Os trabalhadores do transporte público de Alagoinhas aprovaram um indicativo de greve após uma paralisação surpresa realizada durante uma assembleia por volta do meio-dia de ontem (21). A mobilização, convocada pelo Sindicato dos Rodoviários de Alagoinhas (Sindimetro), paralisou a circulação dos ônibus e pegou a população de surpresa. O motivo principal alegado pela categoria é o atraso no pagamento do adiantamento salarial (a “quinzena”), que deveria ter sido efetuado até o dia 20 de julho. A informação foi dada pelo radialista Caio Pimenta na manhã de hoje(22) durante o programa Primeira Mão, apresentado por ele na rádio Ouro Negro FM e na internet pelas redes sociais da rádio web 2 de julho.
O presidente do sindicato, Gil Alagoinhas, já havia manifestado anteriormente em falas públicas que a categoria não aceitaria a indefinição na data dos pagamentos. Embora os trâmites legais para a deflagração da greve já estejam em curso, a data exata para o início da paralisação geral ainda não foi confirmada.
Em resposta à paralisação, a concessionária ATP Transportes emitiu uma nota oficial de esclarecimento detalhando os fatores financeiros que levaram ao atraso no pagamento dos funcionários.
A ATP afirma que, desde janeiro deste ano, a Prefeitura vem descumprindo o cronograma financeiro estabelecido e realizando repasses de forma irregular tanto em valores quanto em datas. Ela aponta ainda que os impactos inflacionários, agravados pela alta do diesel e pelo encarecimento de insumos como pneus, peças e graxa, reduziram a arrecadação da empresa a apenas 47,8% do total de suas despesas operacionais, se tornado indispensável para o pagamento de funcionários e fornecedores de forma regular os valores referente ao subsidio.
Estima-se que o custo real do transporte (tarifa técnica) ultrapassa R$ 10,00 em Alagoinhas por passageiro, enquanto a tarifa pública paga pelo usuário é de R$ 4,60. É justamente o subsidio municipal que repara parte da defasagem pelo custo real do serviço
Segundo a ATP Transportes, para este ano de 2026, a Prefeitura Municipal de Alagoinhas se comprometeu a subsidiar R$ 5,02 por passageiro transportado para cobrir a diferença, o que não vem sendo cumprido com regularidade.
Até o momento, a ATP Transportes declarou que continua buscando diálogo com o Poder Público municipal e com a Secretaria de Mobilidade Urbana para a regularização dos repasses e o restabelecimento do pagamento dos rodoviários. A Prefeitura de Alagoinhas e a SEMORP ainda não se pronunciaram publicamente sobre os atrasos informados pela concessionária.
Disputa Judicial de R$ 32 Milhões e Transporte Clandestino
A crise no sistema de transporte público de Alagoinhas vai além dos repasses mensais. O município enfrenta um passivo acumulado decorrente do desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.
De acordo com informações divulgadas pelo advogado Antonio Barreto, recentemente nomeado assessor do prefeito e crítico histórico do atual modelo do sistema de transporte público municipal, a Prefeitura responde a um processo ajuizado pela ATP no valor de R$ 32 milhões, referente a frustrações de arrecadação e descumprimento de termos contratuais previstos na licitação. O débito ameaça se transformar em precatório para os cofres públicos.
Ao comentar sobre a situação do transporte público municipal em Alagoinhas, Caio Pimenta teceu também fortes críticas à falta de fiscalização por parte da Secretaria Municipal de Mobilidade e Ordem Pública (SEMORP) e da Agerba em relação ao transporte clandestino e ao uso indevido do terminal de coletivos por vans intermunicipais. De acordo com Pimenta, evasão de passageiros pagantes para o transporte não regulamentado retira receita direta do sistema licitado, aumentando o déficit cobrado do erário público.
Enquanto a prefeitura acumula dívidas e atrasos nos repasses, a população sofre com a queda na qualidade da frota e do serviço prestado, resultando em descumprimento do contrato por ambas as partes.


























