{"id":7811,"date":"2018-08-06T11:18:25","date_gmt":"2018-08-06T14:18:25","guid":{"rendered":"http:\/\/newsinfoco.com.br\/?p=7811"},"modified":"2018-08-06T11:24:34","modified_gmt":"2018-08-06T14:24:34","slug":"uma-epidemia-de-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/uma-epidemia-de-depressao\/","title":{"rendered":"Uma epidemia de depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"pub-in-text\" class=\"outstream clearfix\" data-google-query-id=\"CNOOusLN2NwCFcx7AQod_g0N4g\">\n<p id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/info.web.oglobo\/opiniao\/materia_2__container__\" style=\"text-align: justify;\">Com o suic\u00eddio do jovem\u00a0Jiovani Reis da Cruz, de apenas 22 anos,\u00a0 no s\u00e1bado passado, em Alagoinhas iniciou-se a mesma cantilena ret\u00f3rica de sempre. A depress\u00e3o seria o mal do s\u00e9culo, que sua causa seriam os tempos modernos, a velocidade do ritmo de vida, a cultura da celebridade, do consumismo, a superficialidade das rela\u00e7\u00f5es afetivas, a nossa falta de aten\u00e7\u00e3o para com o outro, a falta de religi\u00e3o ou de alguma cren\u00e7a m\u00edstica etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1911, o ent\u00e3o almirante Winston Churchill escreveu para sua esposa: \u201cAcho que um m\u00e9dico pode ser \u00fatil para mim se o cachorro negro voltar. Ele parece estar distante agora, o que \u00e9 um al\u00edvio. Todas as cores voltam \u00e0 vida\u201d. Estaria o futuro primeiro-ministro brit\u00e2nico falando em c\u00f3digos sobre uma miss\u00e3o ultrassecreta? N\u00e3o! Ele apenas popularizara o termo \u201ccachorro negro\u201d como uma met\u00e1fora para <strong>depress\u00e3o<\/strong>, da qual sofria longas e duras crises. Ali\u00e1s, Churchill \u00e9 s\u00f3 um nome de uma longa lista de personalidades com um ponto comum em suas biografias: Vincent Van Gogh, Abraham Lincoln, Albert Einstein e Charles Darwin tamb\u00e9m penaram com esse transtorno em algum momento da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1 companhia apenas para os g\u00eanios das artes, das ci\u00eancias e da pol\u00edtica: ela atinge pessoas de todas as cores, classes sociais e faixas et\u00e1rias. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) apostava que o problema seria respons\u00e1vel por 9,8% do total de anos saud\u00e1veis desperdi\u00e7ados pela humanidade l\u00e1 em 2030. Pois n\u00e3o \u00e9 que essa estimativa foi alcan\u00e7ada j\u00e1 em 2010, duas d\u00e9cadas antes do previsto? Atualmente, 400 milh\u00f5es de pessoas convivem com o dist\u00farbio no planeta. Al\u00e9m de liderar a lista das doen\u00e7as mais incapacitantes, a melancolia sem fim gera gastos na casa dos 800 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano \u2014 o equivalente ao Produto Interno Bruto da Turquia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds \u00e9 particularmente ruim: um levantamento realizado pela americana Universidade Harvard em 18 localidades mostra que a preval\u00eancia de depress\u00e3o no Brasil \u00e9 a maior entre as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, com um total de 10,4% de indiv\u00edduos atingidos. E a taxa de mortes relacionada a epis\u00f3dios depressivos (incluindo suic\u00eddios) aumentou 705% por aqui nos \u00faltimos 16 anos, segundo pesquisa realizada pelo jornal <em>O Estado de S. Paulo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m deixar clara a diferen\u00e7a entre depress\u00e3o e tristeza. A primeira \u00e9 uma doen\u00e7a, marcada por sentimentos de prostra\u00e7\u00e3o, perda de interesse e prazer, culpa, baixa autoestima, dist\u00farbios de sono e na alimenta\u00e7\u00e3o, cansa\u00e7o e d\u00e9ficit de