00f5es privadas de cinema disputad\u00edssimas, que traziam ao Pa\u00eds filmes proibidos pela censura, como\u00a0<em>O \u00daltimo Tango em Paris<\/em>,\u00a0<em>Decameron<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Laranja Mec\u00e2nica<\/em>.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194400\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194400\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/cine-proibidc3a3o.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194400\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/cine-proibidao\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/cine-proibidc3a3o.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/cine-proibidc3a3o.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/cine-proibidc3a3o.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Criadagem<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Ter empregados pagos pelo governo era de praxe na elite funcionalista. Mas nada se comparava \u00e0 casa do ministro do Trabalho Arnaldo da Costa Prieto, que ostentava 28 funcion\u00e1rios fixos.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194404\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194404\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/criadagem.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194404\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/criadagem\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/criadagem.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/criadagem.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/criadagem.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Impunidade<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">N\u00e3o havia legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que permitisse ao Congresso e aos Tribunais de Contas fiscalizar os gastos dos superfuncion\u00e1rios. Abusos podiam ser encobertos sob o manto da \u201cseguran\u00e7a nacional\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194415\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194415\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/impunidade.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194415\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/impunidade\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/impunidade.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/impunidade.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/impunidade.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Clube de vantagens<br \/>\n<\/strong>Os altos funcion\u00e1rios n\u00e3o precisavam pagar aluguel da mans\u00e3o no Lago Sul, contas de \u00e1gua, luz e telefone, conserva\u00e7\u00e3o de piscina, criadagem, IPTU, vigil\u00e2ncia nem despesas com o cart\u00e3o corporativo.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194401\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-194401\" style=\"border: 0px; margin: auto auto 20px; padding: 0px; box-sizing: border-box; list-style: none; outline: 0px; text-decoration: none; max-width: 100%; height: auto; width: auto; display: block;\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/clube-de-vantagens.png\" alt=\"&lt;span&gt;\u2013&lt;\/span&gt;\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194401\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/clube-de-vantagens\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/clube-de-vantagens.png\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/clube-de-vantagens.png?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/clube-de-vantagens.png?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Gil Tokio\/Pingado\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">(Gil Tokio\/Pingado\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"13---o-milagre-foi-uma-mentira-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">13. &#8220;O milagre foi uma mentira&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: No auge da ditadura, o Brasil de fato cresceu em ritmo chin\u00eas com infla\u00e7\u00e3o em queda. O problema foi o desequil\u00edbrio econ\u00f4mico que veio logo em seguida<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cEra um neg\u00f3cio maluco a oferta de emprego. Tinha Kombi que circulava entre a Volkswagen, a Mercedes, a Ford. E o pe\u00e3o ficava sabendo: \u2018Olha, a Ford t\u00e1 pagando tanto\u2019. O cara ia na empresa, pedia a conta e ia para a Ford\u201d, disse o ex-presidente Lula ao historiador Ronald Costa Couto. \u201cSe houvesse elei\u00e7\u00f5es livres e diretas, M\u00e9dici ganhava de lavada. Teria uns 70% dos votos.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Era dif\u00edcil discordar \u00e0 \u00e9poca. Durante o \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d (1968-1973), o Brasil cresceu 11% ao ano e virou a d\u00e9cima economia do mundo. Os sal\u00e1rios eram comprimidos, mas a renda familiar crescia conforme f\u00e1bricas e servi\u00e7os contratavam jovens e mulheres. E, com cr\u00e9dito abundante e f\u00e1cil, a classe m\u00e9dia foi \u00e0s compras. O n\u00famero de aparelhos de televis\u00e3o subiu de 1,66 milh\u00e3o, em 1964, para 8,7 milh\u00f5es em 1974, e o gasto com viagem ao exterior decuplicou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quando uma economia cresce rapidamente puxada pela demanda, costuma haver dois efeitos colaterais: infla\u00e7\u00e3o (a oferta n\u00e3o d\u00e1 conta) e desequil\u00edbrio nas contas externas (as importa\u00e7\u00f5es crescem muito). Naqueles seis anos, aconteceu o contr\u00e1rio. A infla\u00e7\u00e3o caiu de 25,5% para 15,6%, e o super\u00e1vit do balan\u00e7o de pagamentos subiu de US$ 97 milh\u00f5es para US$ 2,38 bilh\u00f5es, em valores da \u00e9poca. Ou seja, um milagre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas esses seis anos foram s\u00f3 um cap\u00edtulo da ditadura. Antes, vieram tr\u00eas anos de aperto com Castelo. Depois, cinco anos de marcha for\u00e7ada de Geisel e seis anos de cat\u00e1strofe de Figueiredo. Os militares pegaram um pa\u00eds na bancarrota e entregaram outro pa\u00eds na bancarrota.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Cintos apertados<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Uma das raz\u00f5es para civis apoiarem o golpe de 1964 foi uma crise econ\u00f4mica que se estendia desde os estertores do governo JK. Com o fim dos \u201c50 anos em 5\u201d, a economia parou. A ind\u00fastria retraiu em 1963, a infla\u00e7\u00e3o atingiu 91,8% em 1964, e Jango n\u00e3o tinha for\u00e7a pol\u00edtica para fazer ajustes. Ent\u00e3o os militares entraram prometendo arrumar a economia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Isso significava malvadezas no curto prazo. No diagn\u00f3stico dos liberais Roberto Campos (Planejamento) e Oct\u00e1vio Bulh\u00f5es (Fazenda), a infla\u00e7\u00e3o era resultado de um governo que arrecadava pouco e gastava muito. Desfalcado, ele ligava as impressoras de dinheiro, mas o excesso de moeda aumentava o n\u00edvel geral dos pre\u00e7os. Para resolver o d\u00e9ficit p\u00fablico, a equipe econ\u00f4mica fez uma reforma tribut\u00e1ria \u2013 da\u00ed vieram o IPI, o ICM (hoje ICMS) e o ISS. A carga tribut\u00e1ria subiu de 16% para 21% do PIB, entre 1963 e 1967. Tamb\u00e9m elevou os juros e passou a ajustar os sal\u00e1rios sempre abaixo da infla\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quando Costa e Silva assumiu a presid\u00eancia e p\u00f4s Delfim Netto na Fazenda (1967-1974), a casa j\u00e1 estava em ordem. A infla\u00e7\u00e3o tinha ca\u00eddo de 86%, em 1964, para 24%, em 1967 e o d\u00e9ficit p\u00fablico estava sob controle. O problema, agora, era legitimar o governo militar. A popula\u00e7\u00e3o sofria com o ajuste econ\u00f4mico e come\u00e7ava a manifestar-se contra casos de repress\u00e3o. J\u00e1 a linha dura pressionava Costa e Silva para fechar ainda mais a a ditadura. Era necess\u00e1rio um milagre para sustentar o regime. E Delfim o fez.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Milagreiro<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Aproveitando a economia em boas condi\u00e7\u00f5es, Delfim retomou os investimentos p\u00fablicos em infraestrutura. Tamb\u00e9m aumentou a demanda por bens dur\u00e1veis e por habita\u00e7\u00f5es, abrindo as porteiras do cr\u00e9dito ao consumidor. Entre 1968 e 1973, o cr\u00e9dito cresceu 17% ao ano, contra 5% no governo Castelo, e o endividamento familiar, 23,6%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A aposta era puxar o crescimento pela demanda. Como vimos, isso pode aumentar a infla\u00e7\u00e3o e o desequil\u00edbrio das contas externas. Mas n\u00e3o foi o que aconteceu. Para que a oferta desse conta da demanda e a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o crescesse, era necess\u00e1rio aumentar as importa\u00e7\u00f5es. Para isso, tinha que arranjar d\u00f3lares, exportando ou captando recursos no exterior. Felizmente, a economia mundial ajudou o Brasil nas duas frentes. A alta das commodities e a diversifica\u00e7\u00e3o da economia brasileira ajudaram a quase triplicar nossas exporta\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, os juros internacionais estavam baix\u00edssimos, o que ajudou a pegar emprestado a rodo. De repente, o Brasil era o Jap\u00e3o da Am\u00e9rica Latina.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Ouro de tolo<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Sob M\u00e9dici (1969-1974), o Brasil viveu ao mesmo tempo seus anos de chumbo e de ouro. Mas os problemas n\u00e3o demorariam a aparecer. Trabalhadores de baixa qualifica\u00e7\u00e3o permaneceram com os sal\u00e1rios comprimidos por uma f\u00f3rmula malvada que indexava os sal\u00e1rios a uma previs\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o, sempre subestimada. J\u00e1 os trabalhadores qualificados foram agraciados pela lei de mercado: com muitas vagas e poucos profissionais, o sal\u00e1rio s\u00f3 aumentava. O bolo cresceu, mas n\u00e3o foi repartido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Outro problema foi a \u00eanfase ao consumo de bens dur\u00e1veis, que dobrou no per\u00edodo. A classe m\u00e9dia conseguiu comprar seus Fuscas, Corc\u00e9is e Opalas, suas geladeiras Brastemp e televis\u00f5es Philco. \u00d3timo, pois isso impulsionou a ind\u00fastria desses bens. A de transporte cresceu, em m\u00e9dia, 24% ao ano, e a de eletrodom\u00e9sticos, 22%. Mas isso aumentou a demanda por bens intermedi\u00e1rios, como chapas de a\u00e7o e derivados de petr\u00f3leo, e a produ\u00e7\u00e3o desses era pequena no Pa\u00eds. Assim, a economia brasileira passou a depender da sua capacidade de importar esses bens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A maior vulnerabilidade do Brasil estava no petr\u00f3leo, que ocupava 40% da matriz energ\u00e9tica. No milagre, a fatia importada subiu de 59% para 81%. Isso n\u00e3o foi um problema enquanto o barril oscilou entre US$ 1,80 e US$ 3,29. At\u00e9 que, em outubro de 1973, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep) elevou para US$ 11,65. Com isso, o Brasil perdeu a capacidade de importar \u2013 e, consequentemente, de produzir. Assim acabou o milagre.