Entre terra revolvida e corpos em deslocamento, “SEM:TERRA” emerge como um rito cênico que convoca memória, conflito e sonho coletivo.
A nova peça performativa do COATO Coletivo estreia em Salvador como parte do projeto Território Expandido: Arte Local e Global, ocupando o Espaço Cultural da Barroquinha, com temporada de 8 a 17 de maio, sempre às 19h (com exceção dos dias 10 e 11).
Em cena, uma instalação performativa tensiona a relação entre humanidade e terra, propondo ao público uma travessia sensível por disputas, memórias e utopias. Os ingressos custam a partir de R$ 10 e estão disponíveis no Sympla. Algumas sessões contam com recursos de acessibilidade, como audiodescrição e Libras.
A obra — lida como “Sem dois pontos Terra” — integra a segunda etapa do projeto Território Expandido, iniciativa que marca uma nova fase para o COATO ao representar seu primeiro edital de manutenção. A proposta articula arte, política e presença, conectando dimensões locais e globais.
Nessa “caminhada” em busca da expansão do corpo-território, o espetáculo reúne os performers Ana Brandão (SP), Bernardo Oliveira (BA), Danilo Lima (BA), Ixchel Castro (México), Marcus Lobo (BA), Mario Oliveira (PE), Mirela Gonzalez (RS), Natielly Santos (BA) e Thiago Cohen (SP).
Conceito e dramaturgia
Concebida como uma criação coletiva, “SEM:TERRA” se desenvolve a partir de uma instalação cênica que propõe um reencontro humano e artístico. A obra aborda, de forma poética e crítica, as complexas relações entre o ser humano e o território, transitando entre uso, disputa, ocupação e exploração da terra, ao mesmo tempo em que celebra a Terra como origem de tudo.
A dramaturgia se organiza em três blocos performativo-narrativos que se sobrepõem como camadas de um mesmo território simbólico, assinados coletivamente por Bernardo Oliveira, Ixchel Castro, Natielly Santos e Marcus Lobo. No primeiro movimento, a cena reflete sobre o percurso dos povos até a crise contemporânea, com imagens que recriam paisagens de resistência, precariedade e trabalho.
No segundo momento, instala-se um jogo cênico que dialoga com os grandes espetáculos midiáticos e a lógica da representação social. Personagens-arquétipos, em chave brechtiana, evidenciam papéis impostos pelo sistema, enquanto o público é convidado a participar ativamente, influenciando decisões em cena.
Já o terceiro bloco mergulha no campo da memória e da utopia coletiva. Sob uma lona preta, surgem imagens que evocam sonhos compartilhados, ausências e resistências. A obra aposta no sonho como gesto político e poético de reinvenção do mundo, inspirada na ideia de um “mar de fogueirinhas”, do escritor Eduardo Galeano.
Projeto e trajetória
“SEM:TERRA” integra o projeto Território Expandido: Arte Local e Global, que reafirma a arte como prática de presença, permanência e ocupação simbólica dos territórios. A iniciativa teve início com a circulação do espetáculo Arquivo 64/15 – Porões da Ditadura em cidades baianas e incluiu ações formativas como o Lab.Ex – Laboratório de Experimentação Cênica.
A primeira etapa foi concluída em janeiro de 2026 com o Liquidificador de Mídias, realizado na Casa do Benin, consolidando um eixo de circulação, formação e encontro.
Fundado em 2013 na Escola de Teatro da UFBA, o COATO Coletivo construiu uma trajetória marcada pela criação colaborativa e pelo diálogo entre arte e política. Entre seus trabalhos estão Estrelas Derramadas (2013), Arquivo 64/15 – Porões da Ditadura (2015), Maçã (2016), Eu é Outro (2017), Norte/Sur (2017) e Inimigos (2021). O grupo também realiza o Festival Estudantil de Artes Cênicas da Bahia (FESTAC), desde 2017.
Bahia.Ba




























