Em discurso na sessão ordinária desta terça-feira (10), o vereador Luciano Almeida utilizou a tribuna da Câmara Municipal para denunciar o que classificou como uma “enxurrada de ataques” orquestrados contra seu mandato. O parlamentar afirmou, “assinando embaixo com CPF e rubrica”, que parte das agressões virtuais que sofre provém da estrutura de comunicação oficial do município e de ocupantes de cargos comissionados.
“Criou-se uma verdadeira milícia digital, um verdadeiro gabinete do ódio. Existem secretários, diretores e cargos comissionados que, em horário de trabalho, estão em grupos de WhatsApp disseminando mentiras e orquestrando fake news”, afirmou.
Luciano Almeida fez questão de separar a imprensa profissional das estruturas de ataque. Segundo ele, veículos de comunicação imparciais têm o direito legítimo à publicidade institucional, mas questionou os critérios atuais: “Tivemos sites que ficaram de fora simplesmente porque não estavam dispostos a seguir a linha de atacar a oposição”, salientou.
O vereador revelou ainda que a pressão ultrapassou o campo digital. Ele relatou episódios de intimidação física, como carros e motos que o seguiram após a academia e nas proximidades de sua residência. “De onde vem isso? Do sistema?”, indagou.
O parlamentar desafiou o prefeito Gustavo Carmo a comparecer à Casa para prestar contas de sua gestão à frente da Secretaria de Educação, especialmente sobre o destino de R$ 35 milhões dos precatórios.
“Hoje temos escolas caindo aos pedaços, sem ventilador, cozinhas insalubres e telhados vazando. Não se construiu ou reformou com a qualidade necessária, mas se compraram bibliotecas móveis com rodinhas ao valor de R$ 525 mil cada”, afirmou, acrescentando que já protocolou nove representações, sendo que duas já resultaram em inquéritos.
Respondendo a ataques pessoais que o rotularam de “palhaço” e “pilantra” em programa de rádio, o vereador defendeu sua trajetória de 51 anos e suas mãos limpas. “Pilantras são aqueles que entram na política para enriquecer, comprar fazendas e acumular patrimônio incompatível. Eu moro na mesma casa. Tudo o que tenho é compatível com o que ganho”, pontuou
Em aparte, a vereadora Jaldice Nunes prestou solidariedade e reforçou o papel fiscalizador do Legislativo. “Fiscalizar o dinheiro público não é ser palhaço. Nós fomos eleitos para garantir que as políticas cheguem a quem precisa. Também já fui vítima de montagens e ataques, mas escolhi ter coragem”, disse a parlamentar, reafirmando a união da bancada de oposição junto à vereadora Luma Menezes.
PDDM
Apesar do tom crítico, Luciano Almeida parabenizou o vice-prefeito Luciano Sérgio e a técnica Flávia Barbosa pelo esforço na viabilização do Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM) e na atualização de códigos defasados há décadas.
Ao finalizar, o vereador reafirmou que não irá retroceder. “Escolhi o caminho mais difícil, que é a oposição, o caminho mais tortuoso. Mas hoje me sinto mais livre para trazer a voz do povo para esta tribuna. Não vou me acovardar”, concluiu.
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Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz




























