O artista visual  e professor do curso de Artes Visuais do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), Ayrson Heráclito, foi selecionado, pela segunda vez, para integrar a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza.

exibição começou no dia 9 de maio e vai até 22 de novembro. A Bienal de Veneza é considerada uma das mostras internacionais de artes visuais mais importantes do mundo.

Heráclito foi um dos 111 artistas convidados para a mostra central “In Minor Keys”, concebida pela curadora camaronense Koyo Kouoh. Além dele, apenas outros dois brasileiros – Eustáquio Neves e Dan Lie – foram selecionados para a exposição central. O Brasil também está representado com um pavilhão nacional que, neste ano terá condução totalmente de mulheres e a primeira mulher negra na curadoria do espaço – a artista Rosana Paulino.

O artista baiano de Macaúbas retorna a Veneza pela terceira vez, após participar da 57ª Exposição Internacional de Arte, em 2017, e da 18ª Bienal Internacional de Arquitetura, em 2023.

Heráclito destacou, em entrevista à assessoria da UFRB, a alegria pelo novo convite. “Sinto-me honrado pelo reconhecimento da vitalidade e relevância da minha obra no cenário internacional. Esta participação representa não apenas um marco significativo na minha trajetória artística, mas também uma afirmação da presença da arte contemporânea brasileira no panorama mundial”, afirmou.

O momento coincide com a celebração de 40 anos de vida profissional. Segundo o professor, trata-se de uma oportunidade singular de compartilhar com uma audiência qualificada e internacional a pesquisa que vem desenvolvendo desde 2020.

“Estar novamente na Bienal de Veneza é mais do que uma conquista individual: é um reconhecimento da consistência da minha obra e da relevância da arte contemporânea afro-brasileira no grande sistema global de legitimação artística”, avalia.

“Juntó”

Instalações de “Juntó”, por Ayrson Heráclito (Foto: reprodução/UFRB)

 

O trabalho levado por Ayrson Herá uma instalação da série “Juntó“. A obra é composta por 20 esculturas em aço inox e 238 desenhos que sistematizam as combinações entre dois diferentes orixás, representados por meio de suas ferramentas e insígnias.“Na tradição das religiões afro-brasileiras, cada pessoa é regida por um orixá principal, o Ori, e por um orixá adjunto, chamado juntó. A instalação reúne, de forma inédita, todas as possíveis combinações entre os 16 principais orixás cultuados no Brasil, criando um sistema visual e simbólico que traduz a complexidade dessa cosmologia”, explica o artista e professor.

Além da exposição, o artista também lançará, durante a Bienal de Veneza, o livro “Juntó”, que apresenta parte da pesquisa iniciada em 2020 e amplia o diálogo entre arte contemporânea e tradição afro-brasileira.

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