concentra\u00e7\u00e3o. Embora os m\u00e9dicos n\u00e3o conhe\u00e7am em detalhes os motivos do in\u00edcio de uma crise \u2014 tampouco o que acontece direito no c\u00e9rebro deprimido \u2014, o quadro tem diagn\u00f3stico e tratamento. Portanto, n\u00e3o d\u00e1 para caracteriz\u00e1-lo como falha de car\u00e1ter ou falta do que se preocupar. \u201cAinda h\u00e1 muito estigma, e isso s\u00f3 prejudica a melhora do paciente\u201d, diz o psiquiatra T\u00e1ki Cord\u00e1s, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de S\u00e3o Paulo (IPq-USP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na contram\u00e3o, a tristeza faz parte da natureza humana. \u201cEla \u00e9 uma das formas como expressamos o colorido das emo\u00e7\u00f5es\u201d, define o psiquiatra Luis Felipe Costa, consultor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. O problema come\u00e7a quando esse sentimento paralisa e impede que a vida siga em frente. A\u00ed \u00e9 preciso procurar ajuda. O escritor americano Andrew Solomon, autor de <em>O Dem\u00f4nio do Meio-Dia<\/em> (Companhia das Letras), obra que faz um grande retrato do transtorno, resume bem esse conceito: \u201cO contr\u00e1rio da depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a alegria, mas, sim, a vitalidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas como explicar essa explos\u00e3o de casos nas \u00faltimas d\u00e9cadas? Os especialistas entrevistados por SA\u00daDE foram un\u00e2nimes em apontar o melhor diagn\u00f3stico da doen\u00e7a como fator principal. \u201cTalvez ela atingisse muita gente no passado, mas, por falta de informa\u00e7\u00e3o, ficava escondida\u201d, avalia o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais interesse sobre o tema e m\u00e9dicos preparados justificariam, ent\u00e3o, boa parte da epidemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ingrediente de peso \u00e9 uma palavra que acompanha a rotina de quase todo cidad\u00e3o: estresse. \u201cEm estudos com ratos jovens, vemos que ele \u00e9 um desencadeador de depress\u00e3o na vida adulta\u201d, observa a biom\u00e9dica Deborah Suchecki, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Em humanos, a tens\u00e3o e o nervosismo al\u00e9m da conta fazem o cortisol decolar. Quando esse horm\u00f4nio se mant\u00e9m alto por um longo tempo, provoca uma bagun\u00e7a cerebral. Que tristeza!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o fato de boa parte da popula\u00e7\u00e3o viver em cidades assoladas por tr\u00e2nsito, filas, viol\u00eancia e risco de ataques terroristas e cat\u00e1strofes naturais faz o tal do cortisol chegar \u00e0 estratosfera. O individualismo e a sobrecarga de informa\u00e7\u00f5es que bombardeiam a cachola teriam efeito similar. \u201cO estresse afeta a sa\u00fade mental na mesma medida que o tabagismo \u00e9 prejudicial ao cora\u00e7\u00e3o\u201c, compara o psiquiatra Gerard Sanacora, da Universidade Yale, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pegando um gancho na fala do m\u00e9dico, um terceiro personagem importante dessa hist\u00f3ria \u00e9 o abuso em \u00e1lcool, tabaco e outras drogas. Dados de um levantamento da Unifesp de 2013 apontam um crescimento de 20% no consumo frequente de bebidas no Brasil, tend\u00eancia que se repete no planeta inteiro. \u201cA depend\u00eancia qu\u00edmica \u00e9 uma das principais promotoras do transtorno\u201d, afirma o psiquiatra Andr\u00e9 Astete, que hoje atua na Secretaria Municipal de Sa\u00fade de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, no Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe esclarecer que a depress\u00e3o depende de uma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para