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">O choque<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A conta do petr\u00f3leo tinha que ir para algum lugar. Se o aumento fosse repassado internamente, ele se espalharia por toda a economia, dos fretes aos fertilizantes no campo. Isso mais do que dobraria a estimativa de infla\u00e7\u00e3o para o ano. Para evitar um aumento t\u00e3o dr\u00e1stico, Delfim Netto passou a importar combust\u00edvel com as reservas monet\u00e1rias do Pa\u00eds \u2013 o equivalente a queimar as roupas para se aquecer no inverno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Era necess\u00e1ria uma solu\u00e7\u00e3o de verdade. Economias mais sensatas absorveram o choque pisando no freio. Foi o que os EUA, as pot\u00eancias europeias e o Jap\u00e3o fizeram. For\u00e7aram um ajuste recessivo, que conteve a demanda interna e limitou o efeito do choque sobre a infla\u00e7\u00e3o e sobre as contas externas. Mas, no Brasil, o freio significava o fim do milagre, base legitimadora da ditadura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Geisel assumiu a presid\u00eancia numa posi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda. A piora na economia fortalecia tanto a press\u00e3o da sociedade pela abertura pol\u00edtica quanto a da direita militar, que queria permanecer no poder. Sanduichado entre abrir e fechar, Geisel decidiu fugir do dilema apertando o acelerador. Ent\u00e3o, criou um pacot\u00e3o de investimentos na ind\u00fastria de bens de produ\u00e7\u00e3o \u2013 o 2\u00ba Plano Nacional de Desenvolvimento (2\u00ba PND).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Entre 1974 e 1979, o setor metal\u00fargico cresceu 45%, o de material el\u00e9trico, 49%, o de celulose, 50%, o qu\u00edmico, 48%. E os projetos megaloman\u00edacos se sucediam: usina de Itaipu, Projeto Caraj\u00e1s, prospec\u00e7\u00e3o na Bacia de Santos, usina de Angra, polo petroqu\u00edmico de Cama\u00e7ari, Pr\u00f3-\u00c1lcool\u2026 Com o 2\u00ba PND, imaginava Geisel, o Brasil conquistaria a independ\u00eancia em energia e bens de produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">S\u00f3 que o Brasil n\u00e3o tinha dinheiro para tanto. A solu\u00e7\u00e3o foram os \u201cpetrod\u00f3lares\u201d. Funcionou assim. Depois de aumentar o pre\u00e7o do barril, os pa\u00edses Opep foram inundados de d\u00f3lares. Parte das receitas foi consumida; outra parte voltou para o mercado financeiro. Como os bancos de pa\u00edses industrializados impunham tetos aos juros, os d\u00f3lares de sauditas e cia seguiram para os pa\u00edses emergentes \u2013 mais arriscados e, por isso, mais lucrativos. E nenhum cliente tinha uma fome de petrod\u00f3lares maior que o Brasil do 2\u00ba PND. De 1974 a 1979, o Pa\u00eds aumentou sua d\u00edvida externa de US$ 17 bilh\u00f5es para US$ 50 bilh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A sa\u00edda pela frente de Geisel era um lance arriscad\u00edssimo. Para dar certo, o financiamento externo precisaria permanecer abundante e barato at\u00e9 que os investimentos maturassem. S\u00f3 que o 2\u00ba PND era um plano de longo prazo. Itaipu foi inaugurada em 1984, uma d\u00e9cada depois de iniciadas as obras. J\u00e1 Angra 2 iniciou as opera\u00e7\u00f5es comerciais em 2001. Bem antes disso, a Opep promoveu um novo choque no petr\u00f3leo, em 1979, de US$ 13,60 para US$ 30.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para conter os efeitos inflacion\u00e1rios, os bancos centrais dos pa\u00edses ricos elevaram suas taxas de juros. Ronald Reagan aumentou a\u00a0<em>prime rate<\/em>\u00a0de 7,9% ao ano para 16,4% em 1981, o que fez dos EUA o maior aspirador de d\u00f3lares do planeta. Em 1982, o M\u00e9xico declarou morat\u00f3ria. Agora, ningu\u00e9m queria mais deixar o dinheiro no Terceiro Mundo. Nisso, o Brasil tinha que pagar juros cada vez maiores para rolar seus d\u00e9bitos. E a nossa d\u00edvida externa acelerou at\u00e9 chegar \u00e0s alturas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quando a ditadura terminou, em 1985, o PIB mal conseguiu recuperar o n\u00edvel de 1980. O Brasil acumulava uma d\u00edvida externa de US$ 105 bilh\u00f5es, 30 vezes maior do que a de 21 anos atr\u00e1s. A infla\u00e7\u00e3o de 239% ao ano fazia os 91,8% de Jango parecerem um problema menor. O sal\u00e1rio m\u00ednimo havia ca\u00eddo pela metade, e quase 50% da popula\u00e7\u00e3o permanecia abaixo da linha de pobreza. Do milagre econ\u00f4mico, os militares deixaram para os civis uma maldi\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria que s\u00f3 se resolveria em 1994, com o Plano Real.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Quem quer dinheiro?<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>A ditadura n\u00e3o conseguiu acabar com a infla\u00e7\u00e3o. Ela deixou as sementes da Hiperinfla\u00e7\u00e3o<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A infla\u00e7\u00e3o do cruzeiro, moeda criada em 1942, foi pondo zeros \u00e0 direita dos pre\u00e7os at\u00e9 o n\u00famero mil virar a nova unidade monet\u00e1ria \u2013 uma geladeira Cl\u00edmax, por exemplo, sa\u00eda por Cr$ 650 mil em 1966. Para facilitar as contas, o Banco Central carimbou todas as c\u00e9dulas. Agora, chamavam-se cruzeiros novos e tinham tr\u00eas zeros a menos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-194406 size-full\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194406\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/dinheiro-1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-1.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Dossi\u00ea SUPER (365)\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 1970, a moeda voltou a se chamar cruzeiro e ganhou novo desenho. S\u00f3 que a infla\u00e7\u00e3o continuou. Em 1985, no fim da ditadura, a geladeira atingiu os Cr$ 650 mil, de novo. Passado mais um ano, Sarney cortou mais tr\u00eas zeros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-194407 size-full\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194407\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/dinheiro-2-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/dinheiro-2.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Dossi\u00ea SUPER (365)\" data-image-caption=\"\" \/><\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"14---os-generais-eram-pro-mercado-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">14. &#8220;Os generais eram pr\u00f3-mercado&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: A interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia aumentou, com cria\u00e7\u00e3o de empresas estatais, controle de pre\u00e7os p\u00fablicos e privados e reserva de mercado<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Uma das justificativas para que civis apoiassem o golpe de 1964 foi o excesso de interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia desde os tempos de Get\u00falio. Mas o \u00fanico momento em que a ditadura se aproximou do liberalismo econ\u00f4mico foi no breve governo Castelo Branco. Bastou Delfim Netto assumir a Fazenda, em 1967, para que o livre-mercado acabasse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Delfim concedeu isen\u00e7\u00f5es fiscais e juros favorecidos ao setor agr\u00edcola para estimular a oferta interna de alimentos e a exporta\u00e7\u00e3o de commodities. Deu subs\u00eddios, cr\u00e9dito facilitado e minidesvaloriza\u00e7\u00f5es cambiais para ajudar a exporta\u00e7\u00e3o manufatureira. Permitiu que empresas estatais se endividassem al\u00e9m da conta no exterior. Abriu os cofres do BNDE para empresas privadas e inundou as fam\u00edlias de cr\u00e9dito f\u00e1cil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O natural \u00e9 que tanto gasto aumentasse a infla\u00e7\u00e3o. Para impedir isso, Delfim controlou os principais pre\u00e7os da economia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 c\u00e2mbio, sal\u00e1rios, juros e tarifas, mas tamb\u00e9m o de insumos industriais. N\u00e3o bastando, maquiava \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o. \u201cTodas as declara\u00e7\u00f5es em favor do desenvolvimento do setor privado e da livre opera\u00e7\u00e3o do mercado contrastavam com a prolifera\u00e7\u00e3o de incentivos, novos subs\u00eddios ou isen\u00e7\u00f5es espec\u00edficos, que tornavam o papel do governo extremamente importante\u201d, afirma o economista Andr\u00e9 Lara Resende, em\u00a0<em>A Ordem do Progresso<\/em>.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194398\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194398\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"S\u00f3 Castelo (esq.) seguiu a cartilha liberal. J\u00e1 Costa e Silva (dir.) retomou as r\u00e9deas estatais na economia.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194398\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/castelo-costaesilva\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/castelo-costaesilva.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ag\u00eancia Estado\" data-image-caption=\"S\u00f3 Castelo (esq.) seguiu a cartilha liberal. J\u00e1 Costa e Silva (dir.) retomou as r\u00e9deas estatais na economia.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">S\u00f3 Castelo (esq.) seguiu a cartilha liberal. J\u00e1 Costa e Silva (dir.) retomou as r\u00e9deas estatais na economia. (Ag\u00eancia Estado\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Depois do choque do petr\u00f3leo, Geisel iniciou o mais amplo programa de interven\u00e7\u00e3o estatal na hist\u00f3ria do Pa\u00eds. Do total de investimentos entre 1970 e 1973, 50% foi p\u00fablico. J\u00e1 em 1980, a fatia atingiu 65%. O Estado virou empres\u00e1rio, no comando da cadeia petroqu\u00edmica, de usinas sider\u00fargicas, da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, das telecomunica\u00e7\u00f5es, de estradas e ferrovias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A ideia de Geisel era que as estatais liderassem o crescimento da ind\u00fastria de bens de produ\u00e7\u00e3o -o que fazia sentido para livrar o Brasil da depend\u00eancia externa de importa\u00e7\u00f5es. Mas o Pa\u00eds n\u00e3o tinha poupan\u00e7a dom\u00e9stica para fazer tanto investimento. Ent\u00e3o, Geisel botou as estatais para captar petrod\u00f3lares. Para baixar a infla\u00e7\u00e3o galopante, tamb\u00e9m for\u00e7ou as estatais a baixar seus pre\u00e7os. Entre janeiro de 1979 e dezembro de 1984, o pre\u00e7o real dos produtos de ferro e a\u00e7o, dominados por estatais, caiu 50%, e a tarifa telef\u00f4nica, 60%. Assim, os maiores problemas da economia se apoiaram nos ombros das estatais, que foram definhando. De empres\u00e1rio, o Estado virou o rei da sucata.