Amigo leitor, a política de Alagoinhas vive dias de intensa movimentação e burburinho com a recente nomeação do advogado Antônio Barreto para o cargo de assessor do prefeito Gustavo Carmo. O movimento, que pegou muitos de surpresa e dominou as conversas da cidade, levanta uma série de questionamentos sobre os rumos da administração municipal e a real disposição do Poder Executivo em promover mudanças concretas.

Para analisar o quadro de forma sóbria e sem paixões partidárias, é preciso destrinchar o cenário em três eixos centrais: a substituição funcional, as diferenças históricas de contexto e a encruzilhada política que se projeta para o novo assessor e para o próprio prefeito.

O primeiro aspecto que salta aos olhos é a substituição dentro do rol de assessoramento do prefeito. Antônio Barreto assume a vaga anteriormente ocupada por Márcio da Cavada.

Inclusive é preciso aqui levar ao total descrédito a desculpa esfarrapada trazida por Márcio da Cavada de que a sua saída teria ocorrido por “cobrança de melhorias para cidade”. A narrativa não se sustenta diante dos fatos e do bom senso. Se a gestão buscasse afastar vozes críticas, jamais colocaria em seu lugar um perfil historicamente marcado pela cobrança pública e veemente por reformas, como a de Antonio Barreto.

A exoneração de Márcio da Cavada desenha-se como um ato motivado por clara insuficiência técnica e laboral do agora ex-assessor e sua exoneração representa um alívio para o erário e para o contribuinte alagoinhense. A troca, portanto, é um ganho indiscutível em termos de capacidade técnica. Sai uma figura inoperante e entra um advogado estabelecido, experiente e capacitado. E vou além, num recado direto ao prefeito Gustavo Carmo: A exoneração pontual de Márcio da Cavsda deve ser apenas o primeiro passo. Cabe à gestão identificar e exonerar os demais “Márcios da Cavada” que ainda povoam a máquina pública, recebendo recursos sem entregar os resultados que a população exige.

O segundo ponto que quero destacar é com relação as comparações que surgiram entre a nomeação de Antonio Barreto na atual gestão com a nomeação de Juscélio Carmo na então gestão de Paulo Cezar. Tal analogia é extremamente equivocada. tanto do ponto de vista político, quanto estrutural

A primeira grande diferença é que Juscélio Carmo naquela oportunidade ingressou respaldado por um grupo político, liderado na época por Chico Reis, e com autonomia total para gerenciar o município, expurgar irregularidades e determinar ordens ás demais secretarias, enquanto Paulo Cezar se dedicava exclusivamente a fazer política. Além disso, contava com uma equipe técnica auxiliar de peso. Já o advogado Antônio Barreto chega sem estrutura partidária. Barreto é filiado ainda ao PDT, que integra a oposição à gestão municipal e internamente tem uma posição extremamente crítica a forma como a família Menezes conduz a sigla. Ele entra portanto no governo como um quadro independente.

Outro ponto que expõe a diferença entre os dois casos é com relação a natureza do cargo. O cargo de assessor (CC1B) que será ocupado por Antonio Barreto possui nível hierárquico inferior ao assumido por Juscélio. Trata-se, no caso de Antonio Barreto, de uma função de assessoramento institucional, de colocar pautas e diagnósticos sobre a mesa do prefeito. Barreto não entra com a “caneta na mão” para decidir ou gerenciar pastas diretamente, como aconteceu com Juscélio Carmo.

Fica assim claro portanto a diferença entre ambos. partimos então para outra questão. Diria eu até, a grande questão que paira sobre a cidade: a nomeação representa um gesto real de abertura do prefeito para dinamizar a gestão ou trata-se de uma estratégia para silenciar um crítico frequente?

A tese de que Antônio Barreto teria aceito o cargo por motivação financeira ou por busca de poder é frágil. Trata-se de um profissional consolidado, com estabilidade financeira e cujo subsídio do cargo público é inferior ao que pode auferir na iniciativa privada. O movimento só faz sentido sob a premissa de que lhe foram dadas garantias de escuta e disposição para correções de rumo.

Por outro lado, a responsabilidade que passa a recair sobre Barreto é enorme. O novo assessor traz consigo o peso de todas as denúncias e cobranças públicas que já formulou — desde contratos emergenciais, transporte irregular e o funcionamento do abatedouro de Dui do Frango na Central de Abastecimento, até a gestão da saúde municipal. Diante disso, se houver avanços, cidade e gestão ganham e Antonio Barreto consolida sua coerência. Porém, se nada mudar, Barreto corre o risco de sair desmoralizado, sob o estigma de ter aderido às falhas que antes combatia.

Para concluir este artigo, é preciso reconhecer que o gesto do prefeito Gustavo Carmo ao trazer Antônio Barreto para o seu ecossistema traz um sinal positivo: o reconhecimento implícito de que as coisas não vão bem e de que a gestão precisa mudar. Admitir a necessidade de correções é sempre o primeiro passo para o aperfeiçoamento da administração pública.

Peca o governo, contudo, pela falta de transparência imediata. Faltou uma coletiva de imprensa ou uma pronúncia oficial para esclarecer à população — e à própria base governista — qual será o papel exato do novo assessor e como essa união se traduzirá em metas administrativas. A falta de uma satisfação gerou um desgaste inicial desnecessário à nova nomeação, que já entra com um imenso peso nas costas e grande desconfiança de parcela considerável da população.

Outra coisa amigo leitor, é preciso também entender que não existem salvadores da pátria na política, mas sim relações de força e vontade de gestão. De modo que não vai ser a simples presença de Antonio Barreto que será suficiente para resolver todos os problemas do governo. Resta saber se o prefeito terá a humildade de ouvir as orientações técnicas de seu novo assessor, se novos reforços chegarão à gestão e se Antônio Barreto terá o espaço necessário para honrar o discurso que o trouxe até aqui.

A cidade de Alagoinhas assiste atenta e aguarda pelos resultados.

Escrito por Caio Pimenta, advogado, âncora do programa Primeira Mão, da radio Ouro Negro 100,5 FM. Ele também escreve sua coluna no site News Infoco, do qual é editor- chefe e dirige a radio web 2 de julho.