se manifestar. Em outras palavras, nem estresse nem drinques a mais conseguem, sozinhos, acordar o cachorro negro. \u201cEles funcionam como gatilhos para o surgimento do dist\u00farbio\u201d, diz o m\u00e9dico Ant\u00f4nio Geraldo da Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria. O problema \u00e9 que, na sociedade moderna, o n\u00famero de fatores prontos para deflagrar uma crise parece s\u00f3 aumentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como acontece na maioria das doen\u00e7as, flagrar a melancolia em seus est\u00e1gios iniciais est\u00e1 relacionado a um tratamento mais efetivo e menos penoso. Al\u00e9m disso, quanto mais o quadro se prolonga, piores s\u00e3o suas repercuss\u00f5es. \u201cNosso desafio \u00e9 encontrar os casos leves, uma vez que os moderados e graves s\u00e3o f\u00e1ceis de perceber\u201d, atesta Cord\u00e1s. Por ora, o diagn\u00f3stico \u00e9 feito no consult\u00f3rio, com o relato do paciente e seu hist\u00f3rico familiar \u2014 a ci\u00eancia ainda n\u00e3o descobriu uma mol\u00e9cula no sangue que denuncia a condi\u00e7\u00e3o com assertividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, a U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), uma comiss\u00e3o de estudiosos que elabora as pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica para o governo dos Estados Unidos, alterou a sua recomenda\u00e7\u00e3o sobre a forma de detectar a depress\u00e3o. Desde o come\u00e7o de 2016, eles passaram a sugerir que os m\u00e9dicos \u2014 independentemente da especialidade \u2014 realizem testes de rastreamento em todos os pacientes acima de 18 anos. \u201cNos baseamos nos estudos em que pessoas identificadas previamente e tratadas com antidepressivos e psicoterapia obt\u00eam uma melhora significativa dos sintomas\u201d, justifica o epidemiologista Michael Pignone, membro do USPSTF e professor da Universidade da Carolina do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exame \u00e9 composto de um question\u00e1rio simples, com poucas perguntas. As respostas d\u00e3o um indicativo de como anda a sa\u00fade mental do indiv\u00edduo. \u201c\u00c9 importante salientar que o rastreamento \u00e9 s\u00f3 o primeiro passo. Caso o resultado inicial seja positivo, um psiquiatra realizar\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa\u201d, completa Pignone. Infelizmente, o Brasil n\u00e3o possui programas do tipo e n\u00e3o h\u00e1 uma discuss\u00e3o s\u00f3lida para que se estabele\u00e7a algo nesse mesmo modelo. \u201cNosso pa\u00eds conta com apenas 5 500 psiquiatras para um n\u00famero gigantesco de queixas\u201d, lamenta o neurocientista Jos\u00e9 Alexandre Crippa, da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio tomar cuidado para n\u00e3o enxergar um cachorro negro onde h\u00e1 apenas tristeza passageira. \u201cTamb\u00e9m precisamos fazer diagn\u00f3sticos criteriosos e n\u00e3o confundir depress\u00e3o com uma s\u00e9rie de transtornos com caracter\u00edsticas parecidas, como a bipolaridade\u201c, lembra o psiquiatra Pedro do Prado Lima, de Porto Alegre. Cada dist\u00farbio pede uma t\u00e1tica diferente de combate \u2014 embaralh\u00e1-los, portanto, s\u00f3 atrapalha a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esque\u00e7a a hist\u00f3ria de que a depress\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a exclusiva da mente. Pesquisas come\u00e7am a comprovar que seus efeitos f\u00edsicos v\u00e3o muito al\u00e9m. Podem atingir, sem exageros, o corpo inteiro. O primeiro prejudicado \u00e9 o pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o do pensamento. \u201cConforme o quadro avan\u00e7a, ocorre uma diminui\u00e7\u00e3o em estruturas