A crise no sistema de transporte coletivo de Alagoinhas ganhou novos capítulos e uma promessa de intervenção severa por parte da gestão municipal. Após desfalques na frota da empresa ATP, que diminuiu a oferta do serviço em diversos bairros da cidade, na última quarta-feira(19), o cenário de incertezas agora se volta para o risco de atraso no pagamento dos rodoviários diante de atraso de repasses do subsidio por parte da prefeitura, conforme foi exposto pelo vereador oposicionista, Luciano Almeida(UB), em vídeo divulgado nas redes sociais. No entanto, o ponto central para a solução definitiva do problema promete vir do combate direto ao transporte ilegal na cidade.

Em conversa com o assessor especial do prefeito Gustavo Carmo, Antonio Barreto, ele assegurou que a Prefeitura de Alagoinhas em breve atuará firmemente para encerrar a situação de desordem no setor.

A atuação da prefeitura deve englobar não só ações diretas para melhoria e fiscalização da prestação de serviço do transporte coletivo, mas também medidas contra o transporte clandestino na cidade e a efetivação do processo de regulamentação de novos modais de transporte como o serviço de mototáxi. Essas ações devem ter efeito direto na superação do desequilíbrio financeiro do sistemas de transporte coletivo, diminuindo consideravelmente ou até aniquilando a necessidade de subsidio municipal.

Um processo de investigação e avaliação das questões ligadas ao sistema já foi iniciado e as informações obtidas estão sendo analisadas.

Foi identificado por exemplo que veículos não autorizados atuam diretamente nos pontos de embarque, nas linhas e no perímetro urbano concedido à ATP, “roubando” os passageiros pagantes do sistema formal. A concessão do transporte prevê um volume mínimo de passageiros estimado contratualmente em cerca de 500 mil passageiros pagantes mês, Com a evasão para o transporte irregular, o fluxo cai para menos da metade. A diferença gera um déficit que a prefeitura precisa cobrir via subsídios. Com isso recursos públicos que deveriam ser direcionados para áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura urbana acabam sendo utilizados para cobrir o rombo financeiro do transporte. Além disso, diferente do sistema regular, o transporte clandestino não oferece gratuidades para idosos e pessoas com deficiência, não passa por fiscalizações de segurança ou checagem de habilitação e antecedentes, e opera sem garantias para os usuários.

Para embasar as ações de fiscalização e reorganização do sistema de transporte, Antonio Barreto realizou recentemente uma capacitação voltada especificamente ao funcionamento do sistema de bilhetagem eletrônica e realiza um estudo minucioso sobre a realidade e experiencias na gestão do transporte público em várias cidades do Brasil.

A expectativa é de que, nos próximos meses, a Prefeitura de Alagoinhas deflagre operações severas de fiscalização para coibir a clandestinidade e em paralelo retomar o processo de regulamentação do serviço de mototáxi.

Apesar da resistência esperada por parte de grupos, inclusive políticos, suspeitos de lucrarem com a desordem do setor de transporte público, a promessa da administração municipal é reestruturar o sistema para garantir estabilidade aos trabalhadores legalizados, segurança aos passageiros e equilíbrio às contas do município.

Por Caio Pimenta para o News Infoco