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"15---a-igreja-apoiava-a-ditadura-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">15. &#8220;A Igreja apoiava a ditadura&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: No in\u00edcio, a CNBB colaborou com a ditadura. Depois, militou contra a tortura e apoiou movimentos sociais<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">O caudal humano escorreu da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica at\u00e9 as escadarias da catedral da S\u00e9, onde encontrou o senador Padre Calazans (UDN) de microfone empunhado: \u201cHoje \u00e9 dia de S\u00e3o Jos\u00e9, padroeiro da fam\u00edlia. Fidel Castro \u00e9 o padroeiro de Brizola. \u00c9 o padroeiro de Jango. \u00c9 o padroeiro dos comunistas. N\u00f3s somos o povo!\u201d A multid\u00e3o da Marcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade respondia ora bradando \u201cum, dois, tr\u00eas, Brizola no xadrez\u201d, ora rezando um Pai-Nosso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Desde sua funda\u00e7\u00e3o, em 1952, a Confer\u00eancia Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) foi liderada por bispos progressistas, com d. Helder C\u00e2mara na secretaria geral. Mas a radicaliza\u00e7\u00e3o da esquerda no governo Goulart assustou a ala moderada, e, igual ao que aconteceu no Congresso, o centr\u00e3o da CNBB migrou para o lado conservador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Depois do golpe, a hierarquia cat\u00f3lica permaneceu dividida e s\u00f3 quebrou o sil\u00eancio mais de um m\u00eas depois, com um manifesto. Nele, dava \u201cgra\u00e7as a Deus\u201d aos militares \u2013 \u201cque, com grave risco de suas vidas, se levantaram em nome dos supremos interesses da na\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas o texto foi escrito a duas m\u00e3os \u2013 e a segunda era a de d. Helder, o \u201cbispo vermelho\u201d. \u201cN\u00e3o nos curvamos \u00e0s press\u00f5es de grupos que pretendam silenciar nossa voz em favor do pobre e das v\u00edtimas da persegui\u00e7\u00e3o e da injusti\u00e7a na urg\u00eancia da restaura\u00e7\u00e3o da ordem social\u201d. Apesar do predom\u00ednio conservador, a queda de bra\u00e7o com os progressistas continuava.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194424\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194424\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Padres fazem barreira entre manifestantes e policiais para evitar confronto durante a missa de s\u00e9timo dia em mem\u00f3ria do estudante Edson Lu\u00eds, morto pela PM em 1968.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194424\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/padres\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/padres.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Folhapress\" data-image-caption=\"Padres fazem barreira entre manifestantes e policiais para evitar confronto durante a missa de s\u00e9timo dia em mem\u00f3ria do estudante Edson Lu\u00eds, morto pela PM em 1968.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Padres fazem barreira entre manifestantes e policiais para evitar confronto durante a missa de s\u00e9timo dia em mem\u00f3ria do estudante Edson Lu\u00eds, morto pela PM em 1968. (Folhapress\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No segundo semestre de 1964, bispos de todo o mundo se reuniam em Roma para discutir o papel da Igreja no mundo. Era a terceira sess\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano 2\u00ba (1962-1965), a maior reforma da Igreja desde o s\u00e9culo 16. Com ele, a Igreja Cat\u00f3lica se abria ao mundo. Mas a delega\u00e7\u00e3o brasileira estava preocupada com algo mais prosaico: derrubar os progressistas nas elei\u00e7\u00f5es da c\u00fapula da CNBB.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">D. Helder perdeu a secretaria geral para o obscuro d. Jos\u00e9 Gon\u00e7alves. J\u00e1 a presid\u00eancia foi para d. Agnelo Rossi (1964-1971), futuro arcebispo de S\u00e3o Paulo, mais conhecido pela capacidade de nada ver e nada ouvir. A CNBB se fechava para os abusos da ditadura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas a Igreja n\u00e3o tem a hierarquia dos militares. Apesar da c\u00fapula conservadora, os progressistas eram livres para agir em suas dioceses e par\u00f3quias. Religiosos protegiam grupos de esquerda, inclusive armados. Em julho de 1967, a pol\u00edcia deteve 11 padres do mosteiro de Vinhedo, SP, por abrigarem um congresso clandestino da UNE. Em novembro, o bispo de Volta Redonda, RJ, teve a casa invadida, por abrigar militantes da Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Embora conservadora, a CNBB ficou do lado dos religiosos nos dois casos. Afinal, a ditadura considerava um padre esquerdista apenas um esquerdista. J\u00e1 para a Igreja, era apenas um padre, e a CNBB n\u00e3o aceitaria militar algum interferindo em seu clero.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Vergonha<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 1968, as ruas foram tomadas por manifesta\u00e7\u00f5es. Mesmo a classe m\u00e9dia que apoiara o golpe come\u00e7ava a protestar. Na CNBB, os progressistas tamb\u00e9m davam sinal de recupera\u00e7\u00e3o. Em julho, ela encerrou sua Assembleia apelando a reformas, \u00e0 n\u00e3o viol\u00eancia e a um retorno \u00e0s liberdades individuais. Por fim, o progressista d. Alo\u00edsio Lorscheider foi eleito secret\u00e1rio-geral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Embora o presidente d. Agnelo permanecesse omisso na CNBB, os progressistas ganhavam margem de manobra exatamente quando a ditadura montava seu aparato de tortura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em 1969, d. Alo\u00edsio incumbiu o professor C\u00e2ndido Mendes de elaborar um documento a partir de relatos de tortura. Com um grupo de advogados, Mendes coletou os relatos e informou o Vaticano. No ex\u00edlio, a esquerda se uniu a religiosos cat\u00f3licos e protestantes para denunciar a tortura a governos e imprensa estrangeiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No dia 26 de janeiro de 1970, d. Helder foi pessoalmente encontrar o papa Paulo 6\u00ba, que disse que a Igreja n\u00e3o deveria mais tolerar tais atrocidades num pa\u00eds cat\u00f3lico. Quatro meses depois, d. Helder discursava para 10 mil pessoas no Pal\u00e1cio dos Esportes, em Paris.<\/span><\/p>\n<div class=\"quote-box with-author\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quero pedir-lhes que digam ao mundo todo que no Brasil se tortura. Pe\u00e7o-lhes porque amo profundamente a minha p\u00e1tria e a tortura a desonra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong class=\"author\">D. Helder C\u00e2mara, em discurso em Paris, em 1970<\/strong><\/span><\/p>\n<div class=\"item-share-list\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-twitter\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-google-plus\"><\/i>\u00a0<i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cMeu governo propaga que quem fala de torturas \u00e9 inimigo de sua p\u00e1tria.\u201d D. Helder tocava na ferida externa da ditadura \u2013 a legitimidade diante das outras na\u00e7\u00f5es. \u201cOs culpados de trai\u00e7\u00e3o ao povo n\u00e3o s\u00e3o os que falam, mas os que persistem no emprego da tortura. Quero pedir-lhes que digam ao mundo todo que no Brasil se tortura. Pe\u00e7o-lhes porque amo profundamente a minha p\u00e1tria, e a tortura a desonra.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">D. Agnelo n\u00e3o arredava o p\u00e9. \u201cDetesto a demagogia\u201d, disse na missa de P\u00e1scoa, na catedral da S\u00e9. \u201c\u00c9 indigno e impatri\u00f3tico denunciar alguma coisa de seu Pa\u00eds no exterior. Havendo roupa suja, lava-se em casa.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas d. Agnelo preferia ficar de roupa suja. Em 1969, quando sete frades dominicanos foram presos na sede da Oban, o arcebispo foi visit\u00e1-los \u2013 e negou que tivessem sido torturados. Com um presidente desses, a CNBB s\u00f3 mudaria se pegassem um figur\u00e3o do clero.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Respeita o mo\u00e7o<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No dia 7 de outubro de 1970, uma tropa do DOI-Codi no Rio invadiu um instituto dirigido por jesu\u00edtas. Prenderam alunos, professores, o provincial da Companhia de Jesus, o reitor da PUC \u2013 e o secret\u00e1rio-geral da CNBB, d. Alo\u00edsio. Ficou detido por quatro horas e foi fotografado de frente e de perfil. A ditadura atingia a c\u00fapula da Igreja.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Numa rara demonstra\u00e7\u00e3o de unidade, os cinco cardeais brasileiros protestaram numa carta ao presidente M\u00e9dici, lamentando a \u201cdeteriora\u00e7\u00e3o\u201d de suas rela\u00e7\u00f5es. Passados 12 dias, d. Alo\u00edsio se reuniu com o papa, em Roma, e a imprensa do Vaticano publicou uma advert\u00eancia da CNBB \u2013 \u201co terrorismo da subvers\u00e3o n\u00e3o pode ter como resposta o terrorismo da repress\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mais tr\u00eas dias, e o papa tirou d. Agnelo da arquidiocese de S\u00e3o Paulo e o substituiu por d. Paulo Evaristo Arns. No fim do ano, a CNBB elegeu d. Alo\u00edsio presidente da CNBB e seu primo d. Jos\u00e9 Ivo Lorscheider secret\u00e1rio-geral. Os progressistas reconquistavam a CNBB. Era o auge da ditadura, e a alta hierarquia cat\u00f3lica estava na oposi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A Igreja tinha penetra\u00e7\u00e3o por todo o territ\u00f3rio nacional e por todas as classes sociais. Isso fazia dela uma amea\u00e7a maior que os pequenos grupos armados. E seu prest\u00edgio junto \u00e0 sociedade deu-lhe uma imunidade da qual n\u00e3o gozaram os partidos pol\u00edticos ou a imprensa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">D. Paulo organizou as den\u00fancias de tortura, criou a Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz, o grupo Clamor e o projeto\u00a0<em>Brasil: Nunca Mais<\/em>, que coletou processos judiciais movidos contra presos pol\u00edticos. A pesquisa permitiu compreender a extens\u00e3o e o funcionamento da repress\u00e3o pol\u00edtica e evitou a destrui\u00e7\u00e3o de provas de crimes do Estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">As Comunidades Eclesiais de Base e pastorais como a da Terra, a Oper\u00e1ria e a da Juventude deram a prote\u00e7\u00e3o institucional para movimentos sociais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 d. Helder foi indicado ao pr\u00eamio Nobel da Paz em 1970, 1971, 1972 e 1973 por sua campanha internacional contra a tortura. A ditadura boicotou sua candidatura, mas, na falta do pr\u00eamio, o Vaticano abriu em 2015 seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A Igreja n\u00e3o foi um sustent\u00e1culo da ditadura. Foi um campo de batalha que oscilou entre o combate ao comunismo e o combate \u00e0 tortura. A mesma Igreja que apoiou o golpe e que silenciou diante do AI-5 foi a que denunciou a tortura e gestou os movimentos sociais que definiriam a cena pol\u00edtica da redemocratiza\u00e7\u00e3o \u2013 incluindo a\u00ed uma participa\u00e7\u00e3o importante na cria\u00e7\u00e3o do futuro Partido dos Trabalhadores.