Amigo leitor, desde a noite da última sexta-feira(31), quando o diário oficial da prefeitura de Alagoinhas trouxe uma lista de mais de 90 exonerações de cargos comissionados, a polêmica tomou conta da cidade. Essas demissões, cujo número deve ser ampliado nos próximos dias, vem ao lado de um conjunto de medidas de austeridade anunciados, pelo prefeito da cidade, Gustavo Carmo, em entrevista concedida e divulgada na manhã de hoje(03) no programa que apresento na rádio Ouro Negro FM, o Primeira Mão.

Além das exonerações o gestor municipal promete cortar gastos com consultoria, rever contratos e excessos e implantar medidas de boa governança. O objetivo? Fazer economia para investir em ações de zeladoria na cidade e obras, diante da alta demanda e queixas da população e melhorar a eficiência da máquina pública. O problema é que isso afeta de forma direta acordos politicos firmados, principalmente durante a campanha eleitoral, tornando imprevisível qual será o custo político dessas medidas. É sobre esse dilema que eu comentei na manhã de hoje(03) no Primeira Mão e gostaria de compartilhar também com vocês aqui na minha coluna do site News Infoco.

Meus amigos, é inegável que a gestão pública municipal se vê diante de uma encruzilhada histórica: ceder ao loteamento político da sua estrutura ou priorizar a eficiência na prestação de serviços básicos ao cidadão. O recente pacote de contingenciamento anunciado pelo prefeito Gustavo Carmo em Alagoinhas coloca no centro do debate a urgente necessidade de reordenamento da máquina administrativa municipal.

Durante mais de um ano e meio de gestão, o inchaço da máquina pública e a ineficiência administrativa operaram como gargalos estruturais. Em uma cidade com cerca de 165 mil habitantes, na qual a população cobra diariamente intervenções básicas como operação tapa-buracos, regularidade na limpeza urbana, fornecimento de medicamentos na rede pública e atendimento médico eficiente, a manutenção de indicações políticas sem contrapartida técnica torna-se moralmente insustentável e orçamentariamente inviável.

O alinhamento de apoios políticos e alianças de governo não pode servir de salvo-conduto para a aparelhagem do serviço público. Quando o orçamento municipal é consumido por um fisiologismo que favorece nichos de apadrinhados em detrimento do interesse coletivo, compromete-se diretamente a manutenção básica do município. A decisão de reestruturar o quadro de pessoal e implementar ferramentas de controle severas, como a obrigatoriedade do registro de ponto eletrônico, não representa “traição” a lideranças, mas sim o cumprimento do dever constitucional com a eficiência e a moralidade administrativa.

Porém, se a medida de contenção de gastos é acertada no mérito, a sua execução inicial pecou na estratégia de comunicação. A tomada de decisão por canetada no Diário Oficial, destituída de um anúncio prévio transparente e detalhado à imprensa local, abriu margem para desinformação, teorias de conspiração e narrativas oportunistas propagadas em redes sociais.

Em processos de reforma administrativa e austeridade severas como esta, a transparência pedagógica é fundamental. Cabia ao Poder Executivo convocar uma coletiva de imprensa oficial para apresentar dados como metas, o percentual dos cortes de gastos e a projeção de reinvestimento direto nos serviços públicos. A ausência dessa blindagem comunicacional permitiu que setores desalojados de seus privilégios operassem para distorcer a medida, apresentando o enxugamento da máquina pública como um ato de “traição política”, quando, na realidade, trata-se de um ajuste, mesmo que tardio, frente ao desgaste fiscal que se observa.

Diante de todo esse contexto cabe um alerta à Administração Municipal: o teste decisivo da gestão não reside apenas em assinar os decretos de exoneração, mas na capacidade de converter a economia gerada em melhorias visíveis e tangíveis no cotidiano da população. A austeridade pelo mero corte de gastos não se justifica se o saldo financeiro obtido não for convertido de forma direta na melhoria da infraestrutura urbana e dos serviços sociais essenciais. A população precisa ver os resultados de forma concreta.

O verdadeiro custo eleitoral de uma administração não advém do descontentamento de apadrinhados políticos, mas da frustração contínua do contribuinte que paga seus impostos e não recebe o retorno correspondente em serviços públicos de qualidade. Alagoinhas necessita de uma gestão que sustente com firmeza o processo de desinchaço da máquina pública, garantindo que o interesse público prevaleça de forma definitiva sobre o fisiologismo.

Escrito por Caio Pimenta, advogado, âncora do programa Primeira Mão, da radio Ouro Negro 100,5 FM. Ele também escreve sua coluna no site News Infoco, do qual é editor- chefe e dirige a radio web 2 de julho.