cerebrais importantes, como o hipocampo, relacionado \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0s emo\u00e7\u00f5es\u201d, cita Sanacora. E essa \u00e9 apenas uma de suas repercuss\u00f5es: o cora\u00e7\u00e3o, as articula\u00e7\u00f5es e o sistema imunol\u00f3gico sofrem quando a melancolia se instaura de vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, reuniram dados de 29 estudos com cerca de 3 900 pacientes para entender a fundo essas liga\u00e7\u00f5es perigosas. Ap\u00f3s a an\u00e1lise, ficou claro que os sujeitos deprimidos carregam mais radicais livres no organismo \u2014 em excesso, esses elementos prejudicam o funcionamento das c\u00e9lulas saud\u00e1veis e abrem alas para uma cole\u00e7\u00e3o de encrencas. Por outro lado, subst\u00e2ncias antioxidantes, de efeito ben\u00e9fico, se encontram em menor n\u00famero. A not\u00edcia boa \u00e9 que o tratamento correto traria de volta o equil\u00edbrio a essa equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O drama para o corpo \u00e9 que a depress\u00e3o provoca um intenso estado inflamat\u00f3rio. Lembra da hist\u00f3ria do cortisol nas alturas? Pois ele volta a incomodar aqui. \u201cJunto a uma s\u00e9rie de fatores, altos n\u00edveis do horm\u00f4nio baixam a imunidade e aumentam a propens\u00e3o a artrite reumatoide, problemas cardiovasculares e at\u00e9 c\u00e2ncer\u201d, alerta Costa. O risco sobe nos casos em que o transtorno se desenvolve por anos a fio, sem nenhum contra-ataque adequado. Segundo Costa, m\u00e9dicos australianos testam inclusive o uso de anti-inflamat\u00f3rios em parceria com os antidepressivos como uma forma de abreviar o tempo de resposta ao tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre melancolia e males cardiovasculares \u00e9 particularmente forte. Uma investiga\u00e7\u00e3o realizada pela Universidade de Bordeaux e sete outras institui\u00e7\u00f5es francesas acompanhou 7 313 indiv\u00edduos entre 1999 e 2001. Todos eles foram avaliados em quatro oportunidades distintas ao longo desse per\u00edodo. Aqueles que apresentavam altos \u00edndices de sintomas depressivos em todas as ocasi\u00f5es tinham um risco 75% maior de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral, o AVC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E olha que o caminho contr\u00e1rio tamb\u00e9m pode ocorrer: uma desordem qualquer pode ser o gatilho para um abalo ps\u00edquico. \u201cGrupos com algum problema cr\u00f4nico se apresentam mais deprimidos que a popula\u00e7\u00e3o geral\u201d, afirma Astete. Foi o caso do escritor Andrew Solomon: ap\u00f3s a morte de sua m\u00e3e e o fim de um relacionamento amoroso, uma crise de pedra nos rins foi a gota d\u2019\u00e1gua para que o transtorno emergisse. \u201cSenti o controle de minha pr\u00f3pria vida escorregar das m\u00e3os. `Se essa dor n\u00e3o parar\u2019\u00a0disse para um amigo, `vou me matar\u2019. Eu nunca tinha dito isso antes\u201d, escreveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tratamentos para depress\u00e3o mudaram muito ao longo da hist\u00f3ria. Capacete de chumbo, couve-flor, gengibre, hidromel, mirra, banana-da-terra, masturba\u00e7\u00e3o e at\u00e9 um cano pingando \u00e1gua ao lado do doente j\u00e1 foram prescritos. \u00c9 curioso notar tamb\u00e9m que os rem\u00e9dios surgiram h\u00e1 menos de 70 anos. Em geral, eles agem no c\u00e9rebro e aumentam a presen\u00e7a de neurotransmissores relacionados \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar. \u201cAs classes medicamentosas prescritas atualmente partem do princ\u00edpio de que h\u00e1 menos subst\u00e2ncias essenciais, como a serotonina, para o bom funcionamento dos neur\u00f4nios\u201d, resume Deborah Suchecki.