Amigo leitor, basta uma breve caminhada pelo centro de Alagoinhas para atestar uma dura realidade: o trânsito da cidade virou uma verdadeira “esculhambação”. A sensação vivida por um pedestre que tenta atravessar uma rua ou um motorista que tenta pegar uma via de acesso a localidades como Praça Kennedy, Terezopolis, Rua do Catu, 15 de novembro, entre outros, não é a de estar em um município baiano de médio porte, polo regional em pleno desenvolvimento, mas sim numa cidadela onde a fiscalização e qualquer ideia de mobilidade urbana é item inexistente.

O retrato do descaso é nítido e cotidiano. Veículos motorizados sem regulamentação ou com inúmeras restrições circulam livremente pelo coração comercial da cidade sem qualquer abordagem ou restrição. Enquanto em municípios mais organizados a mobilidade urbana avança com tecnologia, sinalização inteligente e modernização do fluxo, Alagoinhas padece na estagnação. Para o cidadão comum, resta o sentimento de abandono institucional.

A Superintendência Municipal de Transito(SMT) e a Administração Municipal que faz festa com colocação de trocentos quebra-molas e simples pinturas de faixas, precisa entender que pintar faixas de pedestres no asfalto sem oferecer garantias reais de segurança é o perfeito exemplo do contínuo “enxugar gelo” da gestão pública. Pois de nada adianta pintar uma faixa que simplesmente o condutor não respeita, porque não teme a fiscalização que é quase nula ou inexistente na cidade

Ações de maquiagem são empurradas de forma vergonhosa para tentar iludir a população enquanto os problemas estruturais se acumulam. Cadê os agentes de trânsito nas ruas? Cadê o concurso público para reforçar o contingente? Onde estão as viaturas para fiscalização ostensiva? Cadê a colocação de novos semáforos?

A situação dos pedestres em Alagoinhas é humilhante. Em cidades minimamente estruturadas, existem semáforos acionados por botoeiras: o cidadão aperta um botão, a sinalização para os veículos fecha de forma ordenada e a travessia é feita com dignidade e segurança. Em Alagoinhas, o pedestre é obrigado a “adivinhar” a intenção do motorista. Basta uma chuva um pouco mais forte para que os poucos semáforos existentes entre em colapso, piscando em amarelo intermitente e instalando o caos generalizado no tráfego.

Se para um cidadão jovem e saudável atravessar a rua já exige reflexos rápidos e coragem, para os idosos a situação beira o desumano. Na rua Moreira Rego, por exemplo, área central da cidade, o cenário atinge contornos dramáticos. Com a remoção do canteiro central, que funcionava como um ponto de apoio na travessia, a via transformou-se em  uma perigosa avenida para os mais velhos.

Somado a isso, a interdição do viaduto da Rua do Catu sobrecarregou o tráfego da região, empurrando uma avalanche de veículos para vias que não possuem estrutura, nem apoio de sinalização e fiscalização. Idosos e pessoas com mobilidade reduzida chegam a aguardar longos minutos sob o sol escaldante ou sob chuva forte para conseguir cruzar a rua. E quando o fazem, precisam correr para não serem atropelados por motoristas que deliberadamente ignoram regras basilares de trânsito como não andar em alta velocidade ou não trafegar na contra-mão.

O trânsito de uma cidade não reflete apenas a quantidade de veículos na rua, mas o respeito da gestão pública para com a vida e a dignidade humana. Sem fiscalização severa, sem investimentos em sinalização moderna e sem prioridade para o pedestre, Alagoinhas continuará refém da desordem e do risco diário.

Escrito por Caio Pimenta, advogado, âncora do programa Primeira Mão, da radio Ouro Negro 100,5 FM. Ele também escreve sua coluna no site News Infoco, do qual é editor- chefe e dirige a radio web 2 de julho.