As condições de funcionamento das escolas da rede municipal e os desafios enfrentados diariamente por alunos, professores e demais profissionais da educação foram levados ao plenário da Câmara Municipal pelo vereador Gleyser Soares, na sessão desta terça-feira (11). O parlamentar relatou uma visita realizada na segunda-feira (10) ao Colégio Municipal de Alagoinhas (CMA) e propôs que os vereadores passem a visitar, coletivamente, pelo menos uma unidade escolar por mês.
Segundo Gleyser, a ida ao CMA ocorreu a pedido de nove alunas do último ano, que solicitaram sua presença para verificar necessidades relacionadas às instalações físicas da escola. O vereador afirmou, entretanto, que deixou a unidade preocupado também com questões que ultrapassam os problemas estruturais e alcançam as condições emocionais de estudantes e profissionais.
Durante a visita, o parlamentar disse ter encontrado problemas como falta de torneiras nos banheiros, instalações elétricas expostas, cadeiras quebradas, paredes riscadas e ventiladores sem funcionamento adequado. Também chamou a atenção para o calor enfrentado por alunos e professores nas salas de aula.
Gleyser relatou ainda ter conversado com professores, gestores e outros profissionais da unidade e destacou a preocupação com a saúde mental no ambiente escolar. Segundo ele, professores disseram necessitar de acompanhamento psicológico diante das dificuldades enfrentadas no exercício cotidiano da profissão.
“Não são só os alunos que estão precisando de acompanhamento psicológico. Nós também estamos precisando de acompanhamento e a gente não sabe mais a quem recorrer”, relatou o vereador, reproduzindo uma das manifestações que afirmou ter ouvido durante a visita.

O parlamentar também abordou situações de bullying e a necessidade de maior aproximação entre família e escola. Ele lembrou ter acompanhado, em outra unidade da rede municipal, o caso de uma criança que não queria continuar estudando em razão das agressões sofridas no ambiente escolar.
Para Gleyser, os problemas identificados precisam ser discutidos pelo Legislativo de maneira coletiva. Por isso, sugeriu que os parlamentares deixem periodicamente o plenário para conhecer diretamente a realidade das unidades de ensino.
“Quero aproveitar a oportunidade para convidar todos os colegas para que a gente saia desta Casa e visite pelo menos uma escola por mês, para entendermos, de fato, a realidade”, propôs.
O vereador ressaltou que seu pronunciamento não tinha como objetivo fazer uma crítica direcionada ao governo municipal. Segundo ele, o enfrentamento dos problemas da educação exige a participação de diferentes setores da administração pública e também do Legislativo, tanto na fiscalização quanto na apresentação de soluções.
“A gente precisa sair desta Casa, verificar as deficiências e sugerir soluções para que o bom andamento das coisas aconteça e assim possamos ter escolas cada vez melhores e profissionais cada vez mais bem remunerados e satisfeitos com o seu trabalho”, defendeu.
A situação apresentada por Gleyser repercutiu entre outros parlamentares. Luma Menezes associou o relato às condições térmicas das salas de aula e voltou a defender medidas para adaptar as escolas aos períodos de temperaturas elevadas. A vereadora mencionou projeto de sua autoria voltado à adequação dos ambientes escolares às mudanças climáticas e criticou o veto do Executivo à proposição.

Anderson Xará também manifestou apoio à discussão. O vereador afirmou ter um filho matriculado na rede municipal e destacou que condições inadequadas de ensino podem ampliar desigualdades entre estudantes das redes pública e privada. Ele defendeu uma atuação conjunta dos vereadores na busca por melhorias para as escolas.

Juci Cardoso acrescentou ao debate a necessidade de uma política pública de atenção integral à saúde mental nas unidades de ensino. Para a parlamentar, o atendimento deve alcançar tanto estudantes quanto trabalhadores da educação, além de envolver ações de prevenção às diferentes formas de violência registradas no ambiente escolar.

Juci destacou ainda a importância da participação das famílias no processo educacional e lembrou a existência, desde 2019, de legislação federal que prevê serviços de psicologia e de serviço social nas redes públicas de educação básica.
“É preciso pensar uma política pública que garanta a atenção integral à saúde mental, não apenas dos alunos, mas também dos trabalhadores em educação que estão adoecidos”, afirmou.
As manifestações dos parlamentares ampliaram o debate iniciado a partir da visita ao CMA e colocaram no centro da sessão questões relacionadas à infraestrutura escolar, saúde mental, condições de trabalho dos profissionais, participação das famílias e acompanhamento mais próximo do Legislativo sobre a realidade das unidades municipais de ensino.

