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recupera\u00e7\u00e3o pode levar alguns meses ou at\u00e9 mesmo ser cont\u00ednua. Nesses casos, o paciente toma uma dose de manuten\u00e7\u00e3o pelo resto da vida, para se certificar de que a depress\u00e3o n\u00e3o voltar\u00e1. \u201cQuem teve uma primeira crise possui 50% de chance de sofrer outra no futuro\u201d, calcula Crippa. Caso o segundo epis\u00f3dio ocorra, a probabilidade de um terceiro sobe para 70%. Se o terceiro acontecer, o risco de um quarto chega a 90%. O sujeito que j\u00e1 passou por quatro momentos depressivos com certeza ter\u00e1 um quinto se nada for feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso s\u00f3 aumenta a import\u00e2ncia de n\u00e3o abandonar a terapia pela metade. \u201cH\u00e1 um grande perigo de retorno, e com maior gravidade, se o paciente desistir no caminho\u201d, alerta o psiquiatra Fernando Fernandes, do Programa de Transtornos Afetivos do IPq-USP. Os comprimidos demoram tr\u00eas semanas para trazer melhoras. Por\u00e9m, os pequenos ganhos iniciais n\u00e3o significam cura. \u00c9 preciso seguir direitinho a orienta\u00e7\u00e3o do especialista para n\u00e3o sofrer reca\u00eddas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas horas, \u00e9 usual pedir apoio \u00e0 psicoterapia, que se vale de t\u00e9cnicas de express\u00e3o dos sentimentos e orienta\u00e7\u00f5es para trazer al\u00edvio. Nos casos leves, ela chega a dar conta do recado sozinha e at\u00e9 dispensa f\u00e1rmacos. \u201cE, mesmo em situa\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas, esse tipo de tratamento \u00e9 um aliado primordial da terapia medicamentosa\u201d, ressalta Silva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em breve, novas op\u00e7\u00f5es refor\u00e7ar\u00e3o o arsenal terap\u00eautico. \u00c9 o caso do neuropept\u00eddeo Y e da ocitocina, duas subst\u00e2ncias que mostraram efic\u00e1cia no combate \u00e0 depress\u00e3o em testes iniciais. \u201cA vantagem desses candidatos \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas dispon\u00edveis hoje, destaca Deborah. Nos estudos, elas foram administradas por meio de um spray nasal: a mucosa do nariz est\u00e1 cheia de termina\u00e7\u00f5es nervosas, o que faz a droga alcan\u00e7ar o c\u00e9rebro com maior velocidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, de nada adianta apelar para novos medicamentos sem o suporte de familiares e amigos. \u201cA certeza de apoio em um momento de extrema dificuldade \u00e9 a chama de esperan\u00e7a para muita gente\u201d, reflete Nardi. Afinal, o tratamento n\u00e3o vai matar o cachorro negro. O objetivo \u00e9 ensinar o paciente a lidar e conviver com ele diante das situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que aparecem pela frente. Amor e carinho s\u00e3o essenciais para que tudo d\u00ea certo. Com eles, o c\u00e3o negro amansa e a vida se desvencilha da depress\u00e3o para abra\u00e7ar a vitalidade.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #999999;\">fonte: Revista Sa\u00fade<\/span><\/h6>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class='share-to-whatsapp-wrapper'><div class='share-on-whsp'>Share on: <\/div><a data-text='Uma epidemia de depress\u00e3o' data-link='https:\/\/newsinfoco.com.br\/inicio\/uma-epidemia-de-depressao\/' class='whatsapp-button whatsapp-share'>WhatsApp<\/a><div class='clear '><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o suic\u00eddio do jovem\u00a0Jiovani Reis da Cruz, de apenas 22 anos,\u00a0 no s\u00e1bado passado, em Alagoinhas iniciou-se a mesma cantilena ret\u00f3rica de sempre. 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