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Crimes que jogaram os bispos contra os generais<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>SETEMBRO, 1968<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Tr\u00eas padres franceses e um di\u00e1cono brasileiro s\u00e3o presos e torturados em Belo Horizonte. A CNBB reage dizendo que nenhuma autoridade pode julgar a prega\u00e7\u00e3o do seu clero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>MAIO, 1969<br \/>\n<\/strong>O padre Ant\u00f4nio Henrique Pereira Neto, 28, \u00e9 encontrado no Recife morto, com corda no pesco\u00e7o, feridas pelo corpo, tiro na cabe\u00e7a e cortes de fac\u00e3o na garganta e na barriga. Era o padre auxiliar de d. Helder C\u00e2mara, arcebispo de Olinda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>OUTUBRO, 1969<br \/>\n<\/strong>A madre Maurina Borges da Silveira, diretora do Lar Santa de Ribeir\u00e3o Preto, SP, \u00e9 submetida a choques el\u00e9tricos e obrigada a assinar uma confiss\u00e3o dizendo ser amante de um guerrilheiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>NOVEMBRO, 1969<br \/>\n<\/strong>Os freis dominicanos Fernando de Brito e Ivo Lesbaupin s\u00e3o presos e torturados. No interrogat\u00f3rio, \u00e9 descoberto o paradeiro de Marighella, morto em seguida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>AGOSTO, 1974<br \/>\n<\/strong>O frade dominicano Tito de Alencar Lima, torturado na sede da Oban, em 1969, suicida-se no ex\u00edlio, na Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>OUTUBRO, 1975<br \/>\n<\/strong>O DOI paulista simula o suic\u00eddio do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto em suas depend\u00eancias. O arcebispo d. Paulo, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright celebram na S\u00e9 um ato em sua mem\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>OUTUBRO, 1976<br \/>\n<\/strong>Um policial mata a tiro o padre jesu\u00edta Jo\u00e3o Bosco Burnier, no Mato Grosso. Motivo do assassinato: o padre tinha ido \u00e0 delegacia denunciar a tortura contra camponesas.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"16---as-cidades-nao-eram-violentas-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">16. &#8220;As cidades n\u00e3o eram violentas&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Durante a ditadura, a viol\u00eancia urbana cresceu sem parar, e a taxa de homic\u00eddio atingiu o n\u00edvel de epidemia<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cH\u00e1 um novo crime na pra\u00e7a: mais ambicioso e mais duro. E um novo criminoso, que trocou a cacha\u00e7a pela maconha, a faca pelo rev\u00f3lver\u201d, dizia a mat\u00e9ria de capa da\u00a0<em>Veja<\/em>\u00a0de 23 de abril de 1969. As principais capitais sentiam crescer a viol\u00eancia urbana \u2013 em S\u00e3o Paulo, assaltos a banco saltaram de um em 1965 para 37 em 1968; em um ano, roubos pularam de 150 para 400, e homic\u00eddios dolosos, de 280 para 350. \u201cE os menores? Com 14 anos, ou at\u00e9 menos, j\u00e1 h\u00e1 bandidos perigosos, h\u00e1beis motoristas, quase sempre bem armados; matam, roubam e, quando detidos, caem nos institutos de menores, de onde quase sempre conseguem fugir\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">De 1920 a 1960 a taxa de homic\u00eddios esteve sob controle, numa m\u00e9dia de 5 mortos a cada 100 mil habitantes \u2013 isso apesar de o n\u00famero de paulistanos ter pulado de 580 mil para 3,8 milh\u00f5es. At\u00e9 que a taxa come\u00e7ou a acelerar na d\u00e9cada de 1960 [<em>veja gr\u00e1fico<\/em>]. Em 1968, j\u00e1 eram 10,4 mortos por 100 mil \u2013 n\u00edvel que a OMS considera epid\u00eamico. Desde ent\u00e3o, continuou subindo at\u00e9 atingir seu cume em 1999, com 64,3 homic\u00eddios a cada 100 mil. N\u00e3o por coincid\u00eancia, a escalada se acelerou no final da ditadura, quando policiais formaram grupos de exterm\u00ednio, aplaudidos pela popula\u00e7\u00e3o como her\u00f3is por matarem bandidos.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Transforma\u00e7\u00e3o<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">At\u00e9 os anos 1960, a maior parte dos homic\u00eddios paulistanos acontecia dentro de casa. Era sinal de que a maiora n\u00e3o passava de crimes passionais ou de desentendimentos entre parentes ou conhecidos. Crimes mais bizarros se concentravam na Boca do Lixo, atual Cracol\u00e2ndia, ou nas m\u00e3os de vil\u00f5es m\u00edticos, como o Bandido da Luz Vermelha. Em todo caso, o homicida era considerado um p\u00e1ria social, respons\u00e1vel por a\u00e7\u00f5es incompreens\u00edveis e conden\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194427\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194427\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Na ditadura, a Veja relatou o crescimento da viol\u00eancia urbana em quatro capas. J\u00e1 eram dessa \u00e9poca os arrast\u00f5es a pr\u00e9dios, os vigilantes privados e os an\u00fancios de rev\u00f3lver em promo\u00e7\u00e3o.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194427\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/revistas\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/revistas.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"VEJA\" data-image-caption=\"Na ditadura, a Veja relatou o crescimento da viol\u00eancia urbana em quatro capas. J\u00e1 eram dessa \u00e9poca os arrast\u00f5es a pr\u00e9dios, os vigilantes privados e os an\u00fancios de rev\u00f3lver em promo\u00e7\u00e3o.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Na ditadura, a Veja relatou o crescimento da viol\u00eancia urbana em quatro capas. J\u00e1 eram dessa \u00e9poca os arrast\u00f5es a pr\u00e9dios, os vigilantes privados e os an\u00fancios de rev\u00f3lver em promo\u00e7\u00e3o. (VEJA\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas o homic\u00eddio ganhou um novo significado na S\u00e3o Paulo do fim dos anos 1960. \u201cA figura do bandido, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 do trabalhador, tornou-se amea\u00e7adora a ponto de seu exterm\u00ednio ser desejado ou tolerado\u201d, afirma Bruno Paes Manso, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da USP. O homic\u00eddio tornou-se um m\u00e9todo de limpeza e controle social, e o homicida, um her\u00f3i em defesa da comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No final da d\u00e9cada de 1960, o ent\u00e3o delegado da Pol\u00edcia Civil S\u00e9rgio Fleury formou o primeiro grupo paulista explicitamente destinado ao exterm\u00ednio de bandidos comuns \u2013 o Esquadr\u00e3o da Morte. Entre 1969 e 1971, matou mais de 200 suspeitos, e convenceu muitos de que \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O grupo agia de madrugada. Tirava presos comuns das celas e executava-os numa estrada vazia. Para divulgar a obra, acomodava o desenho de uma caveira ao lado do corpo e chamava a imprensa. Numa pesquisa da Veja em 1970, 60% dos paulistas se disseram favor\u00e1veis ao esquadr\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os grupos de exterm\u00ednio n\u00e3o agiram sozinhos. Em 1975, com a guerrilha de esquerda j\u00e1 desmontada, a PM passou a atuar no patrulhamento ostensivo das periferias paulistanas. Sua ferramenta de controle territorial era a morte. Nos anos 1980, surgiram tamb\u00e9m os justiceiros privados, que, com o respaldo de comerciantes locais e da pol\u00edcia, come\u00e7aram a matar em bairros perif\u00e9ricos.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Avalanche<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O exterm\u00ednio teve um efeito colateral imprevisto \u2013 aumentou a criminalidade nas periferias. Isso por dois motivos. Primeiro, o homic\u00eddio inicia uma cadeia de vingan\u00e7as. Numa pesquisa de 2012, Manso descobriu que uma rixa iniciada em 1993 no Jardim \u00c2ngela, na zona sul de S\u00e3o Paulo, levou a 156 mortos em cinco anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Outro fator \u00e9 que a imagem de corpos largados nas ruas, enterros de amigos e de parentes e conversas sobre tiroteios tornam o homic\u00eddio um meio poss\u00edvel para resolver disputas ou reagir a amea\u00e7as. \u201cConflitos banais, como o galanteio \u00e0 namorada de terceiros, brigas em bar ou olhares enviesados podem ser suficientes para despertar o medo da morte\u201d, afirma Manso. E quem teme morrer se previne matando antes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O auge da viol\u00eancia urbana s\u00f3 viria 14 anos depois do fim da ditadura. Mas isso n\u00e3o fez da ditadura uma \u00e9poca de paz nas ruas. Foi um per\u00edodo de viol\u00eancia urbana crescente. Acima de tudo, foi a incuba\u00e7\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o de jovens prontos para matar uns aos outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>A Escalada<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Evolu\u00e7\u00e3o da taxa de homic\u00eddios em S\u00e3o Paulo (mortos por 100 mil habitantes)<\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194393\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-194393 size-full\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png?w=1024&amp;h=508\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png?w=150&amp;h=74 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png?w=300&amp;h=149 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png?w=768&amp;h=381 768w\" alt=\"Clique para ampliar\" width=\"1024\" height=\"508\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194393\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/a-escalada\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png?w=1024&amp;h=508\" data-orig-size=\"1024,508\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png?w=1024&amp;h=508?