O tom de indignação marcou o pronunciamento da vereadora Raimunda Florêncio na sessão desta terça-feira (10). Ao endossar o discurso da colega Juci Cardoso, a parlamentar demonstrou profunda mágoa com a impunidade que ainda protege agressores no Brasil e a precariedade da rede pública de saúde em Alagoinhas, que, segundo ela, condena mulheres a esperas angustiantes por diagnósticos básicos.
A parlamentar iniciou sua fala exaltando o sucesso da 1ª Corrida Lilás, descrevendo o evento como um “mar de coragem” que tomou as ruas da cidade com mais de 1.700 inscritas. No entanto, a celebração deu lugar a um apelo severo por mudanças na legislação penal brasileira. Para a vereadora, as celebrações do Mês da Mulher perdem o sentido enquanto o sistema permitir que agressores e assassinos conquistem a liberdade mediante pagamento de fiança.
“O homem mata a mulher, vai preso, paga fiança e sai. Isso precisa mudar. O Brasil só começará a mudar de fato quando estabelecermos a prisão perpétua para quem comete feminicídio. Quem tira a vida de uma mulher não pode continuar como está”, defendeu a parlamentar.
Exames
A saúde da mulher foi outro ponto do discurso. Raimunda Florêncio denunciou a demora inaceitável na entrega de resultados de exames preventivos, relatando casos em que a paciente aguarda até quatro meses para receber um laudo. Ela alertou que essa lentidão é fatal, pois muitas vezes, quando o resultado chega, o câncer já está em estágio avançado, retirando as chances de cura daquelas que não possuem recursos para recorrer ao sistema particular.
A parlamentar questionou a eficácia das políticas públicas atuais, citando que o mínimo esperado – um resultado em 30 dias – tornou-se um artigo de luxo. “É justo que uma mulher precise pagar R$ 200,00 por um preventivo por que a rede pública não funciona? O sofrimento das nossas amigas e das mulheres da nossa cidade é muito grande. Elas sofrem atrás do mínimo, que é conseguir uma mamografia ou uma consulta com especialista”, lamentou.
Compromisso
Apesar de se dizer magoada com a falta de avanços em áreas essenciais do município, Raimunda reafirmou seu compromisso de não desistir da luta. Ela parabenizou a vereadora Juci Cardoso pela liderança nas pautas femininas e garantiu que, enquanto houver mulheres desamparadas pelo sistema de saúde ou ameaçadas por leis brandas, seu papel na tribuna será o de cobrar rigor e justiça. “É meu dever continuar lutando por leis que realmente levem o agressor para a cadeia e punam com o rigor que a vida humana exige”, concluiu.
Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas
Fotos – Jhô Paz




























