O vereador Luciano Almeida fez duras críticas à condução financeira da Prefeitura durante o Grande Expediente da sessão ordinária desta terça-feira (12), ao abordar atrasos de pagamentos aos trabalhadores do Hospital Materno-Infantil, questionar o contingenciamento financeiro anunciado pelo município e apontar falhas na resposta da gestão ao avanço dos casos de dengue e chikungunya.

Logo no início do pronunciamento, o parlamentar voltou a manifestar solidariedade aos trabalhadores do Hospital Materno-Infantil de Alagoinhas, atualmente administrado pelo Instituto de Gestão Integrada (IGI). Segundo Luciano, profissionais da unidade convivem com salários atrasados, pressão psicológica e insegurança trabalhista.

“Os trabalhadores sequer conseguem buscar informações no RH ou na direção da unidade sobre previsão de pagamento sem medo de sofrer represálias”, afirmou.

O vereador denunciou ainda atrasos no recolhimento do FGTS e no pagamento do complemento do piso nacional da enfermagem, mesmo com repasses federais destinados especificamente para essa finalidade. Para ele, o modelo de gestão por organizações sociais tem produzido sucessivos passivos trabalhistas que acabam recaindo sobre os cofres públicos municipais.

“Quando essas instituições deixam a gestão, quem acaba assumindo os prejuízos é o próprio município”, criticou.

Luciano Almeida também questionou a situação financeira da Prefeitura e cobrou maior transparência sobre o decreto de contingenciamento adotado pela gestão municipal. O parlamentar afirmou que, apesar do crescimento da arrecadação tributária, fornecedores seguem sem receber e serviços públicos apresentam sinais de fragilidade.

“O município arrecada hoje como nunca arrecadou antes. Mesmo assim, vemos fornecedores sem receber, empresas terceirizadas acumulando atrasos e serviços comprometidos”, declarou.

Durante o debate, o vereador Thor de Ninha fez um aparte defendendo que o município enfrenta impactos financeiros provocados pelo pagamento de passivos trabalhistas e pela perda da desoneração da folha de pagamento após atualização populacional do IBGE, o que teria reduzido significativamente a capacidade financeira da Prefeitura.

Em resposta, Luciano propôs que o secretário municipal da Fazenda seja convocado à Câmara para apresentar detalhadamente os números que justificaram o contingenciamento e os impactos econômicos enfrentados pela administração municipal.

O parlamentar também voltou a criticar obras consideradas lentas ou paralisadas, citando a retomada da creche da Nova Brasília, a situação da creche do Urupiara, além das intervenções na UPA e em outras unidades públicas. Segundo ele, a gestão tem priorizado anúncios e atos administrativos em detrimento da entrega efetiva das obras à população.

Outro ponto central do pronunciamento foi o avanço dos casos de dengue e chikungunya. Luciano Almeida afirmou que os sinais de agravamento da situação epidemiológica já eram percebidos desde o final de 2025 e acusou o município de demora na adoção das medidas preventivas necessárias.

“Se tivessem realizado bloqueios sanitários e ações preventivas ainda no início dos casos, talvez o cenário hoje fosse diferente”, afirmou.

O vereador criticou ainda a demora na ampliação de ações emergenciais, como mutirões de limpeza, pagamento de horas extras e intervenções em imóveis fechados com focos do mosquito Aedes aegypti. Segundo ele, muitas medidas só começaram a ser anunciadas após o agravamento da crise sanitária.

Luciano também relatou problemas na atenção básica de saúde, denunciando ausência de médicos em unidades de saúde do município e o consequente aumento da superlotação na UPA e no Hospital Regional Dantas Bião.

“Pacientes que deveriam receber atendimento simples nas unidades básicas acabam sendo obrigados a procurar a UPA ou o Hospital Dantas Bião”, afirmou.

Na conclusão do discurso, o parlamentar cobrou ainda maior participação do Governo do Estado no enfrentamento da crise da saúde pública regional e criticou a demora na entrega do novo hospital regional. “A população precisa de respostas concretas, não apenas de propaganda institucional”, concluiu.

Ascom – Câmara Municipal de Alagoinhas

Fotos – Jhô Paz