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-escalada.png?w=1024&amp;h=508?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Dossi\u00ea SUPER (365)\" data-image-caption=\"\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Clique para ampliar (Dossi\u00ea SUPER (365)\/Superinteressante)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"17---a-luta-armada-era-democratica-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">17. &#8220;A luta armada era democr\u00e1tica&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Guerrilheiros combatiam a ditadura. Mas queriam a ditadura do proletariado no seu lugar<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">A derrota do 1\u00ba de abril de 1964 desmoralizou as principais correntes de esquerda do Brasil. O PTB foi arrancado do governo a f\u00f3rceps, a direita subiu ao poder, e o PCB, partido mais influente entre intelectuais e movimentos sociais, mergulhava numa crise existencial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ainda em 1958, o Partid\u00e3o tinha renunciado \u00e0 luta armada. Em vez da revolu\u00e7\u00e3o, passou a defender uma via pac\u00edfica, reformista. Faria uma alian\u00e7a com a chamada \u201cburguesia nacional\u201d, representada pelo PTB e por parte do PSD, e concentraria suas for\u00e7as para combater dois inimigos maiores \u2013 o \u201cimperialismo\u201d e o \u201cfeudalismo\u201d. Foi assim que o PCB colocou sindicatos e movimentos sociais do lado de Jango e, ao mesmo tempo, passou a pressionar nas ruas por controle do capital estrangeiro e reforma agr\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas a estrat\u00e9gia pacifista deu no que deu. De um lado, os velhos dirigentes do PCB ficaram esperando acontecer, sem armas nem votos. Do outro, a gera\u00e7\u00e3o do \u201cvamos embora, que esperar n\u00e3o \u00e9 saber\u201d inspirava-se nas vit\u00f3rias armadas de Che, Fidel, Ho Chi Minh e Ben Bella. Ent\u00e3o, os mais inconformistas abandonaram o Partid\u00e3o e se uniram a estudantes idealistas e a militares brizolistas para formarem grupos de luta armada. Para a esquerda radical, n\u00e3o havia por que falar em paz, quando a direita tomava o poder com tanques.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Desse ponto de vista, as guerrilhas de esquerda foram, de fato, uma resist\u00eancia contra a ditadura. Mas seu objetivo n\u00e3o era dar um passo para tr\u00e1s e restaurar o regime democr\u00e1tico liberal. Era levar a cabo uma revolu\u00e7\u00e3o e instalar a ditadura do proletariado \u2013 tal como fizeram seus \u00eddolos, os ditadores Fidel e Mao.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cEles n\u00e3o queriam apenas derrotar a ditadura. Pretendiam destruir o capitalismo como sistema\u201d, afirma o historiador e ex-guerrilheiro Daniel Aar\u00e3o Reis. \u201cO capitalismo n\u00e3o mais existiria sem a ditadura. E a ditadura era a garantia do capitalismo. A destrui\u00e7\u00e3o de uma significaria a morte do outro.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os grupos guerrilheiros foram muitos. Em geral, seu plano era montar guerrilhas rurais financiadas nas cidades por \u201cexpropria\u00e7\u00f5es\u201d \u2013 ou simplesmente assaltos. Uns tinham projeto mais nacionalista; outros, mais socialista. Uns eram vanguardistas que esperavam ser seguidos pelas massas; outros defendiam a participa\u00e7\u00e3o popular. Sua organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m variava da rigidez do partido \u00e0 flexibilidade da guerrilha de inspira\u00e7\u00e3o cubana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Apesar das diferen\u00e7as, todos tinham duas metas em comum, como escreveu Carlos Marighella em setembro de 1969. \u201cA primeira \u00e9 que a atual estrutura de classes seja transformada e que o aparelho burocr\u00e1tico-militar do Estado seja destru\u00eddo, para, no seu lugar, ser colocado o povo armado\u201d, disse o guerrilheiro mais procurado pela ditadura. \u201cA segunda \u00e9 expulsar do Pa\u00eds os norte-americanos\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194425\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194425\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Presos pol\u00edticos libertados em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado em 1969 por militantes do MR-8 e da ALN\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194425\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/presos-politicos\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/presos-polc3adticos.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-caption=\"Presos pol\u00edticos libertados em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado em 1969 por militantes do MR-8 e da ALN\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Presos pol\u00edticos libertados em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado em 1969 por militantes do MR-8 e da ALN (Divulga\u00e7\u00e3o\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Metamorfose<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ainda assim, prevalece hoje o mito de que a luta armada buscava a democracia. Essa grande mudan\u00e7a de discurso ocorreu j\u00e1 na segunda metade dos anos 1970, durante a campanha pela anistia. \u201cOs projetos revolucion\u00e1rios derrotados transformaram-se na ala extrema da resist\u00eancia democr\u00e1tica. [\u00c9 como se] ningu\u00e9m quisera participar de uma revolu\u00e7\u00e3o social, apenas aperfei\u00e7oar a democracia, e muitos n\u00e3o se privariam de dizer inclusive que lutavam apenas por um pa\u00eds melhor\u201d, afirma Reis. \u201cFez-se o sil\u00eancio sobre a saga revolucion\u00e1ria. Ela saiu dos radares da sociedade. Desapareceu soterrada na mem\u00f3ria coletiva.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Houve resist\u00eancias \u00e0 metamorfose. Em julho de 1975, o militante Raul Villa, codinome do soci\u00f3logo \u00c9der Sader, publicou na revista\u00a0<em>Brasil Socialista<\/em>\u00a0um texto propondo que a esquerda lutasse por liberdades democr\u00e1ticas. Sader foi desautorizado pela Polop, organiza\u00e7\u00e3o que ajudara a fundar. Na edi\u00e7\u00e3o seguinte, Daniel Terra, l\u00edder do MR-8, escreveu outro texto insistindo na democratiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Foi assim que as antigas organiza\u00e7\u00f5es de luta armada, j\u00e1 derrotadas e exiladas, come\u00e7aram a ceder ao campo democr\u00e1tico. Com a Lei da Anistia, de 1979, e a sa\u00edda de ex-guerrilheiros do ex\u00edlio ou da clandestinidade, muitos adaptaram o passado conforme seus interesses pol\u00edticos presentes. \u201cFazem de conta que tiveram no passado as mesmas posi\u00e7\u00f5es hoje defendidas\u201d, diz o soci\u00f3logo Marcelo Ridenti. Agora, a redemocratiza\u00e7\u00e3o era abra\u00e7ada por ex-guerrilheiros \u2013 como fizeram Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis, Carlos Minc, Alo\u00edsio Nunes, Jos\u00e9 Geno\u00edno, Jos\u00e9 Dirceu e Dilma Rousseff.<\/span><\/p>\n<div class=\"box\">\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Como a esquerda pegou em armas<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>A luta armada reuniu militares brizolistas, jovens universit\u00e1rios e antigos comunistas insatisfeitos com o pacifismo do PCB.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Desde a Campanha da Legalidade, de 1961, Brizola manteve sob sua lideran\u00e7a um contingente de marinheiros e sargentos rebeldes, depois expurgados na faxina de Castelo Branco. Exilado no Uruguai, Brizola formou com esses homens a primeira guerrilha da ditadura \u2013 o Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio, que recebeu apoio de Cuba. O MNR chegou a planejar tr\u00eas insurrei\u00e7\u00f5es: no Mato Grosso, com ajuda do Partido Comunista Boliviano, no atual Tocantins e na Serra de Capara\u00f3, divisa entre Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. O Ex\u00e9rcito desmontou todas, com facilidade, e Brizola deixou as armas de lado. Mas os antigos sargentos rebeldes continuaram dispostos a guerrilhar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Paralelamente, jovens de classe m\u00e9dia influenciados pelas vit\u00f3rias de Che e Mao e pelos ventos revolucion\u00e1rios de maio de 1968 formavam uma nova gera\u00e7\u00e3o de esquerda universit\u00e1ria radical. Eles tinham o idealismo e o romantismo para lutar. Faltava apenas a experi\u00eancia necess\u00e1ria para manter uma organiza\u00e7\u00e3o clandestina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 a\u00ed que entraram em cena os dissidentes do PCB, como Carlos Marighella. Os velhos dirigentes comunistas carregavam a experi\u00eancia de ter sobrevivido \u00e0 ditadura do Estado Novo e a d\u00e9cadas de clandestinidade. Foi nessa associa\u00e7\u00e3o entre ex-militares, estudantes radicais e dissidentes comunistas que se formaram as v\u00e1rias guerrilhas de esquerda.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">A ascens\u00e3o e a queda da guerrilha<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>O golpe de 1964 despertou uma gera\u00e7\u00e3o de jovens para a pol\u00edtica. com o fechamento do regime, em 1968, eles buscaram a luta armada, inspirados em Cuba e na China<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>N\u00famero de militantes armados:<\/strong>\u00a01.416, divididos em cerca de 20 grupos<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Maior grupo:<\/strong>\u00a0ALN (300 membros)<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Assaltos a bancos e carros-fortes:<\/strong>\u00a01968: 17 \/ 1969: 83 \/ 1970: 47 \/ 1971: 7<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Valor roubado:<\/strong>\u00a0US$ 3,8 milh\u00f5es<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Atentados a bomba:<\/strong>\u00a040<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Sequestros a avi\u00f5es:<\/strong>\u00a08<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Sequestros de diplomatas:<\/strong>\u00a0embaixadores dos EUA, da Alemanha Ocidental e da Su\u00ed\u00e7a e c\u00f4nsul do Jap\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>ASCENS\u00c3O<br \/>\n<\/strong><em>1965 \u2013 1967<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Ensaio de luta armada: Brizola exila-se no Uruguai, onde cria o MNR, com militares expurgados por Castelo Branco. Aproxima-se de Fidel e envia militantes para Cuba. Depois de tr\u00eas guerrilhas fracassadas entre 1965 e 1967, o MNR se dispersa e seus militantes v\u00e3o para outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>25.jul.1966<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O primeiro atentado: Uma bomba-rel\u00f3gio explode no aeroporto de Guararapes, no Recife. O alvo \u00e9 o general Costa e Silva, ent\u00e3o presidenci\u00e1vel, mas seu avi\u00e3o pousa em Jo\u00e3o Pessoa. Morrem um almirante da reserva e um jornalista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Nov.1967<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Marighella: A ALN come\u00e7a a agir escondida. Realiza assaltos que se confundem com crimes comuns e atentados sem assumir a autoria. Mas o grupo \u00e9 identificado em 1968, e a foto de seu l\u00edder, Carlos Marighella, \u00e9 publicada na capa da revista\u00a0<em>Veja<\/em>. Come\u00e7a a ca\u00e7a aos guerrilheiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>25.jun.1968<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Caminh\u00e3o-bomba: De madrugada, a VPR lan\u00e7a um caminh\u00e3o com 15 kg de dinamite contra o Quartel General do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, SP. A explos\u00e3o mata o soldado M\u00e1rio Kozel Filho e fere seis. A VPR era liderada por Carlos Lamarca, ex-capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>1.jul.1968<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Justi\u00e7amento 1: Tr\u00eas membros do grupo Colina tentam \u201cjusti\u00e7ar\u201d o capit\u00e3o boliviano Gary Prado, que havia sido acusado de matar Che Guevara. Por engano, acabam matando o major alem\u00e3o Edward von Westernhagen.