A crise do transporte coletivo em Alagoinhas e as declarações de um representante da Prefeitura sobre possíveis irregularidades no setor motivaram o vereador Gleyser Soares a apresentar requerimento para a realização de uma audiência pública destinada a discutir a mobilidade urbana e rural no município.
Na sessão desta terça-feira (3), o parlamentar defendeu a participação de representantes do governo, trabalhadores, sindicatos e usuários do sistema, com o objetivo de esclarecer as denúncias, avaliar as condições dos serviços e buscar soluções para os problemas que afetam diariamente a população.
Gleyser afirmou que a discussão não deve ficar restrita à situação da empresa ATP, responsável pelo transporte coletivo, mas abranger também o transporte alternativo e o transporte rural. O vereador chamou atenção para a necessidade de verificar a regularidade das licitações, dos alvarás e das autorizações concedidas aos operadores desses serviços.
Segundo o parlamentar, as declarações feitas pelo assessor especial do governo municipal em programas de rádio, mencionando possíveis irregularidades, exigem esclarecimentos formais e acompanhamento do Legislativo.
“Das possíveis irregularidades que o assessor especial do governo fala no rádio, isso é um assunto muito sério que esta Casa precisa estar atenta, e a gente precisa saber, de fato, quais são essas possíveis irregularidades”, afirmou.
O vereador observou que o assessor especial, com aproximadamente dois meses de atuação na administração municipal, já teria identificado indícios de problemas em um sistema cujos contratos estão em vigor há vários anos. Para Gleyser, as informações precisam ser apresentadas e examinadas pela Câmara, responsável pela fiscalização dos atos do Poder Executivo.
Impactos sobre a população
Gleyser criticou a troca de cobranças entre a Prefeitura e a empresa de transporte, enquanto os usuários continuam enfrentando dificuldades para se deslocar pela cidade.
O parlamentar destacou a situação de estudantes, idosos, trabalhadores e moradores de localidades como Miguel Velho, Urupiara e conjuntos habitacionais, onde as deficiências do transporte se somam a outros problemas relacionados à mobilidade, à saúde e à falta de equipamentos de lazer.
Embora reconheça que as dificuldades do transporte coletivo atingem municípios de diferentes regiões do país, Gleyser ressaltou que a prioridade da Câmara deve ser encontrar respostas para a realidade de Alagoinhas.

O vereador também manifestou preocupação com a situação dos trabalhadores do sistema, que convivem com a possibilidade de interrupção das atividades e a incerteza sobre a manutenção dos empregos.
Ao recordar as dificuldades enfrentadas anteriormente pelas empresas Xavier e Cidade de Alagoinhas, alertou para o risco de agravamento da crise e para as consequências de uma eventual descontinuidade do serviço.
A insegurança, segundo Gleyser, também atinge os passageiros, que não sabem se encontrarão ônibus disponíveis nos pontos e se conseguirão chegar aos locais de trabalho ou estudo nos horários necessários.
Debate ampliado
O requerimento apresentado pelo vereador propõe que a audiência pública reúna representantes do sindicato, trabalhadores, usuários e demais envolvidos na prestação dos serviços de transporte.
Gleyser defendeu que a discussão inclua a situação do transporte rural, sobre o qual levantou dúvidas quanto à existência de licitação, além dos critérios para concessão de alvarás e autorizações ao transporte alternativo.
Para o parlamentar, o debate precisa considerar o conjunto dos problemas de mobilidade do município, evitando soluções pontuais que não enfrentem as causas das dificuldades acumuladas ao longo dos anos.
Ao mencionar avaliação feita pelo vereador Luciano Almeida, Gleyser afirmou que a crise se transformou em uma “bola de neve”, resultado de problemas sucessivamente adiados.
“Essa conversa precisa ser uma conversa ampla, para chegarmos a um denominador comum e parar de empurrar o problema para debaixo do tapete”, declarou.
O vereador ressaltou que a Câmara tem sido cobrada pela população e precisa exercer seu papel de fiscalização e articulação institucional para contribuir com a construção de soluções.
Ao concluir, reafirmou a disposição do Legislativo para enfrentar a crise e acompanhar os encaminhamentos necessários à recuperação dos serviços de transporte.
“A gente está pronto para encarar mais um problema da cidade, porque o nosso bem maior é o povo de Alagoinhas”, afirmou.
























