Os usuários do transporte público de Alagoinhas podem enfrentar uma segunda-feira (31) complicada. Os rodoviários aprovaram uma greve por tempo indeterminado, com início previsto para 0h, caso não haja uma solução para o atraso no pagamento dos trabalhadores da ATP Transportes.

A decisão foi tomada por unanimidade durante assembleia realizada na quarta-feira (26), após uma paralisação temporária do serviço. Segundo informações apresentadas nesta quinta-feira (27), no programa Primeira Mão, da Rádio Ouro Negro FM, a categoria está sem receber a quinzena que deveria ter sido paga no último dia 20.

De acordo com o sindicato, foram realizadas rodadas de negociação com a ATP, mas não houve acordo. A empresa teria alegado não possuir receita suficiente para realizar o pagamento dos trabalhadores.

O diretor sindical Gil Alagoinhas responsabilizou a Prefeitura pela situação e afirmou que ainda existe possibilidade de evitar a greve caso haja uma negociação envolvendo o Município, a Secretaria da Fazenda e a empresa.

“Eu tenho hoje e amanhã e digo a você aqui no ar que eu tenho uma solução do problema. Se a greve acontecer, a culpa é do prefeito e do secretário de Finanças”, declarou Gil durante participação no Primeira Mão.

Prefeitura rebate argumento sobre atraso de salários

Também durante o programa, o secretário municipal de Mobilidade e Ordem Pública, Hilton Ribeiro, apresentou a posição da Prefeitura e contestou a tentativa de relacionar diretamente o pagamento dos trabalhadores aos repasses municipais para a concessionária.

Segundo Hilton, existem duas relações distintas: uma entre a Prefeitura e a ATP, referente ao contrato de concessão e ao equilíbrio econômico-financeiro do sistema, e outra entre a empresa e seus funcionários.

“A relação jurídica trabalhista não é do motorista com a Prefeitura, do cobrador com a Prefeitura. A relação jurídica trabalhista é da empresa concessionária e do trabalhador que é contratado para prestar o serviço”, afirmou.

O secretário reconheceu que o Município realiza aportes financeiros para ajudar na manutenção do transporte coletivo. Segundo ele, mais de R$ 7 milhões do orçamento municipal foram destinados ao sistema em 2025 e existe previsão superior a R$ 9 milhões para este ano.

Questionado durante a entrevista sobre quantos meses ou qual valor a Prefeitura estaria devendo à ATP, Hilton não apresentou um número. Ele afirmou que os pagamentos referentes ao reequilíbrio econômico-financeiro são realizados de acordo com a disponibilidade orçamentária e financeira do Município.

Para o secretário, porém, eventuais pendências entre Prefeitura e concessionária não justificariam o atraso dos salários.

“A ATP tem que sentar com o sindicato e resolver o seu problema com o trabalhador. A relação entre Prefeitura e ATP a gente resolve na mesa, de acordo com a nossa disponibilidade orçamentária e financeira”, declarou.

Prefeitura prepara plano para segunda-feira

Com a greve anunciada para começar à meia-noite de segunda-feira, uma das principais preocupações passa a ser o impacto sobre milhares de usuários que dependem diariamente dos ônibus, especialmente estudantes, trabalhadores, idosos e pessoas com deficiência beneficiadas por gratuidades no transporte coletivo.

Hilton Ribeiro afirmou que a Prefeitura espera que empresa e sindicato cheguem a um entendimento antes do início da paralisação. Caso isso não aconteça, segundo ele, já está sendo preparado um plano de operação para tentar evitar que a população fique completamente desassistida.

“Se ocorrer, eu já estou fazendo um plano de operação para segunda-feira para a população não ficar desassistida. Tenha certeza que a gente não vai deixar a população na mão”, garantiu.

O secretário, no entanto, não detalhou durante a entrevista quais veículos ou modalidades seriam utilizados, quantas linhas poderiam ser atendidas ou de que forma o plano funcionaria.

Com isso, a situação permanece indefinida. De um lado, os rodoviários condicionam a suspensão do movimento à resolução do pagamento atrasado. Do outro, a Prefeitura sustenta que a responsabilidade trabalhista é da concessionária e tenta afastar do Município a responsabilidade direta pelo atraso.

Se não houver acordo até o fim de semana, a greve está prevista para começar à 0h de segunda-feira (31), por tempo indeterminado, atingindo diretamente o transporte coletivo de Alagoinhas.

 

Por Rodrigo Rattes para o Alagonews