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>12.out.1968<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Justi\u00e7amento 2: A VPR mata o capit\u00e3o americano Charles Rodney Chandler na sa\u00edda de casa, em S\u00e3o Paulo. O veterano do Vietn\u00e3 estudava no Pa\u00eds. Segundo os guerrilheiros, era agente da CIA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>18.jul.1969<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O cofre do Ademar: 13 militantes da VPR vestidos de agentes da PF roubam um cofre com US$ 2,6 milh\u00f5es \u2013 equivalentes hoje a US$ 17 milh\u00f5es. O dinheiro estava na casa do irm\u00e3o da amante de Ademar de Barros, ex-governador paulista conhecido pelo slogan \u201crouba, mas faz\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>4.set.1969<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O diplomata 1: Membros do MR-8 e da ALN sequestram o embaixador americano Charles Burke Elbrick. Em troca, exigem a liberta\u00e7\u00e3o de 15 presos pol\u00edticos, enviados ao M\u00e9xico, e a publica\u00e7\u00e3o de um manifesto nos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>QUEDA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Repress\u00e3o<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O sequestro de Elbrick leva a ditadura a uma corrida repressiva. Recorrendo \u00e0 tortura, desmonta a estrutura da luta armada. No curto per\u00edodo de setembro de 1969 a janeiro de 1970, ela descobre 66 esconderijos, prende 320 pessoas, apreende 300 armas e mata o m\u00edtico Marighella.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No fim de 1970 h\u00e1 pelo menos 400 militantes presos \u2013 mais do que os 200 exilados e os meros 100 na clandestinidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>11.mar.1970<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O diplomata 2: A VPR sequestra o c\u00f4nsul japon\u00eas Nobuo Okuchi em troca de cinco presos pol\u00edticos, enviados ao M\u00e9xico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>11.jun.1970<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O diplomata 3: A ALN e a VPR sequestram o embaixador alem\u00e3o Ehrenfried von Holleben em troca de 40 presos pol\u00edticos, enviados \u00e0 Arg\u00e9lia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>7.dez.1970<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O diplomata 4: A VPR sequestra o embaixador Giovanni Bucher em troca de 70 presos pol\u00edticos, enviados ao Chile.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>15.abr.1971<br \/>\n<\/em>Justi\u00e7amento 3: O MRT mata, em conjunto com a ALN, o executivo Henning Boilesen, presidente da Ultragaz, por ter ajudado a financiar a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Jan.1973<br \/>\n<\/em>Fim 1: ALN, VAR, VRP e APML reconhecem o fracasso da luta armada urbana, em artigo do jornal\u00a0<em>Le Monde<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Out.1974<br \/>\n<\/em>Fim 2: Em 1967, o PCdoB come\u00e7a a instalar ao longo do rio Araguaia a \u00fanica guerrilha rural do Brasil. A estrat\u00e9gia era fazer um lento trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o junto aos agricultores locais. Foi exterminada por tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, entre 1972 e 1974 .<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"18---subversivos-ameacavam-a-ditadura-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">18. &#8220;Subversivos amea\u00e7avam a ditadura&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Apesar de algumas a\u00e7\u00f5es de impacto, os grupos armados eram pequenos, desunidos e vulner\u00e1veis<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Entre 1968 e 1971, grupos de esquerda assaltaram 154 bancos e carros-fortes, o que rendeu \u00e0 \u201ccausa\u201d estimados US$ 3,8 milh\u00f5es \u2013 equivalentes a US$ 23 milh\u00f5es atuais. Isso fazia da guerrilha brasileira a mais rica do mundo. Al\u00e9m disso, fizeram 40 atentados a bomba, sequestraram oito avi\u00f5es comerciais e quatro diplomatas estrangeiros. No campo, o Ex\u00e9rcito precisou mobilizar o maior n\u00famero de soldados em territ\u00f3rio nacional desde a Guerra de Canudos, para combater a Guerrilha do Araguaia. Uma \u00fanica opera\u00e7\u00e3o teve 3.200 homens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">De fato, a luta armada foi uma resist\u00eancia \u00e0 ditadura. Mas seria um exagero dizer que essas dezenas de pequenos grupos desunidos representava uma amea\u00e7a ao regime. Contra os revolucion\u00e1rios havia pelo menos quatro fatores: a capacidade desproporcionalmente maior da repress\u00e3o, a falta de unidade da esquerda, um modelo de revolu\u00e7\u00e3o inadequado ao Brasil e a popularidade da ditadura. \u201cIndependentemente das inten\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, os grupos armados n\u00e3o tinham a menor condi\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica ou militar de enfrentar o poder da ditadura\u201d, afirma o soci\u00f3logo Marcelo Ridenti, da Unicamp.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os 1.416 guerrilheiros eram suficientes para lotar um audit\u00f3rio grande, mas n\u00e3o para liderar uma revolu\u00e7\u00e3o num pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais. Ainda assim, ganharam visibilidade com a\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, mas isso refor\u00e7ou o argumento militar de que \u201cinimigos internos\u201d amea\u00e7avam a seguran\u00e7a nacional e, por isso, deveriam ser eliminados por meios n\u00e3o convencionais.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Otimismo<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No in\u00edcio da luta armada, a esquerda colheu alguns sucessos. Mas eles refletiam menos a capacidade dos guerrilheiros e mais aquela janela de oportunidade aberta antes de a ditadura consolidar seu aparato repressor. Era mais f\u00e1cil fazer guerrilha em 1968 e no in\u00edcio de 1969, quando o regime n\u00e3o tinha informa\u00e7\u00f5es sobre os grupos armados e seus m\u00e9todos, quando as \u201cexpropria\u00e7\u00f5es\u201d se confundiam com crimes comuns, quando os alvos de atentados estavam despreparados e quando as vit\u00f3rias alimentavam o esp\u00edrito revolucion\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 em setembro de 1971, havia mais militantes presos e exilados do que em a\u00e7\u00e3o. Os que permaneciam soltos estavam mais ocupados em sobreviver do que com a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Desuni\u00e3o<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Desde o in\u00edcio, a luta armada n\u00e3o foi unanimidade na esquerda. O velho PCB era irredutivelmente contra armas. \u201cDiscordo das a\u00e7\u00f5es isoladas que nada adiantar\u00e3o ao desenvolvimento do processo revolucion\u00e1rio e somente servir\u00e3o para agravar a vida do povo brasileiro e motivar maiores crimes contra todos os patriotas\u201d, escreveu o l\u00edder comunista Greg\u00f3rio Bezerra em suas\u00a0<em>Mem\u00f3rias<\/em>. Nada mal para um preso pol\u00edtico libertado em troca do embaixador americano Elbrick, sequestrado pela ANL e pelo MR-8.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mesmo os que se armaram n\u00e3o concordavam entre si. \u201cA pol\u00edtica \u00e9 um jogo de vaidades, e at\u00e9 na resist\u00eancia armada as vaidades pessoais se imp\u00f5em. Foi imposs\u00edvel estabelecer a unidade entre os grupos, e isso explica muito do fracasso da luta\u201d, afirma o jornalista e ex-guerrilheiro Fl\u00e1vio Tavares.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Intelligentsia<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana teve um impacto imenso no imagin\u00e1rio da esquerda brasileira. A maioria dos grupos armados brasileiros adotou como estrat\u00e9gia de a\u00e7\u00e3o o \u201cfoquismo\u201d, teorizado a partir do caso cubano. Nesse modelo, um pequeno foco guerrilheiro libertador conquista o apoio das \u201cmassas oprimidas\u201d. E, com sua ades\u00e3o, consegue derrubar o regime. Mas isso era uma simplifica\u00e7\u00e3o grosseira do que ocorreu na Cuba pr\u00e9-revolucion\u00e1ria. E, pela simplifica\u00e7\u00e3o, o foquismo n\u00e3o deu certo em nenhuma outra parte do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No Brasil, estudantes e intelectuais conseguiram formar grupos revolucion\u00e1rios vanguardistas, mas n\u00e3o atra\u00edram o apoio popular. A ALN, por exemplo, tinha 237 estudantes e diplomados, contra apenas 68 trabalhadores bra\u00e7ais. Dos processos de crime pol\u00edtico na Justi\u00e7a Militar, 58% n\u00e3o envolviam prolet\u00e1rios, mas estudantes ou pessoas com diploma universit\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Uma das raz\u00f5es para a guerrilha ter t\u00e3o pouco apoio popular foi que o auge da repress\u00e3o coincidiu com o milagre econ\u00f4mico. Os trabalhadores em nome dos quais se fazia revolu\u00e7\u00e3o estavam imersos no pleno emprego, no sucesso da Sele\u00e7\u00e3o, nas novelas e na propaganda antiterrorista produzida pelo governo. Com p\u00e3o, circo e medo do socialismo, por que deveriam trocar a ditadura por um grupo de estudantes armados?