A situação do transporte público de Alagoinhas voltou ao centro do debate nesta sexta-feira (28), após uma semana marcada por atraso salarial, ameaça de greve dos rodoviários e negociações envolvendo trabalhadores, concessionária e poder público. A paralisação, que estava prevista para começar na próxima segunda-feira (31), acabou sendo suspensa após um acordo firmado nesta sexta-feira.
Durante participação no programa Primeira Mão, da Rádio Ouro Negro FM, Juscélio Carmo fez duras críticas à forma como o sistema vem sendo conduzido no município e cobrou mudanças na administração do setor.
Radialista e empresário, Juscélio também possui experiência no transporte coletivo. Segundo ele, durante dois anos esteve à frente da empresa Real, que posteriormente foi vendida à VSA e, mais tarde, deu origem à atual ATP.
Além da experiência empresarial, Juscélio é uma figura conhecida da política de Alagoinhas.
Críticas vêm de problemas antigos
Na avaliação de Juscélio, a crise enfrentada atualmente pelo transporte coletivo de Alagoinhas não pode ser explicada apenas pelas dificuldades que atingem sistemas de ônibus de outras cidades. Para ele, parte dos problemas locais tem origem no modelo de concessão adotado anos atrás.
Durante a entrevista, afirmou ter alertado, ainda no período da implantação da licitação do transporte, para problemas que enxergava no modelo que estava sendo construído. Segundo Juscélio, a estrutura do contrato teria produzido consequências que continuam sendo sentidas pelo município.
Embora a greve tenha sido suspensa após o acordo firmado nesta sexta-feira, o episódio expôs mais uma vez o desgaste enfrentado pelo transporte coletivo de Alagoinhas. Em poucos dias, o atraso no pagamento dos trabalhadores levou à aprovação de uma paralisação e colocou novamente em discussão a situação financeira da operação, a relação entre a concessionária e o Município e a própria condução do sistema.
Fiscalização e números da operação são questionados
Um dos pontos centrais levantados durante o programa foi a necessidade de maior controle do poder público sobre os números apresentados pela concessionária.
Juscélio questionou os custos informados pela ATP e citou combustível e pessoal entre os principais gastos de uma empresa de ônibus. No debate, foi levantada a necessidade de a Prefeitura possuir dados próprios capazes de confrontar as informações apresentadas pela concessionária e verificar efetivamente receitas e despesas da operação.
A discussão avançou para uma cobrança direta sobre a fiscalização exercida pelo Município. Na avaliação apresentada durante o programa, sem instrumentos próprios de acompanhamento dos custos, a administração fica dependente das informações fornecidas pela empresa responsável pela operação.
Atualmente, a gestão do transporte público municipal está entre as atribuições da Secretaria Municipal de Mobilidade e Ordem Pública (SEMORP), comandada pelo secretário Hilton Ribeiro.
Juscélio também citou problemas relacionados a ferramentas anunciadas para acompanhamento do transporte coletivo. Ele relatou ter ido recentemente ao terminal e encontrado sem funcionamento um sistema eletrônico que permitiria ao usuário acompanhar informações sobre os ônibus e horários.
Apesar das críticas, Juscélio defende Prefeitura no episódio com a ATP
Embora tenha feito críticas contundentes à condução do transporte público, Juscélio deixou claro que não atribuiu à Prefeitura a responsabilidade pela paralisação que havia sido anunciada pelos rodoviários.
Ao tratar especificamente da disputa envolvendo os pagamentos à concessionária, afirmou estar “100% com a prefeitura” neste episódio.
Juscélio também contestou a responsabilização do prefeito Gustavo Carmo e da Secretaria da Fazenda pela situação dos trabalhadores. Segundo ele, a cobrança pelo pagamento dos salários deveria ser direcionada à própria empresa.
A greve acabou suspensa após uma reunião realizada nesta sexta-feira entre representantes do sindicato, Prefeitura, vereadores e direção da ATP. Entre os entendimentos anunciados está o pagamento do adiantamento salarial na quarta-feira (1º). O sindicato também informou que outros benefícios negociados serão apresentados aos trabalhadores em reunião na próxima quinta-feira (3).
Juscélio também cobra mudanças no governo
As críticas ao transporte fazem parte de uma avaliação mais ampla de Jucélio sobre a administração municipal. Durante o programa, ele afirmou que já havia defendido que o prefeito concedesse um período inicial aos integrantes do primeiro escalão para demonstrarem resultados, mas considera que mudanças deveriam ter ocorrido após os primeiros meses da gestão.
Apesar das cobranças, Juscélio fez questão de elogiar a dedicação do sobrinho à administração municipal.
“Gustavo é um cara trabalhador, gente. Gustavo acorda 4 horas da manhã e a prefeitura tá na cabeça dele até quando ele vai dormir”, afirmou.
Por outro lado, entende que o chefe do Executivo precisa rever integrantes da equipe e cobrar resultados.
Fonte: Alagonews

