<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"19---marighella-fez-um-guia-ameacador-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">19. &#8220;Marighella fez um guia amea\u00e7ador&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: O &#8220;Minimanual do Guerrilheiro Urbano&#8221; serviu de propaganda, mas era falho demais para ser um guia<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Carlos Marighella publicou em 1969 a maior pe\u00e7a de propaganda pol\u00edtica da luta armada brasileira \u2013 seu\u00a0<em>Minimanual do Guerrilheiro Urbano<\/em>. Suas c\u00f3pias mimeografadas se multiplicaram na clandestinidade at\u00e9 se tornar, na \u00e9poca, o texto pol\u00edtico brasileiro mais reproduzido no exterior. De fato, foi eficaz como propaganda, mas p\u00e9ssimo como guia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cMarighellla cometeu, no manual, erros e omiss\u00f5es incompreens\u00edveis para um comandante de opera\u00e7\u00f5es paramilitares, escreve Elio Gaspari em\u00a0<em>A Ditadura Escancarada<\/em>. N\u00e3o escreveu uma linha sobre esconderijos, e considerou o helic\u00f3ptero in\u00fatil em persegui\u00e7\u00f5es, por n\u00e3o pousar na rua \u201d ignorando sua fun\u00e7\u00e3o essencial para observa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas o mais surreal do\u00a0<em>Minimanual<\/em>\u00a0\u00e9 seu retrato do guerrilheiro. Como Rambo, deve \u201csuportar a fadiga, a fome, a chuva e o calor\u201d, \u201cnunca ter medo do perigo\u201d e praticar diferentes lutas \u201cde ataque e de defesa pessoal\u201d. O 007 socialista precisa ainda \u201cconduzir um autom\u00f3vel, pilotar um avi\u00e3o, dirigir um barco a motor ou a vela\u201d. E, como um escoteiro, deve \u201ccompreender a mec\u00e2nica, o r\u00e1dio, o telefone, a eletricidade e possuir conhecimento de eletr\u00f4nica, de qu\u00edmica, de fabrica\u00e7\u00e3o de carimbos, o perfeito conhecimento de caligrafia e de imita\u00e7\u00e3o das escritas (\u2026), porque \u00e9 obrigado a falsificar documentos para viver numa sociedade que ele pretende destruir\u201d. Marighella n\u00e3o escreveu um guia, mas uma obra que beira a fic\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">A genealogia da guerrilha<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Depois do golpe, dissidentes da esquerda formaram v\u00e1rios grupos guerrilheiros desunidos. Em 1973, j\u00e1 se dissolveram ou se desarmaram. Veja as maiores organiza\u00e7\u00f5es da \u00e9poca<\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194394\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-194394 size-full\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=1024&amp;h=1288\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=119&amp;h=150 119w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=239&amp;h=300 239w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=768&amp;h=966 768w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=814&amp;h=1024 814w\" alt=\"Clique para ampliar\" width=\"1024\" height=\"1288\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194394\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/a-geneologia-da-guerrilha\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=1024&amp;h=1288\" data-orig-size=\"1024,1288\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=1024&amp;h=1288?w=239\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/a-geneologia-da-guerrilha.png?w=1024&amp;h=1288?w=814\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Dossi\u00ea SUPER (365)\" data-image-caption=\"\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Clique para ampliar (Dossi\u00ea SUPER (365)\/Superinteressante)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"20---estudantes-sempre-se-opuseram-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">20. &#8220;Estudantes sempre se opuseram&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: No in\u00edcio, parte dos alunos foi omissa ou favor\u00e1vel ao golpe. A grande virada veio com a repress\u00e3o nas universidades<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\"><span style=\"color: #000000;\">Do golpe de 1964 at\u00e9 o AI-5, em 1968, universit\u00e1rios foram a principal for\u00e7a de oposi\u00e7\u00e3o ao governo militar, e sua liga\u00e7\u00e3o \u00edntima com as classes art\u00edstica e intelectual acabou criando uma mitologia estudantil libertadora. \u201cAinda assim, conv\u00e9m evitar qualquer abordagem mistificadora do ativismo estudantil\u201d, afirma o historiador Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Universit\u00e1rios s\u00f3 formaram um movimento social de esquerda na d\u00e9cada de 1960. Antes, o ensino superior era elitista demais para isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Durante a Rep\u00fablica Velha (1889-1930), o curso de Direito do Largo S\u00e3o Francisco formou os filhos da elite governante. Oito dos presidentes eleitos naquele per\u00edodo sa\u00edram das Arcadas. Seus estudantes eram t\u00e3o conservadores que, na primeira greve geral do Brasil, em 1917, liderada por anarquistas, eles se ofereceram para substituir os motorneiros nos bondes paralisados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na primeira metade da d\u00e9cada de 1950, a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) foi dirigida por setores vinculados \u00e0 conservadora UDN.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Dois fatores concorreram para que os estudantes dessem uma guinada \u00e0 esquerda em 1960. A universidade abriu-se para a classe m\u00e9dia. De 27.253 estudantes universit\u00e1rios em 1945, o Brasil saltou para 142.386 no in\u00edcio de 1964. Ao mesmo tempo, a Igreja Cat\u00f3lica forneceu a organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para os estudantes se mobilizarem: a Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica (JUC).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quando a JUC foi criada, em 1930, seu objetivo era forjar futuros l\u00edderes cat\u00f3licos na elite intelectual brasileira. Mas, ao longo da d\u00e9cada de 1950, a JUC passou a tomar gosto por temas sociais e pol\u00edticos. Em 1961, j\u00e1 estava t\u00e3o \u00e0 esquerda que se aliou ao PCB numa elei\u00e7\u00e3o da UNE. Para se livrar de amarras da Igreja, uma ala mais radical abandonou a JUC e criou, em 1962, a A\u00e7\u00e3o Popular (AP) \u2013 entre seus membros estava o atual chanceler Jos\u00e9 Serra. Primeiro, a AP pregou a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica junto a movimentos populares. Depois, defendeu as armas.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194410\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194410\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"Estudantes da USP fazem assembleia para organizar uma passeata contra a ditadura, em mar\u00e7o de 1968.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194410\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/estudantes-usp\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/estudantes-usp.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Acervo Iconographia\" data-image-caption=\"Estudantes da USP fazem assembleia para organizar uma passeata contra a ditadura, em mar\u00e7o de 1968.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">Estudantes da USP fazem assembleia para organizar uma passeata contra a ditadura, em mar\u00e7o de 1968. (Acervo Iconographia\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">Guinada \u00e0 esquerda<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O golpe de 1964 n\u00e3o foi acompanhado por uma resist\u00eancia retumbante entre estudantes. Como no resto da sociedade, parte da comunidade acad\u00eamica apoiou o golpe, ou foi omissa. \u201cEsse quadro inicial funcionou aos olhos dos setores golpistas como uma confirma\u00e7\u00e3o de que a UNE e as demais entidades estudantis s\u00f3 dominavam a representa\u00e7\u00e3o estudantil devido \u00e0 capacidade `comunista\u00bf de manipular massas e elei\u00e7\u00f5es\u201d, escreve Martins.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em junho de 1964, Castelo prop\u00f4s ao Congresso extinguir as organiza\u00e7\u00f5es estudantis \u2013 ele queria acabar com os \u201cestudantes profissionais\u201d comunistas. Professores de esquerda tamb\u00e9m sofreram. Quatro reitores foram depostos. Na USP, o soci\u00f3logo Florestan Fernandes foi preso e seu assistente Fernando Henrique Cardoso exilou-se no Chile. Dois professores de medicina foram enviados a um navio-pres\u00eddio, depois de terem sido denunciados por colegas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">No curto prazo, as cassa\u00e7\u00f5es e os inqu\u00e9ritos desorganizaram a esquerda universit\u00e1ria. Mas, no longo prazo, o efeito foi exatamente o contr\u00e1rio. Liberais e moderados que haviam apoiado o golpe se opuseram ao regime. A repercus\u00e3o externa tamb\u00e9m pesou. Mais de 20 universidades europeias e americanas, lideradas pelo pr\u00eamio Nobel Werner Heisenberg, tinham protestado em 1965 contra a persegui\u00e7\u00e3o ao f\u00edsico Mario Schenberg, da USP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O que o regime n\u00e3o percebeu foi que a clandestinidade aproximaria universit\u00e1rios de antigos dirigentes comunistas, grupos revolucion\u00e1rios, brizolistas radicais e centenas de sargentos e suboficiais expulsos pelo expurgo nas For\u00e7as Armadas. Segundo o soci\u00f3logo Marcelo Ridenti, 30,7% das pessoas processadas por liga\u00e7\u00e3o com esquerdas armadas eram estudantes. Assim, enquanto o Rio organizava a Passeata dos Cem Mil, em 1968, a Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria jogou uma caminhonete com 50 kg de dinamite contra o Quartel-General do 2\u00ba Ex\u00e9rcito, em S\u00e3o Paulo, matando o soldado M\u00e1rio Kozel Filho, de 18 anos. Agora, a luta dos estudantes contra o regime era armada.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\">1968, o ano que n\u00e3o foi<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Por meses, a classe m\u00e9dia que tinha apoiado o golpe ficou ao lado dos estudantes em protestos contra a ditadura<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>28 DE MAR\u00c7O<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">A PM carioca mata a tiro o secundarista Edson Lu\u00eds, 17, que participava de protesto no bandej\u00e3o Calabou\u00e7o. Colegas velaram o corpo na Assembleia Legislativa. Depois, um cortejo de 50 mil o levou ao cemit\u00e9rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>1\u00ba DE ABRIL<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">No 4\u00ba anivers\u00e1rio do golpe, alunos e policiais se enfrentam no centro do Rio. De 56 feridos, 30 eram policiais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>4 DE ABRIL<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">\u00c9 celebrada mais de uma centena de missas de 7\u00ba dia em mem\u00f3ria a Edson Lu\u00eds. A maior delas, na Candel\u00e1ria, foi seguida por pancadaria do esquadr\u00e3o de cavalaria da PM.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><b>20 DE JUNHO<\/b><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Estudantes ocupam a reitoria da UFRJ. Centenas deles s\u00e3o presos, levados ao campo do Botafogo, espancados e humilhados. No dia seguinte, o centro do Rio foi tomado por manifesta\u00e7\u00f5es, nas quais morreram 27 civis e um PM, com a cabe\u00e7a esmagada por tijolo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>26 DE JUNHO<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O centro do Rio \u00e9 tomado pela Passeata dos Cem Mil, com apoio de um grupo diverso \u2013 estudantes, artistas, esquerdistas, religiosos, liberais e membros da classe m\u00e9dia, indignada com a trucul\u00eancia policial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>13 DE OUTUBRO<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O movimento estudantil \u00e9 desmantelado com a pris\u00e3o de praticamente toda a lideran\u00e7a universit\u00e1ria brasileira no 30\u00ba Congresso da UNE, em Ibi\u00fana, SP. A entidade s\u00f3 voltaria a existir depois de 1979. Enquanto isso, parte das suas lideran\u00e7as migrou para a luta armada. Em dezembro, a ditadura baixava o AI-5 e a luta come\u00e7ava para valer.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"21---o-terror-vinha-so-da-esquerda-\" class=\"section-box section-layout-text\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"article\">\n<header>\n<h2 class=\"article-title\"><span style=\"color: #000000;\">21. &#8220;O terror vinha s\u00f3 da esquerda&#8221;<\/span><\/h2>\n<h3 class=\"article-subtitle\"><span style=\"color: #000000;\">A VERDADE: Grupos de extrema-direita realizaram atentados, sobretudo contra artistas e intelectuais<\/span><\/h3>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><span style=\"color: #000000;\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><i class=\"icon-twitter\"><\/i><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/#respond\"><i class=\"material-icons\">chat_bubble_outline<\/i><\/a><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><i class=\"icon-pinterest\"><\/i><i class=\"material-icons\">more_horiz<\/i><\/span><\/section>\n<section class=\"article-content content-closed\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em 1968, a ditadura estava no vai ou racha. O presidente Costa e Silva vacilava entre tolerar o retorno das manifesta\u00e7\u00f5es de rua \u2013 que voltaram ap\u00f3s quatro anos de quase sil\u00eancio \u2013 ou amea\u00e7ar o estado de s\u00edtio. Conforme aumentaram os ataques da esquerda armada, a linha dura militar decidiu agir por conta pr\u00f3pria. Oficiais de baixa patente reuniam-se no Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE) e tra\u00e7aram sua estrat\u00e9gia. \u201cDefinimos qual era o campo mais fraco e decidimos que era o setor de teatro\u201d, disse o coronel Luiz Helv\u00e9cio Silveira Leite, num depoimento de 1985. \u201cA gente invadia, queimava, batia, mas nunca matava ningu\u00e9m.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em junho, a Maison de France recebia uma montagem de\u00a0<em>O Burgu\u00eas Fidalgo<\/em>, com\u00e9dia de Moli\u00e8re que satiriza o alpinismo social na Fran\u00e7a de Lu\u00eds 14. Embora Moli\u00e8re tenha nascido dois s\u00e9culos antes de Karl Marx, a extrema-direita julgou o nome comunista e plantou uma bomba no teatro carioca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Depois, seguiram explos\u00f5es nos teatros Gl\u00e1ucio Gil e Opini\u00e3o, tamb\u00e9m no Rio, nas faculdades de Belas Artes e de Direito da URFJ, na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da UERJ, na Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa, na Livraria Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira \u2013 uma editora de obras de esquerda -, no dep\u00f3sito do\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>\u00a0e no\u00a0<em>Correio da Manh\u00e3<\/em>. Tamb\u00e9m foram alvos a representa\u00e7\u00e3o comercial da URSS e a embaixada polonesa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A orienta\u00e7\u00e3o do CIE era de se limitar ao \u201cterrorismo branco\u201d, sem mortos. Mas o brigadeiro Jo\u00e3o Paulo Moreira Brunier queria mais. Em junho de 1968, planejou instalar bombas na embaixada dos EUA e em empresas americanas, destruir a represa que abastecia o Rio e explodir o gas\u00f4metro da cidade. Tudo para culpar a esquerda. O capit\u00e3o S\u00e9rgio de Miranda Carvalho denunciou o plano do brigadeiro, mas tudo acabou abafado pelo ministro da Aeron\u00e1utica \u2013 que, al\u00e9m do mais, demitiu o delator.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u201cMais do que indiferen\u00e7a, h\u00e1, no comportamento do governo, est\u00edmulo \u00e0 viol\u00eancia\u201d, afirmou um editorial do\u00a0<em>Correio da Manh\u00e3<\/em>. A coniv\u00eancia do regime permitiu a consolida\u00e7\u00e3o de um grupo delinquente e impune, que continuaria a agir na comunidade de seguran\u00e7a da ditadura.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_194408\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194408\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png?w=1024&amp;h=682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png 1024w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png?w=150&amp;h=100 150w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png?w=300&amp;h=200 300w, https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png?w=768&amp;h=512 768w\" alt=\"J\u00e1 no primeiro dia de ditadura, a extrema-direita incendiou a sede da UNE, no Rio. Em 1968, os ataques se generalizaram, com a coniv\u00eancia de Costa e Silva.\" width=\"1024\" height=\"682\" border=\"0\" data-attachment-id=\"194408\" data-permalink=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/attachment\/ditadura-1-dia\/\" data-orig-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png?w=1024&amp;h=682\" data-orig-size=\"1024,682\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"21 mitos sobre a ditadura militar\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png?w=1024&amp;h=682?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2017\/12\/ditadura-1-dia.png?w=1024&amp;h=682?w=1024\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ag\u00eancia O Globo\" data-image-caption=\"J\u00e1 no primeiro dia de ditadura, a extrema-direita incendiou a sede da UNE, no Rio. Em 1968, os ataques se generalizaram, com a coniv\u00eancia de Costa e Silva.\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000000;\">J\u00e1 no primeiro dia de ditadura, a extrema-direita incendiou a sede da UNE, no Rio. Em 1968, os ataques se generalizaram, com a coniv\u00eancia de Costa e Silva. (Ag\u00eancia O Globo\/Montagem sobre reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os atentados n\u00e3o vinham apenas da anarquia militar. Paralelamente, ganhava notoriedade o Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas (CCC) \u2013 um grupo paramilitar de extrema-direita formado em S\u00e3o Paulo, ainda em 1963, por estudantes conservadores. A estrat\u00e9gia era a mesma do baixo oficialato do CIE: atacar artistas e intelectuais. E, na \u00e9poca, poucos alvos eram t\u00e3o evidentes quanto o teatro Ruth Escobar, que encenava\u00a0<em>Roda Viva<\/em>, de Chico Buarque.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na pe\u00e7a, o diretor Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa montava cenas er\u00f3ticas entre a Virgem Maria e Jesus, transformava capacete militar em penico e jogava na plateia um f\u00edgado de boi dilacerado. Um card\u00e1pio de provoca\u00e7\u00f5es a conservadores. Em 17 de julho, dezenas de membros do CCC invadiram o teatro, depredaram suas instala\u00e7\u00f5es e espancaram o elenco, com cassetetes e socos-ingleses. Fizeram um corredor polon\u00eas at\u00e9 a rua, onde os atores continuaram apanhando diante da plateia e de policiais indiferentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em outubro, a trupe seguiu para Porto Alegre. \u00c0s v\u00e9speras da estreia, o CCC distribuiu panfletos contra a pe\u00e7a. No dia 2, o grupo agrediu novamente o elenco e sequestrou dois artistas por algumas horas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Enquanto isso, em S\u00e3o Paulo, os dois extremos pol\u00edticos conviviam em cal\u00e7adas opostas na rua Maria Ant\u00f4nia. De um lado, a Faculdade de Filosofia da USP concentrava lideran\u00e7as do movimento estudantil. Do outro, a Universidade Presbiteriana Mackenzie abrigava membros do CCC, e seu curso de Direito atra\u00eda aspirantes a delegado de pol\u00edcia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No dia 2 de outubro, secundaristas faziam um ped\u00e1gio na Maria Ant\u00f4nia para financiar o 30\u00ba Congresso da UNE. Alguns estudantes do Mackenzie inconformaram-se. De insultos, o desentendimento escalou para o lan\u00e7amento de um ovo, que virou pedra, que virou tijolo, que virou amea\u00e7as de invas\u00e3o, que viraram dois dias de luta, com o inc\u00eandio do pr\u00e9dio da Filosofia e a morte do secundarista Jos\u00e9 Carlos Guimar\u00e3es por bala perdida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com o AI-5, os atentados de direita reduziram-se \u2013 mas n\u00e3o por terem sido reprimidos. Pelo contr\u00e1rio. Esse setor an\u00e1rquico e delinquente das For\u00e7as Armadas tornou-se parte da comunidade de seguran\u00e7a da ditadura, que fez da tortura e do exterm\u00ednio pol\u00edticas de Estado. O terrorismo clandestino da extrema-direita pode ter sido \u201cbranco\u201d. O terrorismo de Estado, n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<\/section>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Fonte:Superabril<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class='share-to-whatsapp-wrapper'><div class='share-on-whsp'>Share on: <\/div><a data-text='21 mitos sobre a ditadura militar' data-link='https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/21-mitos-sobre-a-ditadura-militar\/' class='whatsapp-button whatsapp-share'>WhatsApp<\/a><div class='clear '><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A esquerda brasileira recebia em janeiro de 1963 a \u00faltima not\u00edcia boa das pr\u00f3ximas quatro d\u00e9cadas. Com o apoio de sindicatos e de movimentos sociais, o presidente Jo\u00e3o Goulart (PTB) recuperou os poderes que o Congresso lhe tinha arrancado 16 meses antes. O chefe de Estado voltava a ser chefe de governo. 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